Uma nova pesquisa da Quaest revelou que a parcela de eleitores indecisos sobre a escolha do presidente da República aumentou significativamente nas últimas semanas, indicando que esse grupo pode ser decisivo na definição do resultado da eleição de 2026. O levantamento foi realizado entre 17 e 20 de outubro, com entrevistas em todas as regiões do país. A pesquisa, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, traz números que despertam atenção entre candidatos e analistas.
Crescimento dos indecisos
De acordo com o levantamento, o percentual de eleitores que ainda não definiram a preferência entre os candidatos subiu de 7% para 14% em apenas sete dias. Esse salto representa o dobro da taxa registrada em 14 de outubro, quando a mesma pesquisa foi conduzida pela primeira vez. O aumento demonstra que uma parte considerável do eleitorado permanece em aberto, o que pode gerar volatilidade nas urnas.
Os entrevistados foram selecionados de forma aleatória, totalizando 2.154 pessoas distribuídas em todas as unidades da federação. O método espontâneo, que não menciona nomes de candidatos durante a primeira fase, permite captar a percepção genuína dos eleitores antes de qualquer viés de nomeação. Essa abordagem costuma revelar tendências ocultas que só se manifestam quando os candidatos são explicitamente citados.
Comparativo com a pesquisa anterior
No questionário estimulado, onde os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) foram apresentados, o número de indecisos manteve‑se estável em relação ao levantamento anterior. Na pesquisa anterior, Flávio Bolsonaro alcançava 46% de intenção de voto, enquanto Lula registrava 44%. Os brancos e nulos somavam 1% e os indecisos eram 9%.
Comparando os dois momentos, observa‑se que a diferença entre os candidatos principais permaneceu praticamente inalterada, mas a base de eleitores indecisos cresceu de forma expressiva. Essa estabilidade nos números de apoio direto, aliada ao aumento dos indecisos, indica que a disputa pode ser decidida nos últimos dias de campanha, quando os eleitores ainda indecisos serão alvos de intensas estratégias de convencimento.
Impactos no cenário eleitoral
Analistas políticos apontam que o crescimento dos indecisos pode beneficiar tanto o candidato da esquerda quanto o da direita, dependendo da capacidade de mobilização dos partidos. Se o presidente Lula conseguir consolidar seu apoio entre os eleitores tradicionais e ainda conquistar parte dos indecisos, pode ampliar sua vantagem. Por outro lado, Flávio Bolsonaro, que ainda está a poucos pontos de distância, tem a oportunidade de reduzir a diferença ao atrair aqueles que ainda não decidiram.
Além das estratégias de campanha, fatores externos como a situação econômica, a segurança pública e eventos inesperados podem influenciar a decisão dos indecisos. Historicamente, eleitores que permanecem indecisos até a véspera da votação tendem a seguir tendências de voto de grupos demográficos específicos, como jovens urbanos ou eleitores de baixa renda, o que pode criar padrões de voto surpreendentes.
- Indecisos em 14/10: 7%
- Indecisos em 21/10: 14%
- Margem de erro: ±2 pontos percentuais
- Nível de confiança: 95%
Próximos passos da Quaest
A pesquisa divulgada hoje representa a penúltima sondagem da Quaest antes do segundo turno, que acontecerá no domingo, 25 de outubro. O próximo levantamento será publicado no sábado, 24, um dia antes da votação, e deverá confirmar ou refutar as tendências observadas até agora.
Ambas as pesquisas foram registradas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR‑08535/2026, garantindo transparência e acesso público aos dados. O registro no TSE também permite que partidos e candidatos verifiquem a conformidade metodológica da pesquisa, reforçando a credibilidade dos resultados.
Enquanto isso, os candidatos continuam a intensificar suas campanhas, realizando comícios, debates e presença nas redes sociais. A disputa pela atenção dos eleitores indecisos tem se tornado o foco principal das estratégias de comunicação, com mensagens direcionadas a grupos específicos e uso de micro‑segmentação de dados.
Em resumo, o aumento dos eleitores indecisos cria um cenário de alta competitividade, onde pequenos movimentos de opinião podem mudar o rumo da eleição. A expectativa é que a última pesquisa da Quaest, divulgada no dia 24, ofereça um panorama mais claro e ajude a definir quais candidatos conseguirão converter a indecisão em votos efetivos.








