Na segunda-feira, 27 de outubro de 2026, o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB) foi novamente mencionado em investigação da Polícia Federal (PF) no contexto da segunda fase da Operação Castratio. A ação ocorre nos municípios do Rio de Janeiro e Niterói, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Operação Castratio: segunda fase e seus alvos
A segunda etapa da Operação Castratio tem como objetivo aprofundar a apuração de um suposto esquema de fraudes envolvendo licitações e contratos de mutirão de castração de animais. A PF indica que a investigação busca desarticular uma organização criminosa que teria direcionado, superfaturado e fraudado processos licitatórios.
Foram executados cinco mandados de busca e apreensão nos municípios citados, com a presença de agentes federais que revistaram residências, escritórios e veículos. O foco da operação recai sobre documentos, aparelhos eletrônicos e valores em espécie que possam comprovar a prática dos ilícitos.
A primeira fase, realizada em maio de 2026, já havia revelado indícios importantes, como a apreensão de joias e dinheiro em espécie em diversos endereços. Na ocasião, o deputado foi abordado no Aeroporto Santos Dumont, onde teve o celular apreendido ao tentar embarcar para Brasília.
Detalhes dos contratos e supostos crimes
Segundo a Polícia Federal, o suposto esquema envolveria contratos firmados entre a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e a empresa Consuvet, totalizando cerca de R$ 200 milhões. As investigações apontam para práticas como:
- Direcionamento de licitações;
- Superfaturamento de valores;
- Fraude em processos licitatórios;
- Peculato e corrupção ativa e passiva;
- Lavagem de dinheiro.
Os agentes também buscam identificar possíveis conluios entre servidores públicos, empresários e políticos que possam ter se beneficiado das irregularidades. Caso as acusações sejam confirmadas, os responsáveis poderão responder por crimes de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros.
Os contratos em questão dizem respeito a mutirões de castração de animais, programa que tem sido a principal bandeira de Marcelo Queiroz. A Seapa teria destinado recursos estaduais para a execução desses mutirões, que visam reduzir a população de animais de rua e melhorar a saúde pública.
Reação de Marcelo Queiroz e possíveis consequências
Em nota enviada à revista VEJA, a defesa de Marcelo Queiroz afirmou que o parlamentar jamais participou ou tomou conhecimento de qualquer ilegalidade. Segundo a defesa, os contratos foram submetidos ao controle do Tribunal de Contas e da Controladoria, sem apontamento de irregularidades.
Embora não tenha sido formalmente intimado, o deputado prestou esclarecimentos de forma espontânea, destacando a regularidade das contratações realizadas durante sua gestão à frente da Seapa. Queiroz reforçou que o programa de castração gratuita de animais é o maior do mundo e que permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
O parlamentar foi reeleito pelo Rio de Janeiro nas últimas eleições, obtendo 58.739 votos, equivalentes a 0,66% do total válido no estado. Desde 2012, quando iniciou a carreira política como vereador, Queiroz tem acumulado formações acadêmicas, incluindo graduação em Direito pela PUC‑Rio, mestrado em Economia pelo IBMEC‑RJ e pós‑graduação em Direito Fiscal e em Gerência de Projetos.
A comunidade política e a sociedade civil acompanham o desenrolar da investigação, que pode impactar a credibilidade do programa de castração e a imagem do deputado. Caso as investigações confirmem a prática de crimes, além das possíveis sanções penais, há risco de perda de mandato e de afastamento do cargo.
Especialistas em direito público ressaltam que a transparência nas contratações governamentais é fundamental para evitar fraudes e garantir a correta aplicação dos recursos públicos. A atuação da Polícia Federal, ao investigar supostos desvios, demonstra a importância do controle externo e da fiscalização por órgãos independentes.
Até o momento, a PF não divulgou resultados definitivos da segunda fase da Operação Castratio. O processo continua em andamento, com a expectativa de que novos documentos e depoimentos possam esclarecer a extensão da suposta organização criminosa.
Enquanto isso, a Seapa mantém o programa de castração em funcionamento, atendendo milhares de animais em todo o estado. A continuidade das ações depende da manutenção da confiança da população e da comprovação de que os recursos foram aplicados de forma correta e eficiente.








