Cuba conseguiu reconectar o Sistema Elétrico Nacional neste sábado, 19 de agosto, após um apagão que deixou grande parte do país no escuro. O restabelecimento ocorreu por volta das 20h (horário local), mas as autoridades alertam que novos cortes ainda são esperados. O cenário se repete em meio a uma crise energética profunda, intensificada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.
Restabelecimento parcial da rede
A estatal União Elétrica de Cuba (UNE) comunicou que, às 20h, o SEN foi conectado em todo o território nacional. Apesar da conquista, apenas metade da população de Havana recebeu energia na noite de sábado, segundo dados divulgados pela própria UNE. Lisner Cruz, diretor da empresa, explicou que o déficit de geração ainda impede a manutenção de um fornecimento estável.
O processo de reconexão levou cerca de 30 horas, um avanço em relação ao apagão de janeiro, que demandou 36 horas para ser resolvido. Ainda assim, a rapidez do restabelecimento depende diretamente da disponibilidade de combustíveis para as usinas termelétricas, que permanecem em estado crítico.
Causas dos apagões recorrentes
Vários fatores estruturais convergem para explicar a recorrência dos cortes de energia em Cuba. Entre eles, a obsolescência das sete usinas termelétricas que formam a espinha dorsal da rede elétrica é um ponto central. Estas usinas dependem de combustível fóssil, sobretudo diesel importado, cuja oferta tem sido severamente limitada.
- Bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos em janeiro, que restringe a importação de combustível.
- Sanções econômicas que dificultam a compra de peças de reposição e a modernização das instalações.
- Gestão interna de recursos energéticos, que, segundo críticos, carece de planejamento de longo prazo.
Lisner Cruz destacou que, se o país tivesse acesso regular ao combustível, seria possível restaurar a rede elétrica em menos tempo e reduzir a frequência dos apagões. A falta de combustível também afeta os geradores de reserva, que funcionam com diesel e são essenciais para suprir a demanda durante picos de consumo.
Impactos na população e perspectivas
Os apagões têm causado sérios transtornos no cotidiano dos cubanos. Em Havana, moradores relataram ter ficado apenas quatro horas com luz durante a tarde, antes de novos cortes. Lucía Martínez, pensionista da zona oeste da capital, descreveu a situação como “mais de quatro horas de luz à tarde e depois cortaram de novo”.
Em outras províncias, o tempo sem energia chegou a ultrapassar 60 horas consecutivas, forçando famílias a adaptar rotinas, como dormir em colchões próximos a portas de varanda para aproveitar a luz natural. A escassez de energia também impacta hospitais, escolas e pequenas empresas, que dependem de eletricidade para operar equipamentos críticos.
O governo cubano atribui a crise ao bloqueio imposto por Washington, enquanto os Estados Unidos apontam para falhas na gestão econômica interna. Essa divergência de narrativas dificulta a busca por soluções consensuais e mantém a população em um estado de vulnerabilidade.
Especialistas sugerem que, para romper o ciclo de apagões, Cuba precisaria diversificar sua matriz energética, investir em fontes renováveis e negociar acordos que garantam o fornecimento de combustível. Enquanto isso, a população continua a enfrentar interrupções frequentes, que afetam a qualidade de vida e a confiança nas instituições.
Em resumo, o restabelecimento da energia elétrica neste sábado representa um passo importante, mas não resolve o problema estrutural que gera os apagões. A combinação de sanções externas, infraestrutura envelhecida e desafios de gestão aponta para a necessidade de reformas profundas e de apoio internacional que assegure o abastecimento energético de forma sustentável.








