Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que 57% dos eleitores brasileiros se sentem mais decididos a votar na eleição presidencial de 2026 do que em 2022. O levantamento, realizado nos dias 1 e 2 de setembro, foi divulgado neste sábado, 5 de setembro, e traz informações detalhadas sobre intenção de voto, engajamento e fontes de informação.
Decisão dos eleitores por candidato
Os eleitores que declararam apoio a Flávio Bolsonaro e a Luiz Inácio Lula demonstram o maior nível de decisão. Entre os que se dizem mais decididos, 68% pertencem ao eleitorado de Flávio Bolsonaro, enquanto 61% são eleitores de Lula. Esse cenário indica que os principais candidatos já contam com bases eleitorais firmes e motivadas.
Em contraste, os apoiadores de Romeu Zema e de Ronaldo Caiado apresentam menor convicção. Apenas 22% dos eleitores de Zema e 17% dos de Caiado afirmam estar mais decididos a votar agora em relação a 2022. Essa diferença pode refletir tanto a percepção de viabilidade quanto o grau de exposição dos candidatos nas campanhas.
Para os eleitores que não se alinham nem ao petismo nem ao bolsonarismo, a situação é mais equilibrada. Quarenta por cento dizem estar mais decididos, 41% se consideram igualmente decididos e 18% afirmam estar menos decididos. Esses números sugerem que a maioria desse segmento está atenta ao processo eleitoral, mas ainda há espaço para influenciá‑los.
Intenções de voto e cenário para o segundo turno
O levantamento apresenta a distribuição das intenções de voto no primeiro turno: Lula (PL) lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 33%, Augusto Cury (Avante) com 8%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (NOVO) com 2%.
Se o pleito avançar para um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário se estreita ainda mais. Lula acumularia 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro ficaria com 44%, indicando um empate técnico. Em agosto, a diferença entre eles era de quatro pontos (47% a 43%), o que demonstra uma tendência de convergência nas preferências do eleitorado.
Esses números reforçam a importância de estratégias de mobilização e persuasão nas próximas semanas, sobretudo para os candidatos que ainda ocupam posições intermediárias, como Cury e Caiado, que podem atuar como decisores em um eventual segundo turno.
Engajamento e fontes de informação nas redes
Os eleitores foram questionados sobre o nível de preocupação com o resultado das eleições comparado a 2022. A maioria relatou estar mais informada sobre as propostas dos candidatos neste ciclo, indicando um aumento no acompanhamento das pautas de campanha.
- 75% dos entrevistados afirmam consumir conteúdo de perfis de veículos jornalísticos nas redes sociais.
- 71% acompanham perfis de jornalistas.
- 69% seguem os perfis oficiais dos candidatos.
- 61% assistem a conteúdo de influenciadores digitais.
- 47% participam de grupos de WhatsApp ou Telegram.
Quando perguntados se viram conteúdos sobre a eleição nas redes sociais, 57% responderam positivamente, enquanto 43% disseram não ter percebido esse tipo de informação. Esse dado evidencia que, embora a maioria esteja exposta a notícias eleitorais, ainda há um segmento significativo que permanece menos conectado.
O grau de engajamento em campanhas também foi analisado. A maioria dos entrevistados declarou estar igualmente engajada em promover um candidato agora, comparado a 2022, o que indica estabilidade no nível de ativismo político nas redes.
Implicações para a campanha presidencial
Os resultados do Datafolha trazem implicações estratégicas para todos os candidatos. Primeiro, a alta decisão dos eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro sugere que as campanhas devem focar em consolidar a base e evitar desgastes que possam gerar desistências de voto.
Segundo, a menor convicção dos eleitores de Zema e Caiado abre espaço para que esses candidatos busquem alianças ou reforcem mensagens que aumentem a confiança do eleitorado, especialmente se houver a necessidade de atuar como “coringa” em um segundo turno.
Terceiro, o aumento do consumo de conteúdo jornalístico e de perfis de jornalistas indica que a imprensa ainda tem papel central na formação de opinião. Estratégias de comunicação que priorizem entrevistas, debates e matérias de análise podem ser mais eficazes do que simples mensagens de campanha.
Por fim, a presença expressiva de influenciadores digitais (61%) e de grupos de mensagens instantâneas (47%) demonstra que a campanha deve manter uma presença ativa nesses canais, mas com mensagens bem segmentadas para evitar saturação e desconfiança.
Em síntese, a pesquisa do Datafolha aponta para um eleitorado mais decidido, mais informado e mais conectado às múltiplas fontes de informação. Os candidatos que souberem aproveitar esses sinais terão maiores chances de converter a decisão em voto efetivo nas urnas de 2026.








