Na véspera do primeiro turno das eleições de 2026, a corrida pelas duas vagas no Senado de São Paulo está extremamente equilibrada, segundo a última pesquisa da Quaest divulgada neste sábado, 3 de outubro. A pesquisa indica um empate quádruplo entre os principais candidatos, com margens de erro que podem mudar o cenário nos próximos dias.
Panorama geral da disputa
Os quatro nomes que lideram a intenção de voto são Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Cada um deles aparece dentro da mesma faixa de duas casas decimais, o que demonstra que nenhum candidato tem vantagem clara sobre os demais. Essa situação reflete um eleitorado ainda indeciso, que pode ser influenciado por debates, campanhas de última hora ou acontecimentos externos.
Os candidatos da direita, representados por Derrite e Prado, aparecem levemente à frente numericamente, porém a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Isso significa que, estatisticamente, os resultados podem se inverter caso a margem de erro se incline para o lado oposto. Por isso, analistas políticos alertam para a importância de observar as tendências nas próximas pesquisas.
Simone Tebet, ex‑senadora e atual ministra, tem forte base no centro‑esquerda e conta com apoio de lideranças progressistas. Já Marina Silva, veterana da política ambientalista, atrai eleitores preocupados com sustentabilidade e questões sociais. Ambos mantêm campanhas intensas nas redes sociais, buscando consolidar eleitores que ainda não definiram sua escolha.
O empate quádruplo também evidencia a fragmentação do voto em São Paulo, um estado tradicionalmente decisivo nas eleições federais. Enquanto alguns eleitores priorizam a experiência política, outros dão peso à agenda ambiental ou à proposta de renovação de lideranças. Essa diversidade de critérios dificulta a previsão de um vencedor claro.
Detalhes da pesquisa e metodologia
A pesquisa da Quaest foi realizada entre os dias 2 e 3 de outubro, envolvendo 3.702 eleitores paulistas. O campo amostral foi selecionado de forma aleatória, abrangendo diferentes regiões do estado, classes sociais e faixas etárias, para garantir representatividade. A margem de erro declarada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os entrevistados foram questionados apenas sobre a intenção de voto para o Senado, excluindo brancos, nulos e indecisos. Essa abordagem foca nos eleitores que já têm uma preferência clara, o que pode ampliar a percepção de competitividade entre os candidatos. Contudo, a exclusão de indecisos pode subestimar a volatilidade do eleitorado nas próximas semanas.
O protocolo de registro na Justiça Eleitoral está identificado como SP-04726/2026, o que garante a transparência e a legalidade do levantamento. A Quaest segue padrões metodológicos reconhecidos, como o uso de entrevistas presenciais e telefônicas, além de ponderação dos resultados para ajustar possíveis vieses.
Segue abaixo o detalhamento dos percentuais obtidos na pesquisa, todos dentro da margem de erro de ±2 pontos:
- Guilherme Derrite (PP) – 22,4%
- André do Prado (PL) – 22,1%
- Simone Tebet (PSB) – 21,8%
- Marina Silva (Rede) – 21,5%
Os números mostram que a diferença entre o primeiro e o quarto colocado é de apenas 0,9 ponto percentual, reforçando a ideia de um cenário extremamente apertado. Caso a margem de erro se incline para o lado negativo de um candidato, ele pode ser ultrapassado por outro que está a poucos décimos de distância.
É importante notar que a pesquisa não considerou possíveis alianças entre partidos, o que pode alterar a dinâmica nas urnas caso haja coligações estratégicas. Até o momento, ainda não há indicações claras de pactos formais entre os candidatos analisados.
Reações dos candidatos e estratégias de campanha
Guilherme Derrite, que tem forte apoio de lideranças empresariais, intensificou sua presença em eventos de negócios e debates econômicos, buscando consolidar a imagem de gestor competente. Em entrevistas recentes, ele afirmou que pretende “trazer eficiência e responsabilidade fiscal ao Senado”.
André do Prado, por sua vez, tem investido em visitas a comunidades rurais e em debates sobre segurança pública, temas que ressoam com eleitores da periferia e interior do estado. Seu discurso enfatiza a necessidade de “políticas de segurança integradas” e a valorização dos produtores locais.
Simone Tebet tem apostado em uma campanha digital robusta, com vídeos curtos que destacam sua experiência legislativa e projetos de inclusão social. Ela também tem participado de fóruns de mulheres na política, reforçando seu compromisso com a igualdade de gênero.
Marina Silva, reconhecida internacionalmente por sua atuação ambiental, tem organizado caminhadas e ações de conscientização sobre a preservação da Amazônia e dos biomas paulistas. Em seus discursos, ela destaca a urgência de “políticas climáticas ambiciosas” para garantir um futuro sustentável.
Todos os candidatos têm reforçado a importância do voto consciente, incentivando os eleitores a comparecerem às urnas no primeiro turno. As campanhas também têm usado o recurso de “contato direto” via WhatsApp e Telegram, permitindo que eleitores façam perguntas e recebam respostas em tempo real.
Além das estratégias tradicionais, há um aumento no uso de influenciadores digitais que apoiam publicamente cada candidato. Essa tática visa alcançar eleitores mais jovens, que consomem informação principalmente nas redes sociais.
O que os números podem significar para o futuro político de São Paulo
Um resultado tão equilibrado pode gerar um segundo turno competitivo, caso nenhum candidato alcance a maioria dos votos válidos. No entanto, como o Senado brasileiro adota o sistema de votação majoritária simples, os dois candidatos mais votados são eleitos diretamente, o que aumenta a importância de cada ponto percentual.
Se os dois primeiros colocados forem ambos da direita, isso poderia reforçar a tendência conservadora observada em outras eleições recentes no estado. Por outro lado, a presença de Simone Tebet e Marina Silva entre os candidatos mais bem colocados indica que a força progressista ainda tem espaço significativo.
Analistas apontam que a disputa pode influenciar também as eleições para a Câmara dos Deputados, já que candidatos ao Senado costumam mobilizar redes de apoio que beneficiam coligações maiores. Uma vitória de um candidato do campo da esquerda pode impulsionar alianças progressistas nas demais casas legislativas.
Além disso, a proximidade dos resultados pode incentivar negociações de apoio entre candidatos após a divulgação oficial dos votos. Estratégias de “corte de votos” ou acordos de apoio mútuo são comuns em cenários de disputa apertada.
Em termos de políticas públicas, a presença de candidatos com perfis tão diferentes sugere que o futuro do Senado de São Paulo poderá ser marcado por debates intensos sobre economia, meio ambiente, segurança e inclusão social. A pluralidade de ideias pode gerar propostas mais abrangentes, mas também pode dificultar a construção de consensos.
Por fim, a pesquisa da Quaest serve como um termômetro da opinião pública paulistana, mas ainda não é definitiva. As próximas semanas trarão novas medições, debates televisivos e visitas de campanha que podem alterar significativamente o panorama atual.
Os eleitores paulistas, portanto, permanecem como o elemento decisivo dessa disputa. A participação cidadã, a análise crítica das propostas e a comparação entre os números divulgados serão fundamentais para definir quais duas vozes representarão o estado no Senado federal.








