Nas eleições estaduais de 2026, até 19 dos 27 estados podem eleger seu governador já no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O cenário se forma com menos candidatos e governadores incumbentes que polarizam as disputas.
Panorama geral das corridas
Pesquisas divulgadas até 25 de setembro indicam que onze estados apresentam um candidato favorito claro, capaz de alcançar a maioria absoluta dos votos válidos. Esses estados têm maior probabilidade de fechar a disputa na primeira votação.
Quatro outras unidades federativas – Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco – vivem corridas apertadas entre dois candidatos principais, mas a diferença em relação aos demais concorrentes ainda é significativa, permitindo que o resultado se decida ainda em outubro.
Além desses, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rondônia e Acre mostram tendências semelhantes nas últimas rodadas de pesquisa, o que pode elevar o total para dezenove primeiras rodadas decididas.
Por que o primeiro turno ganha força?
O principal motor dessa situação não é o humor do eleitorado, mas a estratégia dos partidos. O número médio de candidaturas ao governo caiu de 8,3 em 2022 para 7,2 em 2026, concentrando os votos em menos nomes.
Com menos concorrentes, a disputa se concentra nos dois ou três principais candidatos, facilitando que um deles ultrapasse a marca de 50% dos votos válidos, requisito para vitória no primeiro turno.
- Menos candidaturas reduzem a fragmentação do voto.
- Alianças são firmadas mais cedo, evitando dispersão de recursos.
- Campanhas focam em candidatos com maior viabilidade, otimizando investimentos.
Esse cálculo pragmático leva as siglas a lançar menos candidatos próprios e a direcionar recursos para chapas que tenham maior potencial de vitória, diminuindo a necessidade de um segundo turno mais custoso.
Comparativo histórico
O recorde anterior de primeiras rodadas decididas pertence a 2010, quando 18 estados concluíram a eleição no primeiro turno. Entre 2002 e 2022, a média foi de cerca de 15 estados.
Mesmo no cenário mais conservador – considerando apenas as 11 disputas com favorito claro e as quatro acirradas – 2026 ainda superaria a média histórica, ficando próximo ao recorde de 2010.
Em 2010, a queda no número médio de candidaturas (de 7,5 em 2006 para 6,2) coincidiu com um crescimento econômico acima de 7% e alta aprovação dos governos, favorecendo a continuidade.
Já em 2018, em meio à crise econômica e ao descrédito político, apenas 13 estados resolveram a eleição no primeiro turno, demonstrando que o fator econômico pode ser decisivo, mas não exclusivo.
O papel dos governadores incumbentes
Dos nove governadores eleitos em 2022 que concorrem novamente, cinco são favoritos claros para vencer no primeiro turno: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Mato Grosso do Sul. Três outros – Ceará, Bahia e Pernambuco – estão em corridas apertadas que também podem se encerrar na primeira votação.
Quando o governador está na disputa, a eleição tende a se transformar em um plebiscito sobre sua gestão, favorecendo um candidato de oposição forte e reduzindo espaço para terceiros candidatos.
No Amapá, a situação é diferente: o favorito é o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), e não o governador atual, indicando que a dinâmica local pode romper padrões.
Quando o governador não se apresenta, o eleitorado avalia se a administração merece ser sucedida. Essa avaliação tem correlação mais forte com a intenção de voto no candidato governista do que a simples aprovação do governo.
Exemplos regionais de influência
Em Goiás e Paraíba, mais de 70% dos eleitores acreditam que o governo atual merece eleger seu sucessor, e os candidatos da situação lideram confortavelmente.
Em contraste, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas apresentam índices baixos de aprovação da gestão, o que abre espaço para a oposição e aumenta a probabilidade de segundo turno.
O Paraná representa um caso atípico: apesar de 65% dos eleitores considerarem que Ratinho Junior (PSD) merece eleger o sucessor, o candidato Sergio Moro (PL) lidera as pesquisas, enquanto o candidato do governador, Sandro Alex (PSD), permanece com cerca de 20% de apoio.
Perfis dos favoritos fora da situação governista
Nos estados onde o candidato governista não lidera, os favoritos apresentam perfis variados, desde políticos com forte base regional até figuras de destaque nacional que aproveitam a fragmentação do campo.
Essas candidaturas costumam contar com alianças estratégicas que unem partidos menores, ampliando a base de apoio e facilitando a obtenção da maioria absoluta.
Além disso, a presença de lideranças reconhecidas em áreas como segurança pública, economia ou combate à corrupção atrai eleitores que buscam alternativas ao status quo.
Implicações para partidos e estratégias eleitorais
O cenário de 2026 pressiona os partidos a repensarem suas estratégias de coalizão. A tendência é fechar alianças antes da campanha oficial, garantindo que recursos financeiros e logísticos sejam concentrados em poucos candidatos com real potencial de vitória.
Essa racionalização também reduz o risco de dispersão de votos que poderia levar a um segundo turno, que costuma ser mais caro e imprevisível.
Para partidos menores, a estratégia passa a ser apoiar candidatos de grandes siglas em troca de cargos ou influência nas administrações estaduais, fortalecendo a rede de poder a nível nacional.
Conclusão e projeções
Se as projeções se confirmarem, 2026 registrará o maior número de governadores eleitos no primeiro turno desde 2010, refletindo um cenário de menor fragmentação de candidaturas e maior concentração de recursos nas principais disputas.
O resultado dependerá, porém, de fatores como a estabilidade econômica, a avaliação da população sobre a gestão atual e a capacidade dos partidos de articular alianças eficazes antes da campanha.
Observadores políticos apontam que, independentemente do número de decisões no primeiro turno, a dinâmica eleitoral de 2026 reforçará a importância da estratégia partidária e da gestão de recursos como pilares centrais das eleições estaduais brasileiras.








