Quase metade dos eleitores brasileiros afirmou que votará no candidato que considera ideal nas eleições de 2026, segundo a 15ª edição da pesquisa BTG/Nexus divulgada em setembro.
A pesquisa, realizada entre 18 e 20 de setembro, entrevistou 2.006 pessoas por telefone e tem margem de erro de dois pontos percentuais com confiança de 95%.
Perfil demográfico dos eleitores convictos
Os dados revelam que o voto de convicção está concentrado em grupos socioeconômicos mais vulneráveis. Entre os desempregados, 63% declarou que seu voto será para o candidato ideal.
Eleitores com apenas o Ensino Fundamental também apresentam alta taxa de convicção, chegando a 55%.
Na faixa de renda familiar de até um salário mínimo, 53% dos respondentes afirmaram que seu candidato escolhido corresponde ao ideal pessoal.
Em contraste, a elite econômica demonstra menor entusiasmo. Apenas 37% dos eleitores com Ensino Superior consideram seu candidato o ideal.
Trabalhadores formais com renda superior a cinco salários mínimos registram 41% de convicção, ainda abaixo da média nacional.
O fator geracional também pesa. Entre os idosos (60 anos ou mais), 54% votará no candidato dos sonhos, enquanto apenas 33% dos jovens de 16 a 24 anos compartilham desse sentimento.
Os jovens, por sua vez, apontam que 53% estão optando pela melhor alternativa disponível, não necessariamente o candidato ideal.
Geograficamente, o Nordeste lidera com 51% de eleitores convictos, superando a Região Sul, onde apenas 37% se declararam assim.
Os habitantes do interior apresentam taxa de 49%, enquanto moradores das capitais ficam em 41%.
Quanto à religião, católicos exibem 50% de convicção, ao passo que evangélicos ficam em 41%.
- Desempregados – 63%
- Ensino Fundamental – 55%
- Renda ≤ 1 salário mínimo – 53%
- Idosos (60+) – 54%
- Nordeste – 51%
Motivações e estratégias de voto
Além do voto no candidato ideal, a pesquisa identificou duas outras motivações predominantes.
Um terço dos entrevistados (38%) reconheceu que seu candidato preferido não é ideal, mas representa a melhor opção entre os disponíveis.
Já 12% admitiram que seu voto será apenas um mecanismo para impedir a vitória de um adversário específico.
Essas duas categorias refletem o chamado “voto utilitário”, onde a escolha é guiada por estratégias de exclusão ou de minimização de danos.
Os eleitores com maior nível educacional tendem a adotar essa postura pragmática, avaliando candidatos mais como ferramentas políticas do que como representantes de valores pessoais.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, explicou que a base da pirâmide social estabelece laços históricos e emocionais com lideranças, enquanto os grupos mais instruídos analisam o cenário de forma mais crítica.
Esse padrão de comportamento cria uma divisão clara entre “voto de convicção” e “voto de conveniência”.
Implicações para a disputa eleitoral
O alto índice de eleitores que buscam o candidato ideal pode influenciar a dinâmica das campanhas, exigindo que os partidos invistam em narrativas que ressoem com valores pessoais.
Por outro lado, a parcela significativa que opta pelo voto utilitário indica que estratégias de alianças e bloqueios ainda terão peso decisivo nas urnas.
Os candidatos que conseguirem articular uma proposta que combine idealismo e viabilidade prática terão maior chance de atrair tanto os eleitores convictos quanto os pragmáticos.
Além disso, a disparidade regional aponta para a necessidade de mensagens diferenciadas: enquanto no Nordeste a ênfase pode ser em projetos de inclusão social, no Sul o discurso pode precisar focar em estabilidade econômica.
Os partidos também devem considerar a influência da religião, ajustando seu discurso para não alienar grupos católicos ou evangélicos.
Em termos de campanha digital, a segmentação por faixa etária será crucial, já que jovens e idosos respondem a estímulos diferentes.
Por fim, a pesquisa reforça a importância de monitorar continuamente o sentimento eleitoral, pois mudanças nas percepções de “candidato ideal” podem ocorrer rapidamente à medida que novas informações emergem.








