Com a primeira rodada das eleições de 2026 marcada para o domingo, 4 de outubro, muitos brasileiros ainda não definiram todos os candidatos que pretendem apoiar. A corrida eleitoral está em sua fase final, e a capital federal tem sido palco de entrevistas que revelam a indecisão de parte do eleitorado. O cenário mostra que a chamada “colinha” ainda está incompleta para milhares de votantes.
Eleitores ainda indecisos na reta final
Em pontos estratégicos de Brasília, o g1 coletou depoimentos que ilustram a situação. A confeiteira Savina Sampaio, por exemplo, admite que ainda não escolheu nenhum candidato e pretende usar a última semana para analisar a índole e a trajetória dos concorrentes. “Vou levar em consideração o que falta para eles, o que realmente querem fazer”, afirma.
O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, aponta que adiar escolhas é um comportamento esperado diante da complexidade da eleição deste ano. São seis votos diferentes – presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado distrital – e centenas de nomes que competem por cada cargo.
Para Gilmar Mendes de Aguiar, aposentado, a dúvida ainda persiste em dois cargos, inclusive o de deputado federal, mesmo reconhecendo que a incerteza é “muito pequena”. Essa sensação de incerteza se repete em diversos eleitores que ainda carregam uma folha em branco para anotar os números dos candidatos.
Por que a decisão costuma ser adiada
Segundo Medeiros, a atenção da população se concentra maiormente na disputa presidencial, enquanto as escolhas para cargos legislativos ficam em segundo plano. “É mais fácil identificar os concorrentes à Presidência porque a disputa recebe mais atenção”, explica o especialista.
Leonardo Barreto, outro cientista político, destaca que a falta de interesse espontâneo por deputados e senadores faz com que esses eleitores dependam de informações que cheguem até eles. “Esses dados precisam ser divulgados de forma mais acessível”, completa.
Além do desinteresse, o custo informacional do voto é elevado. Cada eleitor precisa analisar propostas, trajetórias, posicionamentos e até a reputação dos candidatos. Quando o número de opções aumenta, a sensação de sobrecarga leva muitos a postergar a decisão.
- Presidente da República
- Governador do Distrito Federal
- Dois senadores
- Deputado federal
- Deputado distrital
O Tribunal Superior Eleitoral permite que os votantes levem uma anotação em papel com os números dos candidatos para a cabine de votação. Essa prática, conhecida como “colinha”, tem se tornado um recurso de última hora para quem ainda não decidiu.
Impactos das escolhas tardias
Apesar de parecer um detalhe, a definição dos votos para o Legislativo tem repercussões profundas. O Legislativo detém o poder de aprovar leis, fiscalizar o Executivo e moldar políticas públicas que afetarão o país nos próximos quatro anos.
Dados da Quaest, divulgados em agosto, revelam que 32% dos eleitores escolhem o candidato ao Senado na última semana, e 14% decidem no próprio dia da votação. Para a Presidência, esses números são menores, mas ainda relevantes: 20% definem na última semana e 10% apenas no dia do pleito.
Esse padrão já se repetiu em eleições anteriores. Uma pesquisa da Datafolha após o primeiro turno de 2022 mostrou que um quarto dos eleitores decidiu os votos para o Congresso na véspera ou no dia da votação.
O atraso nas decisões pode gerar surpresas nos resultados finais, especialmente em cargos com margens apertadas. Quando milhares de eleitores levam a “colinha” para a cabine no último minuto, pequenas variações podem mudar a composição do Legislativo.
Além disso, a indecisão pode influenciar a estratégia de campanha dos candidatos. Aqueles que percebem que ainda têm eleitores em potencial podem intensificar a divulgação de propostas nas últimas semanas, buscando captar o voto ainda não consolidado.
Para quem ainda não tem clareza, especialistas recomendam alguns passos práticos: analisar o histórico de votação, conferir o posicionamento em temas-chave, comparar propostas e, se possível, conversar com pessoas que já conhecem o candidato. Essas ações ajudam a reduzir o custo informacional e a tomar uma decisão mais consciente.
Em resumo, a última semana antes das eleições de 2026 tem sido marcada por uma mistura de ansiedade, pesquisa de última hora e a tradicional “colinha” ainda incompleta. O eleitorado brasileiro demonstra que, mesmo diante de um processo democrático consolidado, a escolha ainda pode ser um desafio complexo.
O futuro político do país dependerá não só das decisões tomadas na cabine de votação, mas também da qualidade da informação que chega ao cidadão nas horas finais da campanha. Assim, a responsabilidade recai tanto sobre os candidatos quanto sobre os veículos de comunicação, que precisam oferecer conteúdo claro e objetivo para facilitar o exercício da cidadania.








