O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nesta segunda‑feira, 14 de setembro, o rito da sessão que ocorrerá amanhã para analisar o relatório da Polícia Federal sobre as trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex‑dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A sessão está marcada para começar às 10h (horário de Brasília) e será transmitida ao vivo pela TV Justiça. Trata‑se da primeira vez que a Corte avalia um caso que envolve diretamente um de seus integrantes.
Procedimentos da sessão
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, assume a relatoria deste caso específico e abrirá a sessão com a leitura do relatório da Polícia Federal. Em seguida, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) terá a oportunidade de apresentar sua manifestação escrita ou oral.
Após a manifestação da PGR, os advogados das partes e os próprios interessados poderão fazer sustentações orais. Cada sustentação deve ser curta, limitada a cinco minutos, para garantir o andamento célere do julgamento.
Encerradas as sustentações, Fachin apresentará seu voto preliminar. O voto será seguido pelos demais ministros, que votarão em ordem crescente de antiguidade, do mais novo ao mais antigo. O cronograma de votação será:
- Flávio Dino
- Cristiano Zanin
- André Mendonça
- Nunes Marques
- Alexandre de Moraes
- Luiz Fux
- Dias Toffoli
- Cármen Lúcia
- Gilmar Mendes
O resultado final será divulgado ao término da votação, com a possibilidade de recurso interno caso algum ministro questione o procedimento adotado.
Quem pode votar e possíveis impedimentos
Existe controvérsia sobre a participação de alguns ministros no voto. Alexandre de Moraes, André Mendonça e Dias Toffoli são citados no relatório da PF e podem ser considerados impedidos por conflito de interesses.
A Constituição Federal estabelece que magistrado que seja parte no processo deve abster‑se de votar. Contudo, o STF ainda não definiu oficialmente se esses ministros serão excluídos da votação.
O procurador‑geral da República, Paulo Gonet, também aparece no relatório. A PGR pode ser chamada a se manifestar, mas não tem direito a voto, já que não é membro do Tribunal.
Se algum ministro for considerado impedido, a ordem de votação será ajustada, mantendo a sequência de antiguidade entre os que permanecem aptos. Essa adaptação pode gerar atrasos, mas a Corte já se preparou para eventuais mudanças.
Segurança e transmissão ao vivo
O governo do Distrito Federal anunciou um esquema de segurança reforçado nos arredores do STF, semelhante ao adotado durante o julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro. O plano inclui policiamento ostensivo, bloqueio de vias de acesso e o uso de drones para monitoramento aéreo.
Os dispositivos de segurança visam prevenir manifestações violentas e garantir a tranquilidade dos ministros, servidores e público presente. Equipes de apoio logístico também estarão prontas para atender eventuais emergências médicas.
A sessão será aberta ao público e transmitida em tempo real pela TV Justiça, com cobertura simultânea nas plataformas digitais do STF. O público poderá acompanhar cada fase do julgamento, desde a leitura do relatório até a divulgação do resultado final.
Além da transmissão ao vivo, a Corte disponibilizará um resumo escrito das principais decisões e votos, que será publicado no seu portal institucional no mesmo dia. Essa medida busca ampliar a transparência e o acesso à informação.
Em síntese, a sessão de amanhã representa um marco histórico para o Judiciário brasileiro, ao colocar em juízo questões de imparcialidade, conflito de interesses e limites da atuação dos próprios magistrados. O desfecho do caso poderá gerar precedentes importantes para futuros processos envolvendo membros da Corte.








