Uma pesquisa divulgada nesta segunda‑feira (21) revelou que candidatos de direita estão se aproximando da ex‑prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), no cenário do Senado de Minas Gerais. O levantamento, realizado entre 16 e 19 de setembro, entrevistou 2.000 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais com 95% de confiança.
Panorama geral da disputa
Marília Campos continua liderando a corrida com 18% das intenções de voto, mas o espaço entre ela e os principais concorrentes diminuiu consideravelmente. O senador Carlos Viana (PSD), que busca a reeleição, e o deputado federal Domingos Sávio (PL) aparecem empatados tecnicamente com a mesma porcentagem.
Logo atrás, o deputado Aécio Neves (PSDB) registra 13% e tem avançado rapidamente desde sua entrada tardia na disputa. O deputado Marcelo Aro (PP) segue próximo, com 12% de intenção, praticamente dentro da margem de erro do tucano Viana.
Evolução dos candidatos de direita
Os números mostram que a direita está consolidando uma base sólida, capaz de desafiar o único nome de esquerda que ainda se destaca. A ascensão de Aécio Neves demonstra que a estratégia de campanha tardia, porém agressiva, está surtindo efeito entre eleitores que buscam alternativas ao tradicional bipartidarismo.
Além disso, a presença de Marcelo Aro reforça a fragmentação do voto de direita, que agora se divide entre PSD, PL, PSDB e PP. Essa divisão pode ser decisiva, pois, em um sistema de votação em que o eleitor escolhe dois nomes, a soma de votos pode favorecer quem conseguir alianças estratégicas.
Desafios para a candidata do PT
Marília Campos permanece como a única representante da esquerda na lista dos principais concorrentes. Essa posição traz a vantagem de concentrar o voto de eleitores progressistas, mas também a responsabilidade de atrair eleitores indecisos que tradicionalmente votam na direita.
O desafio maior está em manter a coesão do eleitorado de esquerda enquanto a direita se multiplica. Se os candidatos de direita continuarem a ganhar terreno, o risco de um bloqueio de voto duplo que favoreça dois nomes de direita aumenta.
O que os números dizem sobre o segundo voto
Em Minas Gerais, o eleitor escolhe dois candidatos ao Senado. Essa particularidade cria oportunidades para alianças tácitas entre partidos. Por exemplo, um eleitor que apoia Viana pode também escolher Sávio ou Aécio, reforçando a força da direita.
Por outro lado, eleitores que apoiam Marília podem optar por outro nome de esquerda, mas a oferta de candidatos de esquerda é limitada. Assim, a probabilidade de que o segundo voto vá para a direita é alta, a menos que haja uma campanha de coalizão eficaz.
Os candidatos classificados como “outros” – Ana Luiza (MLB), Fidélis Alcântara (UP), Manoel Carvalho (MDB), Jordano Metalúrgico (PSTU), Juíz Ramon Moreira (DC), Tião Pessoa (PCO) e Victoria Mello Vic (PSTU) – somaram apenas 1% das intenções, indicando que o foco da disputa está concentrado nos nomes principais.
- Ana Luiza (MLB) – 0,2%
- Fidélis Alcântara (UP) – 0,1%
- Manoel Carvalho (MDB) – 0,2%
- Jordano Metalúrgico (PSTU) – 0,1%
- Juíz Ramon Moreira (DC) – 0,1%
- Tião Pessoa (PCO) – 0,1%
- Victoria Mello Vic (PSTU) – 0,1%
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MG-07331/2026, garantindo sua validade e transparência. Os analistas apontam que, apesar da pressão da direita, Marília ainda tem espaço para ampliar sua base, sobretudo se conseguir mobilizar eleitores urbanos e jovens.
Especialistas em comportamento eleitoral ressaltam que a dinâmica de duas vagas pode gerar surpresas nos últimos dias de campanha, quando alianças de última hora costumam ser firmadas. A estratégia de campanha de Marília deverá incluir não apenas a defesa de sua liderança, mas também a construção de pontes com lideranças de centro‑esquerda.
Em síntese, a corrida ao Senado de Minas Gerais está se configurando como um duelo entre a esquerda consolidada em um único nome e uma direita cada vez mais fragmentada, porém numericamente forte. O desenrolar da disputa dependerá, sobretudo, da capacidade de cada candidato de captar o segundo voto dos eleitores que já escolheram um nome principal.








