A pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta‑feira (11 de setembro), mostrou que 46% dos entrevistados afirmam que não votariam nem Flávio Bolsonaro (PL) nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de forma alguma. O levantamento foi realizado entre 8 e 10 de setembro, com 2.002 eleitores em todo o país. Os dados foram encomendados pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.
Rejeição dos principais candidatos
Os números de rejeição para os dois nomes mais citados nas urnas chegaram ao mesmo patamar: 46% dos respondentes disseram que não escolheriam Flávio Bolsonaro nem Lula em hipótese alguma. Esse resultado mantém a tendência observada na pesquisa anterior, publicada em 3 de setembro, quando 47% rejeitavam Flávio e 45% rejeitavam o presidente.
O fato de ambos os candidatos apresentarem índices tão elevados sugere um cenário de desgaste político, ainda que a rejeição não se traduza automaticamente em apoio a terceiros. Em períodos eleitorais, a margem de indecisão costuma crescer, e a rejeição pode ser um indicativo de busca por alternativas menos conhecidas ou de insatisfação com o atual espectro partidário.
Desempenho dos demais nomes
Além dos dois líderes de maior destaque, a pesquisa apontou níveis de rejeição mais modestos para outros candidatos. A seguir, a lista completa dos índices divulgados:
- Renan Santos (Missão): 17%
- Romeu Zema (Novo): 16%
- Ronaldo Caiado (PSD): 14%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 11%
- Augusto Cury (Avante): 10%
- Edmilson Costa (PCB): 9%
- Samara Martins (UP): 9%
- Clariana Barão (PSTU): 7%
- Hertz Dias (PSTU): 7%
- Wilson Grassi (Democrata): 7%
Do total de entrevistados, 2% declararam rejeitar todos os candidatos listados, enquanto outros 2% afirmaram não rejeitar nenhum. Ainda, 3% deixaram a pergunta sem resposta, o que é comum em pesquisas de opinião.
Metodologia da pesquisa
O Datafolia ouviu 2.002 pessoas com idade igual ou superior a 16 anos, distribuídas em todas as regiões do Brasil, entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro da amostra é de 2 pontos percentuais, tanto para mais quanto para menos, e o nível de confiança foi estabelecido em 95%.
O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR‑01833/2026, o que garante a transparência e a rastreabilidade dos resultados. A amostra foi ponderada de acordo com critérios de idade, sexo, nível de escolaridade e região, para refletir a composição demográfica do eleitorado brasileiro.
Implicações políticas e perspectivas
Os índices de rejeição iguais para Flávio Bolsonaro e Lula podem indicar que o eleitorado está dividido entre duas opções que, embora historicamente distintas, enfrentam críticas semelhantes quanto à condução de políticas públicas e à percepção de corrupção. Analistas apontam que a alta rejeição pode abrir espaço para candidatos de centro ou de siglas menores, que ainda não aparecem nas pesquisas de intenção de voto.
Para o governo Lula, a rejeição de 46% pode servir de alerta para a necessidade de reforçar a comunicação de suas ações e de buscar alianças que ampliem a base de apoio. Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro pode precisar reavaliar estratégias de discurso e presença nas mídias, especialmente diante de um eleitorado que demonstra ceticismo crescente.
Especialistas também ressaltam que a rejeição não equivale a voto negativo; muitos eleitores ainda podem optar por abstenção ou voto nulo. Em eleições passadas, a taxa de abstenção chegou a superar 20%, o que demonstra que a indecisão pode se transformar em ausência nas urnas.
Em síntese, a pesquisa Datafolha traz um panorama de insatisfação que pode remodelar o cenário político nas próximas disputas. O acompanhamento das próximas sondagens será essencial para entender se esses índices se mantêm, aumentam ou diminuem à medida que as campanhas se intensificam.








