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Deputado Daniel Soranz cobra prioridade orçamentária para o SUS no novo governo Lula

Em entrevista concedida à revista VEJA, o deputado federal Daniel Soranz (PSD) enfatizou que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser tratado como prioridade no orçamento federal, sobretudo no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito em 25 de outubro de 2022. O parlamentar, ex‑secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, destacou a necessidade de ampliar investimentos para garantir a universalidade do atendimento.

Prioridade orçamentária: a proposta de Soranz

Segundo Soranz, a Constituição brasileira assegura o direito à saúde a todos os cidadãos, e o Estado tem o dever de financiar esse direito de forma efetiva. Ele apontou que, embora o governo Lula tenha aumentado o orçamento do Ministério da Saúde de R$ 254 bilhões para R$ 271 bilhões, o valor ainda é insuficiente para sustentar um sistema universal de qualidade.

O deputado ressaltou que a alocação orçamentária deve ser revisada anualmente, com metas claras de expansão de serviços e redução de desigualdades regionais. Ele também propôs a criação de um comitê interministerial que monitore a aplicação dos recursos e garanta transparência nas contratações e nos repasses federais.

Comparativo internacional e o déficit de recursos

Ao comparar o Brasil com outros países que adotam sistemas universais de saúde, Soranz destacou que a nação investe cerca de 4% do PIB no setor, enquanto o Reino Unido destina aproximadamente 11,4% do seu Produto Interno Bruto. Essa diferença, segundo ele, explica parte das deficiências encontradas nos serviços de saúde brasileiros.

Ele citou ainda o modelo americano de Medicare e Medicaid, que cobre entre 53% e 54% da população que não tem plano privado, como exemplo de cobertura complementar que ainda falta ao Brasil. “Sem um SUS fortalecido, corremos o risco de retroceder para a barbárie”, alertou o deputado.

Desafios da atenção primária no Rio de Janeiro

O deputado identificou a atenção primária como um dos maiores obstáculos a serem superados no estado carioca. Atualmente, a média de usuários por equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) no Rio de Janeiro é de 3.450 pessoas, número muito acima do ideal de menos de 3.000.

Para reverter esse quadro, Soranz sugeriu a ampliação de unidades de saúde, a contratação de novos profissionais e a redistribuição de pacientes entre as equipes existentes. Ele também propôs a implantação de um programa de capacitação contínua para agentes comunitários de saúde, a fim de melhorar a qualidade do atendimento de base.

  • Reduzir a carga de usuários por equipe da ESF;
  • Construir novas Unidades Básicas de Saúde em áreas vulneráveis;
  • Investir em capacitação e valorização dos profissionais de atenção primária;
  • Implementar tecnologia de gestão de pacientes para otimizar o fluxo de atendimentos.

Essas medidas, segundo o deputado, exigem recursos adicionais, mas trariam retorno em termos de redução de internações e maior eficiência do sistema.

Obras paralisadas e a questão dos exames avançados

Outro ponto crítico mencionado por Soranz foi a paralisação de obras essenciais, como a instalação de equipamentos de imagem avançada. O PET‑Scan, adquirido em 2012 pelo Estado do Rio, permanece inoperante por falta de infraestrutura adequada.

Ele explicou que, diante da ausência desse equipamento, a Prefeitura do Rio, então sob a administração de Eduardo Paes, passou a oferecer o serviço no Super Centro Carioca de Saúde a partir de 2023, como medida emergencial. Contudo, essa solução temporária não resolve a necessidade de um PET‑Scan funcional em todo o território estadual.

A falta de equipamentos de diagnóstico avançado impacta diretamente o tratamento de doenças graves, como o câncer, que já enfrenta longas filas de espera no estado.

Estagnação de hospitais e o tratamento oncológico

O deputado alertou ainda sobre a estagnação de obras de hospitais voltados ao tratamento de câncer. Projetos como o novo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Hospital de Câncer de Friburgo estão paralisados há anos, comprometendo a capacidade de atendimento da população.

Ele enfatizou que a responsabilidade pelo tratamento de câncer deveria ser estadual, mas, na prática, tem recaído sobre os municípios, gerando sobrecarga e aumento dos tempos de espera. O Rio de Janeiro, segundo Soranz, possui o maior tempo de fila para tratamento oncológico em todo o país.

Além disso, o deputado citou a necessidade de reformas em grandes estruturas hospitalares, como o Hospital dos Servidores do Estado e o Hospital Clementino Fraga Filho (Fundão), que demandam recuperação de leitos e modernização de equipamentos.

Compromissos políticos e perspectivas futuras

Reeleito com mais de 100 mil votos, Daniel Soranz prometeu fortalecer o SUS por meio da luta por investimentos e da integração das redes de saúde nas esferas federal, estadual e municipal. Ele destacou que a cooperação entre os diferentes níveis de governo é essencial para garantir a continuidade dos serviços e a eficiência na alocação de recursos.

O deputado também ressaltou a importância de monitorar a execução dos recursos destinados à saúde, sugerindo a criação de um portal de transparência que permita ao cidadão acompanhar em tempo real onde e como o dinheiro público está sendo aplicado.

Em síntese, a proposta de Soranz combina aumento de orçamento, revisão de prioridades, investimento em infraestrutura e fortalecimento da atenção primária, com o objetivo de transformar o SUS em um sistema verdadeiramente universal e de qualidade para todos os brasileiros.

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