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Dois trabalhadores são resgatados após nove dias presos em túnel de usina hidrelétrica no Nepal

Dois operários foram retirados com vida de um túnel submerso de uma usina hidrelétrica no Nepal, após nove dias de busca intensiva. O resgate ocorreu na manhã de sexta‑feira, 4 de setembro, nas proximidades da barragem Trishuli 3A. A operação aconteceu em meio ao caos provocado pelas fortes inundações que devastaram o país nas últimas semanas.

Resgate em meio à tragédia

Os socorristas encontraram o primeiro sobrevivente, Sanjay Shah, ainda coberto de lama e água, a cerca de 170 metros de profundidade. Pouco depois, o segundo trabalhador, Kabir Maharjan, foi retirado do mesmo local e encaminhado para cuidados intensivos. Ambos foram transportados de avião para um hospital em Katmandu, onde Shah permanece estável e Maharjan em estado crítico.

O resgate foi possível graças ao uso de equipamentos de sondagem acústica e à colaboração de equipes militares e civis. A operação durou várias horas, exigindo a remoção cuidadosa de entulhos e a garantia de oxigênio suficiente para os resgatados. O sucesso do procedimento trouxe alívio para as famílias, mas também ressaltou a magnitude da catástrofe que ainda assola a região.

O drama dentro do túnel

Segundo relatos de Shah, ele estava na sala de controle quando a avalanche de água, lama e detritos atingiu a usina. Cerca de 40 a 45 colegas estavam presentes, e ele imediatamente tentou conduzir todos para a saída. “Minha responsabilidade era salvar a vida de todos”, disse o trabalhador, que preferiu não abandonar seus companheiros.

Ao percorrer o corredor inundado, Shah alertou os colegas para que corressem em direção à entrada. No entanto, a força da corrente e o colapso parcial do teto impediram que ele saísse a tempo. Preso entre escombros, ele permaneceu em um espaço apertado, onde a água subiu gradualmente, forçando-o a respirar por pequenos espaços de ar.

Quando finalmente foi encontrado, Shah estava visivelmente abalado e a primeira pergunta que fez aos militares foi: “Que dia é hoje?”. O choque de estar preso por mais de uma semana sem saber a situação externa demonstra a vulnerabilidade dos trabalhadores que operam em ambientes de alto risco.

Desdobramentos e desafios das autoridades

As autoridades nepalesas estimam que cerca de 900 trabalhadores estejam desaparecidos em 12 usinas hidrelétricas afetadas, com aproximadamente 500 possivelmente presos em túneis. Além das perdas humanas, mais de 1.300 mortos e quase 4.500 desaparecidos foram contabilizados desde o colapso da geleira que desencadeou as inundações.

Para enfrentar a crise sanitária, o governo autorizou o sepultamento de vítimas sem identificação formal, após exames de DNA, a fim de evitar a superlotação dos necrotérios. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, manteve a esperança de que alguns dos milhares de desaparecidos ainda possam estar vivos, afirmando que “milagres acontecem”.

  • Mais de 800 estrangeiros de 30 países estão desaparecidos, incluindo turistas e peregrinos.
  • O Nepal e o Tibete, território autônomo chinês, são as áreas mais afetadas pela avalanche de água.
  • Autoridades estimam que 500 trabalhadores podem estar presos em túneis de usinas.
  • Necrotérios lotados levaram à decisão de sepultamentos sem identificação prévia.

Enquanto as buscas continuam, as equipes de resgate enfrentam desafios logísticos, como o acesso difícil às áreas montanhosas e a necessidade de equipamentos especializados para detectar sinais de vida em ambientes submersos. A cooperação internacional tem sido essencial, com apoio técnico vindo de países vizinhos e organizações humanitárias.

O caso de Shah e Maharjan destaca a importância de protocolos de segurança mais rigorosos em projetos de energia hidrelétrica, especialmente em regiões vulneráveis a deslizamentos e derretimento de geleiras. Especialistas recomendam a instalação de sistemas de alerta precoce, rotas de evacuação bem sinalizadas e treinamento constante das equipes de operação.

Com a temporada de monções se aproximando, as autoridades alertam para o risco de novas ocorrências semelhantes. A população local tem sido orientada a permanecer atenta a avisos de emergência e a buscar abrigos seguros em caso de alagamentos repentinos.

O resgate dos dois trabalhadores, embora comemorado, serve como lembrete da fragilidade humana diante de desastres naturais de grande escala. A esperança de que mais vidas possam ser salvas permanece viva, impulsionada pela dedicação incansável dos socorristas e pela solidariedade internacional.

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