A decisão da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB‑SP) que anulou a suspensão preventiva da advogada Deolane Bezerra foi anunciada na última semana, gerando novas reações da família e reacendendo a investigação envolvendo a delegada Maria Aparecida Rezende Corsato. O episódio ganhou destaque nacional em outubro de 2024, quando valores milionários foram encontrados em um puff na residência da irmã da delegada, em Santo André.
Decisão da OAB‑SP e reação da família
Daniele Bezerra, irmã de Deolane, manifestou-se publicamente logo após a OAB‑SP revogar a medida que impedia sua irmã de exercer a advocacia por 90 dias. Ela ressaltou que a anulação depende ainda de registro formal nos quadros da entidade, mas considerou a mudança um passo importante para a restauração dos direitos profissionais da irmã.
Ao mesmo tempo, Daniele questionou a disparidade de tratamento entre sua irmã, que enfrenta acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa, e a delegada Corsato, que está sob investigação por suposta posse de dinheiro ilícito. “Não desejo para a delegada o que nossa família sofreu, mas exijo que ela tenha os mesmos direitos que sempre reivindiquei para Deolane”, afirmou em tom firme.
A descoberta do dinheiro e a investigação da delegada
No sábado, 24 de outubro, a irmã da delegada acionou a Polícia Militar e revelou a existência de um montante significativo de recursos escondidos dentro de um puff deixado na casa da família. A descoberta incluiu diferentes moedas e documentos que ainda não foram identificados.
- R$ 1.246.150
- US$ 120 mil
- 12.675 euros
- papéis com anotações
A Corregedoria‑Geral da Polícia Civil instaurou procedimentos para apurar a origem dos valores e verificar eventual responsabilidade criminal ou administrativa da delegada. A defesa de Maria Corsato argumentou que o dinheiro seria parte de uma herança familiar ainda não partilhada, reforçando que a mera presença dos recursos não constitui crime por si só.
Posicionamento de Daniele Bezerra sobre igualdade de direitos
Daniele deixou claro que não está acusando a delegada de prática ilícita, mas sim cobrando que o princípio da presunção de inocência seja aplicado de forma uniforme. “A origem, a propriedade e a circunstância desse dinheiro precisam ser apuradas pelas autoridades competentes”, destacou, evitando qualquer juízo precipitado.
Além disso, a advogada criticou a lentidão da justiça, apontando que decisões tardias podem reconhecer erros, mas raramente conseguem reparar os danos emocionais causados às famílias envolvidas. Ela questionou por quanto tempo a família Bezerra terá que lutar para garantir que os direitos de Deolane sejam plenamente respeitados.
Próximos passos e implicações judiciais
O processo de habeas corpus de Deolane Bezerra segue em tramitação, com julgamento marcado para as próximas semanas. Enquanto isso, a investigação sobre a delegada Corsato avança, e a Corregedoria‑Geral já definiu uma série de etapas para esclarecer a situação.
- Identificação e bloqueio dos bens relacionados ao montante encontrado.
- Ouvir testemunhas que possam confirmar a origem dos recursos.
- Realizar perícia nos papéis e anotações encontradas no puff.
- Emitir relatório conclusivo para eventual encaminhamento ao Ministério Público.
Se a investigação comprovar irregularidades, a delegada poderá responder por crime de peculato ou por violação de normas administrativas. Caso contrário, a situação poderá ser arquivada, mas o episódio já gerou intenso debate sobre a transparência e a igualdade de tratamento nas instituições públicas.
Ao encerrar seu pronunciamento em vídeo, Daniele comparou o tratamento recebido pela delegada e pela irmã, ressaltando que a presunção de inocência deve ser um direito universal, independente da posição ou da exposição midiática. “A justiça deve ser cega, mas também deve ser rápida e humana”, concluiu, reforçando a necessidade de um sistema que proteja igualmente todos os cidadãos.








