Home / Mundo / Crianças de Gaza voltam às aulas em estruturas temporárias após quase três anos de conflito

Crianças de Gaza voltam às aulas em estruturas temporárias após quase três anos de conflito

Centenas de milhares de estudantes da Faixa de Gaza retomaram as aulas presenciais neste sábado, 19 de setembro de 2026, apesar da devastação que ainda marca a região. O retorno ocorre em meio a escolas improvisadas construídas com tendas, lonas e chapas metálicas, enquanto a infraestrutura educacional permanece em ruínas. O cenário evidencia a resiliência das comunidades palestinas diante de um conflito que já dura quase três anos.

Retorno às aulas em meio a escombros

O Ministério da Educação palestino, com apoio de organizações internacionais como o UNICEF, mobilizou recursos para criar dezenas de espaços temporários que acomodam alunos de diferentes faixas etárias. Segundo dados oficiais, cerca de 540 mil crianças deverão frequentar essas unidades ao longo do ano letivo 2026‑2027. O ensino remoto continuará disponível para aqueles que ainda não podem se deslocar ou que deixaram Gaza durante a guerra.

Autoridades educacionais estimam que aproximadamente 660 mil estudantes ficaram privados de ensino presencial desde o início das hostilidades em outubro de 2023. A interrupção forçada das aulas impactou não apenas o aprendizado, mas também a rotina diária de milhares de famílias que dependiam das escolas como ponto de apoio social.

O retorno das atividades presenciais foi marcado por cerimônias simbólicas em que professores, alunos e representantes da comunidade celebraram a volta ao ambiente escolar. Apesar da alegria, o clima ainda carrega a sombra de perdas humanas: mais de 770 profissionais da educação, incluindo 532 professores, foram mortos durante os confrontos.

Desafios das escolas improvisadas

As estruturas temporárias foram erigidas em terrenos arenosos, áreas abertas e até mesmo dentro de campamentos de deslocados. Cada unidade conta com recursos básicos, como colchões, quadros‑negros e iluminação limitada. Em muitos casos, as salas ainda são compartilhadas com famílias que buscam abrigo, o que dificulta a concentração dos alunos.

Os materiais de construção variam de acordo com a disponibilidade local:

  • Tendas de lona reforçada, resistentes à chuva e ao vento.
  • Chapas metálicas que funcionam como paredes e coberturas.
  • Madeira tratada, utilizada para montar estruturas de suporte.
  • Materiais reciclados, como pallets e caixas de papelão, que servem de mobiliário improvisado.

Apesar da criatividade na montagem, a falta de ventilação adequada e de isolamento acústico compromete o conforto dos estudantes. Além disso, a escassez de recursos didáticos – livros, computadores e laboratórios – limita as possibilidades de aprendizagem efetiva.

Organizações não‑governamentais têm fornecido kits de material escolar, mas a demanda supera em muito a oferta. A distribuição desses kits segue critérios de vulnerabilidade, priorizando crianças em situação de deslocamento interno ou que vivem em áreas mais atingidas pelos bombardeios.

Impactos psicológicos e o futuro da educação

O trauma causado pelos ataques que atingiram escolas, residências e campos de deslocados ainda reverbera nas salas de aula improvisadas. Psicólogos voluntários trabalham em conjunto com professores para oferecer apoio emocional aos alunos, utilizando técnicas de arte‑terapia e sessões de grupo.

Relatórios da ONU apontam que ataques deliberados a menores configuram uma estratégia de destruição do futuro palestino. Embora Israel negue as acusações, as evidências de uso de drones de precisão e atiradores de elite contra áreas civis aumentam a preocupação internacional.

Especialistas em educação afirmam que a continuidade do ensino, mesmo em condições precárias, é essencial para evitar uma geração de jovens sem perspectivas. A manutenção de um calendário escolar regular ajuda a reconstruir rotinas, reforçar a identidade coletiva e oferecer um espaço seguro para a expressão dos estudantes.

Além do apoio psicológico, projetos de reforço de aprendizagem foram lançados para compensar o tempo perdido. Esses projetos incluem aulas de reforço em matemática e língua portuguesa, bem como programas de alfabetização para crianças que ainda não dominam a leitura.

O futuro da educação em Gaza depende de múltiplos fatores: a estabilização do cessar‑fogo, a reconstrução de infraestruturas permanentes e a garantia de financiamento internacional sustentável. Enquanto isso, as escolas improvisadas permanecem como um símbolo de esperança e resistência.

Em suma, o retorno das aulas demonstra a determinação da sociedade palestina em preservar o direito à educação, mesmo diante de adversidades extremas. Cada criança que entra em uma tenda ou em uma sala de lona representa um ato de coragem contra a tentativa de apagar o futuro de uma população inteira.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
3:33 pm, set 21, 2026
temperature icon 27°C
Ensolarado
1010 mb
Hora
4:00 pm
temperature icon
24°/28°°C 0 mm 7% 23 Km/h 44% 1010 mb 0 cm
7:00 pm
temperature icon
24°/27°°C 0 mm 5% 15 Km/h 59% 1013 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
24°/25°°C 0 mm 8% 10 Km/h 65% 1012 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
23°/24°°C 0 mm 8% 8 Km/h 69% 1010 mb 0 cm
6:00 am
temperature icon
19°/24°°C 0.01 mm 13% 9 Km/h 65% 1012 mb 0 cm
9:00 am
temperature icon
17°/24°°C 0.01 mm 15% 6 Km/h 63% 1014 mb 0 cm
12:00 pm
temperature icon
22°/24°°C 0.02 mm 13% 11 Km/h 48% 1011 mb 0 cm
3:00 pm
temperature icon
17°/22°°C 0.58 mm 49% 9 Km/h 73% 1012 mb 0 cm