O corpo da brasileira Gabriela Querino foi encontrado na manhã de terça‑feira, 15 de outubro, nas águas da Lagoa de Veneza, na Itália. O achado ocorreu quatro dias depois da colisão entre a pequena embarcação do casal e um táxi aquático que deixou o marido, o italiano Sean Michieli, morto.
Detalhes do acidente e da busca
Na madrugada de sábado, 12 de outubro, Gabriela, de 26 anos, e seu marido, Sean, de 25 anos, saíram para pescar em uma lancha de madeira na região do canal de Tessera. O casal navegava próximo à ilha de Burano quando o barco foi atingido por um táxi aquático que trafegava a velocidade considerada excessiva para o trecho.
O impacto provocou o tombamento da embarcação de pesca, lançando os ocupantes na água. Sean foi resgatado ainda com vida, apresentando traumatismo craniano e múltiplas lesões, mas faleceu no domingo, 13 de outubro. Gabriela desapareceu imediatamente após a colisão.
As autoridades italianas iniciaram buscas intensas envolvendo mergulhadores, embarcações de apoio e helicópteros. Entre os destroços, foram recolhidos pertences pessoais de Gabriela, como documentos e um celular, o que confirmou sua presença no momento da colisão.
Na manhã de 15 de outubro, um transeunte que passeava pela ilha de Campalto avistou um corpo flutuando próximo à margem da lagoa. A descoberta foi comunicada à polícia local, que confirmou a identidade da vítima como Gabriela Querino.
Investigações e responsabilização
O motorista do táxi aquático que colidiu com a lancha está sendo investigado por homicídio náutico, crime equiparado ao homicídio culposo no trânsito italiano. Ele já foi ouvido formalmente pelos investigadores da polícia de Veneza.
Segundo a agência de notícias ANSA e o jornal Corriere della Sera, as primeiras análises apontam que o táxi poderia estar acima do limite de velocidade permitido no canal de Tessera no momento da colisão. A apuração ainda busca esclarecer a dinâmica exata do acidente, incluindo a possibilidade de falha na sinalização ou na condução da embarcação de passageiros.
Na legislação italiana, o homicídio náutico pode acarretar pena de dois a sete anos de prisão, além de multas e suspensão da habilitação marítima. Caso seja comprovada negligência grave, o motorista pode enfrentar a pena máxima prevista.
- Velocidade excessiva do táxi aquático;
- Falta de atenção ao tráfego de embarcações menores;
- Possível ausência de sinalização adequada no canal.
O prefeito de Veneza, Simone Venturini, confirmou a localização do corpo e expressou pesar pela tragédia que tem mantido a cidade em alerta nos últimos dias. Em publicação nas redes sociais, Venturini ressaltou a dor de fechar um caso tão doloroso para a comunidade local.
Repercussão familiar e comunitária
Gabriela era natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e vivia na Itália há cerca de dois anos, após ter se mudado para acompanhar o marido, que vinha de uma família tradicionalmente ligada à pesca em Veneza. O casal havia se casado em junho deste ano, em cerimônia realizada na própria cidade de Veneza, e residia na ilha de Burano.
Segundo familiares, a rotina de pesca era parte essencial da vida do casal. Gabriela estava prestes a concluir a documentação necessária para obter a habilitação náutica e, assim, atuar ao lado do marido no negócio familiar.
A família da brasileira, ainda em Ribeirão Preto, já está a caminho da Itália para prestar as últimas homenagens. Amigos e conhecidos nas redes sociais manifestaram apoio, compartilhando mensagens de condolência e lembranças da vivacidade de Gabriela.
O caso também reacendeu o debate sobre a segurança nas vias navegáveis de Veneza, onde o tráfego de táxis aquáticos tem aumentado nos últimos anos, gerando preocupação entre pescadores e moradores das ilhas. Autoridades municipais prometeram revisar os limites de velocidade e melhorar a sinalização nos canais mais movimentados.
Enquanto a investigação prossegue, a comunidade local acompanha de perto o desenrolar dos procedimentos legais. O incidente destaca a necessidade de maior rigor na fiscalização de embarcações de passageiros, sobretudo em áreas de intenso fluxo turístico.
Em memória de Gabriela, familiares e amigos organizaram um pequeno memorial na margem da Lagoa de Veneza, onde foram depositados flores, velas e uma foto da jovem sorrindo ao lado de Sean. O gesto simboliza o desejo de que a dor seja transformada em lembrança afetiva e em lições para melhorar a segurança marítima.








