Na tarde de sexta‑feira, 25 de setembro, o portal g1 realizou um debate ao vivo com quatro candidatos ao Senado por São Paulo. O evento foi transmitido simultaneamente no site, no YouTube, no TikTok e no Instagram, permitindo que eleitores de todo o estado acompanhassem as propostas. A discussão abordou temas como infiltração do crime organizado, anomalias nas relações entre poderes e a destinação de emendas parlamentares.
O debate e seus participantes
O encontro foi moderado pela jornalista Ana Paula Campos e aconteceu em estúdio na redação da TV Globo, localizada no centro da capital paulista. Participaram da mesa Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos). Dois candidatos que haviam confirmado presença – André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) – retiraram a inscrição pouco antes do início, deixando seus lugares vazios.
Esta foi a primeira vez que o g1 organizou uma série de debates específicos para cargos senadores, ampliando o espaço de debate em relação aos tradicionais encontros para governador e presidente. A iniciativa já havia sido testada em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco e em filiais de estados como Ceará, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Principais propostas apresentadas
Marina Silva concentrou sua fala na necessidade de adaptar municípios paulistas a eventos climáticos extremos. Ela destacou que 177 cidades do estado são vulneráveis às mudanças climáticas, o que afeta cerca de um milhão de habitantes. Para enfrentar o problema, propôs obras de drenagem, reforço de encostas e moradias dignas em áreas de risco.
Soninha Francine trouxe à tona a questão da segurança hídrica, usando a expressão “plantar água” para ilustrar a necessidade de recuperar nascentes e proteger margens de rios. Segundo ela, o desmatamento e a ocupação irregular são responsáveis por enchentes e poluição, exigindo políticas de restauração ambiental.
Simone Tebet apresentou três frentes de ação para o meio ambiente, enfatizando a relação entre desenvolvimento industrial e preservação. Ela defendeu a revisão das concessões da Enel e da Sabesp, argumentando que privatizações só são válidas quando garantem serviços de qualidade e regulação eficaz.
Geraldo Rufino, por sua vez, focou no saneamento básico e na remoção de vulnerabilidades nas favelas. Ele apontou que cerca de 80% do esgoto em alguns municípios não é tratado, o que compromete a saúde pública e agrava a situação de famílias em áreas precárias.
- Investimento em obras de drenagem e moradia digna (Marina Silva)
- Recuperação de nascentes e controle de desmatamento (Soninha Francine)
- Revisão de concessões de energia e água (Simone Tebet)
- Ampliação do saneamento básico e combate ao esgoto não tratado (Geraldo Rufino)
Questões de segurança e crime organizado
Durante o debate, Simone Tebet alertou para a presença de facções criminosas dentro da administração pública. Ela afirmou que há investigações apontando a infiltração do PCC na Prefeitura de São Paulo e na Secretaria de Segurança Pública estadual, além do avanço de milícias em áreas periféricas.
O tema gerou preocupação entre os demais candidatos, que concordaram que a segurança pública requer uma resposta coordenada entre os três poderes. Eles sugeriram maior transparência nas contratações públicas e reforço de mecanismos de controle interno para impedir a penetração de organizações ilícitas.
Além da questão do crime organizado, os participantes discutiram a necessidade de melhorar a relação entre o Legislativo e o Executivo, especialmente no que tange à destinação de emendas parlamentares. Todos concordaram que a alocação de recursos deve ser feita de forma transparente e com foco nas demandas reais da população.
Impacto das discussões para o eleitorado
O debate do g1 chegou a um momento crucial do calendário eleitoral, quando os eleitores de São Paulo ainda têm duas vagas a preencher no Senado. As propostas apresentadas podem influenciar a decisão de quem votará em outubro, especialmente em temas que afetam diretamente a vida cotidiana, como água, energia, moradia e segurança.
Especialistas em comunicação política destacam que a presença de candidatos em plataformas digitais amplia o alcance das mensagens e permite que eleitores de diferentes faixas etárias acompanhem o conteúdo. O uso de múltiplos canais – site, YouTube, TikTok e Instagram – garante que a informação chegue tanto a eleitores mais jovens quanto a públicos mais tradicionais.
Ao final do programa, a jornalista Ana Paula Campos ressaltou que o debate cumpriu seu objetivo de colocar os candidatos frente a frente, permitindo que o eleitor compare as propostas de forma clara e objetiva. Ela convidou o público a continuar acompanhando os próximos debates que serão realizados em outras regiões do país.








