Na manhã da terça‑feira, 27 de outubro de 2023, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou que a ação penal contra a influenciadora digital Deolane Bezerra permanecerá sob a competência da Justiça Estadual. A decisão foi tomada de forma unânime pelos integrantes da 16ª Câmara de Direito Criminal, que rejeitaram o pedido de transferência para a Justiça Federal. O caso continua a gerar grande repercussão nas redes sociais e na imprensa nacional.
Decisão do Tribunal e seus fundamentos
A relatora do processo, desembargadora Renata William Rached Catelli, analisou detalhadamente os argumentos apresentados pela defesa e concluiu que nenhum deles justificava a mudança de jurisdição. Segundo o voto, os elementos citados – suposta atuação internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC), possíveis operações financeiras no exterior e questões tributárias – não atendiam aos requisitos legais para que a Justiça Federal assumisse a condução da ação.
Os magistrados ressaltaram que a competência da Justiça Estadual está amparada no Código de Processo Penal, que estabelece que crimes praticados no território paulista devem ser julgados pela esfera estadual, salvo prova inequívoca de conexão com a justiça federal.
Ao final da sessão, a 16ª Câmara registrou que a decisão se restringiu ao tema da competência e não abordou a manutenção da prisão preventiva de Deolane, que permanece em análise em outro momento processual.
Reação da defesa e estratégias jurídicas
Imediatamente após a divulgação da decisão, a advogada de Deolane Bezerra, Daniele Bezerra, divulgou um comunicado oficial em que a defesa respeita a sentença, mas manifesta discordância quanto ao entendimento jurídico adotado.
O texto da nota enfatiza que a equipe jurídica continuará a utilizar todos os instrumentos previstos na legislação para contestar a decisão, incluindo recursos cabíveis e possíveis incidentes de resolução de conflitos de competência.
Entre as estratégias previstas, a defesa pretende interpor recurso de apelação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, se necessário, levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para discussão de matéria constitucional relacionada à competência jurisdicional.
- Interposição de recurso de apelação ao STJ;
- Possível recurso extraordinário ao STF;
- Petição de revisão de prisão preventiva, caso haja novos elementos;
- Solicitação de medidas cautelares alternativas à prisão.
Além disso, os advogados destacam que a defesa continuará a cooperar com as investigações, ao mesmo tempo em que busca preservar os direitos fundamentais de sua cliente, como o direito à ampla defesa e ao devido processo legal.
Impactos e próximos passos no caso
A manutenção da ação penal na Justiça Estadual tem implicações diretas no andamento das investigações e nas audiências futuras. O juiz responsável pela fase de instrução continuará a conduzir a coleta de provas, o depoimento de testemunhas e a análise de documentos financeiros apontados pelos procuradores.
Para a influenciadora, a decisão significa que o processo seguirá tramitando em São Paulo, com prazos processuais típicos da justiça estadual, que costumam ser mais céleres que os da esfera federal.
Do ponto de vista da opinião pública, a decisão pode reforçar a percepção de que a Justiça paulista está disposta a julgar casos de grande repercussão mediática sem delegar a instâncias superiores, o que pode influenciar a confiança da população nas instituições locais.
Entretanto, a defesa alerta que a disputa judicial ainda está longe de terminar. Cada recurso apresentado poderá gerar novas sessões de julgamento, possíveis suspensões temporárias do processo e, consequentemente, mais tempo de exposição midiática.
Enquanto isso, a família de Deolane tem enfrentado outras adversidades, como a negativa de habeas corpus para a filha Valentina, que permanece sob observação após um abalo emocional relacionado ao caso. Essa situação acrescenta uma camada adicional de complexidade ao cenário jurídico e familiar.
Em síntese, os próximos passos incluem:
- Apresentação do recurso de apelação ao STJ;
- Acompanhamento das decisões dos tribunais superiores;
- Continuação das investigações criminais na esfera estadual;
- Possível revisão da prisão preventiva, caso surjam novos fatos.
Os interessados no caso devem acompanhar as publicações oficiais dos tribunais e os comunicados da defesa para entender como evoluirão as fases processuais. A transparência dos atos judiciais será fundamental para garantir a legitimidade das decisões futuras.
Por fim, a controvérsia envolvendo Deolane Bezerra evidencia o desafio de equilibrar a exposição midiática de figuras públicas com o direito ao devido processo legal, um tema que continua a gerar debates intensos entre juristas, jornalistas e o público em geral.








