No primeiro turno das eleições de 2024, o ex-prefeito de Macapá, Antônio de Oliveira Furlan, foi eleito governador do Amapá. A apuração, divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral na manhã de 5 de outubro, confirmou a vitória com mais de 62% dos votos válidos. A decisão dos eleitores encerra uma sequência de 12 anos de governo vinculada ao grupo de Davi Alcolumbre.
Contexto político do Amapá
O estado do Amapá tem sido historicamente marcado por uma forte concentração de poder nas mãos de um pequeno grupo político, liderado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Desde 2012, a aliança de Alcolumbre ocupou consecutivamente o cargo de governador, consolidando uma rede de apoio que abrangia os principais municípios.
Macapá, capital do estado, concentra cerca de 56% dos eleitores, o que confere ao seu eleitorado um peso decisivo nas eleições estaduais. Essa particularidade costuma tornar a disputa eleitoral altamente competitiva, mas também permite que um candidato com forte base na capital consiga ampliar sua influência para todo o território.
Além da questão demográfica, o cenário econômico do Amapá tem sido desafiador, com altas taxas de desemprego e necessidade de investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Esses fatores criaram um ambiente propício para que a população buscasse alternativas ao modelo político vigente.
A campanha de Furlar e os números da vitória
Furlan, que havia sido reeleito prefeito de Macapá em 2020 com quase 86 mil votos a mais que o então governador Clécio Luiz, utilizou sua popularidade local como alicerce para a campanha estadual. Seu discurso enfatizou a necessidade de renovação, transparência e desenvolvimento sustentável, destacando projetos de energia limpa e fortalecimento da economia digital.
Nas urnas, a apuração chegou a 88,51% quando o TSE anunciou que Furlan já possuía 62,01% dos votos válidos, enquanto o candidato da União, Cléio Luiz, ficou com 37,72%. Essa margem de quase 25 pontos percentuais foi considerada expressiva pelos analistas, que apontaram para uma mudança de paradigma no estado.
Os resultados também revelaram o impacto da estratégia de mobilização nas redes sociais, onde Furlan alcançou mais de 200 mil seguidores em plataformas digitais, contrastando com a presença mais tradicional da bancada de Alcolumbre.
- Votos válidos obtidos: 62,01% para Furlan
- Votos válidos obtidos: 37,72% para Cléio Luiz
- Percentual de apuração: 88,51% no momento da divulgação
A vitória de Furlan também significou a derrota direta do grupo de Alcolumbre, que havia controlado o governo estadual por três mandatos consecutivos. A perda de apoio de líderes locais e a insatisfação com políticas anteriores foram citadas como fatores determinantes.
Impactos e perspectivas para o futuro do estado
Com a posse prevista para janeiro de 2025, Furlan terá a missão de reverter indicadores econômicos negativos e implementar um plano de ação que contemple a ampliação da conectividade digital nas áreas rurais. Ele prometeu criar um programa de incentivo a micro e pequenas empresas, focado em setores como agropecuária, turismo ecológico e tecnologia da informação.
Especialistas apontam que a nova gestão precisará negociar com o Congresso Nacional para garantir recursos federais, especialmente para obras de infraestrutura portuária e de saneamento básico. O apoio de representantes federais do estado será crucial para viabilizar esses projetos.
Outro ponto central da agenda de Furlan será a reforma da saúde pública, que inclui a construção de novos hospitais regionais e a modernização de unidades existentes. A meta é reduzir a taxa de mortalidade infantil em 20% até 2030.
Em termos de meio ambiente, o novo governador pretende reforçar a proteção das áreas de preservação permanente, bem como incentivar a produção de energia renovável, especialmente a solar, aproveitando o alto índice de radiação na região amazônica.
O cenário político interno também deverá passar por mudanças, com a possibilidade de novos acordos entre partidos e a abertura de espaço para lideranças emergentes que não estejam vinculadas ao antigo grupo dominante.
Em síntese, a eleição de Furlan representa um marco de ruptura e renovação para o Amapá, trazendo expectativas de transformação nas áreas econômica, social e ambiental. O desafio será transformar promessas em políticas concretas, mantendo a confiança dos eleitores que depositaram seu voto em busca de mudança.








