Os candidatos eleitos nas eleições de outubro de 2026 iniciarão seus mandatos enfrentando uma série de desafios que atravessam infraestrutura, economia e cultura. O cenário nacional exige decisões rápidas sobre a alocação de recursos, a definição de políticas públicas e a capacidade do Estado de atrair investimentos. A urgência desses temas coloca a gestão pública sob intenso escrutínio da sociedade e dos mercados.
Infraestrutura: investimento e prioridades
O consultor legislativo Alessandro Reichert alerta que a baixa capacidade de investimento público permanece o principal gargalo para a infraestrutura brasileira. Ele destaca que, apesar do recorde de R$ 280 bilhões investidos em 2023 – o maior volume desde 2010 – esse montante corresponde a apenas 2% do PIB, muito abaixo do que o setor considera necessário.
Para que obras estruturantes, como ferrovias, hidrovias e corredores logísticos, avancem, os eleitos precisarão apresentar propostas claras de priorização de recursos. A dependência excessiva de capital privado, que responde por cerca de 80% dos investimentos atuais, não pode substituir um comprometimento sólido do Estado.
- Ampliação de concessões estratégicas com cláusulas de garantia fiscal;
- Criação de fundos de investimento público‑privado dedicados a projetos de longo prazo;
- Revisão de marcos regulatórios para acelerar licenças ambientais;
- Incentivo à inovação em materiais e técnicas de construção sustentáveis.
Além da questão financeira, Reichert aponta desafios ambientais e energéticos que exigem políticas integradas. A transição para fontes renováveis, por exemplo, pode reduzir custos operacionais e tornar projetos de infraestrutura mais viáveis a longo prazo.
Economia: recuperação pós‑pandemia e dívida pública
A economista Carla Beni, da Fundação Getúlio Vargas, destaca que a economia ainda sente os efeitos da pandemia, sobretudo no endividamento das famílias e no aumento da dívida pública. O cenário de alto custo de vida demanda medidas que estimulem o crescimento e ampliem a renda real.
Entre as propostas que os novos parlamentares devem considerar, estão o aumento real do salário mínimo, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a promoção de investimentos em setores estratégicos, como tecnologia e energias limpas.
- Revisão da política fiscal para equilibrar receitas e despesas sem sacrificar investimentos críticos;
- Implementação de programas de apoio a micro e pequenas empresas, visando a geração de empregos;
- Estímulo ao crédito responsável, reduzindo o risco de inadimplência das famílias;
- Desenvolvimento de políticas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento (P&D) para tornar o Brasil mais competitivo.
Beni enfatiza que o Estado precisa agir como indutor de inovação, pois poucos projetos prosperam sem apoio institucional. Ela argumenta que “nenhum país chegou onde chegou sem um Estado forte e indutor”, reforçando a necessidade de políticas públicas realistas e factíveis.
Cultura: descentralização e apoio ao setor
O setor cultural movimenta aproximadamente R$ 400 bilhões por ano, representando cerca de 3% do PIB e empregando quase 6 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. Contudo, a concentração de recursos nos grandes centros ainda limita o acesso de regiões periféricas a investimentos culturais.
Renato Gilioli, consultor legislativo, aponta que a política cultural tem avançado rumo à descentralização, mas ainda carece de mecanismos efetivos de distribuição de recursos. Os eleitos precisam garantir que fundos federais cheguem a estados e municípios com menor capacidade de arrecadação.
- Criação de editais específicos para projetos culturais em áreas rurais e periféricas;
- Estabelecimento de cotas mínimas de investimento em cultura para estados menos favorecidos;
- Fortalecimento de parcerias entre setor público, privado e terceiro setor;
- Incentivo à formação de profissionais de gestão cultural nas regiões menos atendidas.
Além da distribuição de recursos, a continuidade de políticas que ampliem o acesso ao ensino artístico e à produção local será fundamental para sustentar o crescimento do setor. A promoção de festivais regionais e a valorização de manifestações tradicionais podem gerar impactos econômicos positivos e fortalecer a identidade cultural.
Em síntese, os parlamentares eleitos em 2026 terão diante de si um panorama complexo que exige decisões equilibradas entre investimento, responsabilidade fiscal e inclusão social. O sucesso das políticas adotadas dependerá da capacidade de articular diferentes atores, do comprometimento com metas de longo prazo e da transparência na gestão dos recursos públicos.








