A Coreia do Norte divulgou nesta terça‑feira, 20 de outubro, novas fotografias do líder Kim Jong‑un, após a propagação de boatos sobre sua suposta morte. As imagens foram publicadas pela agência estatal KCNA e mostram o ditador em visita a uma exposição de moda em Pyongyang. O objetivo foi esclarecer a situação e acalmar as especulações que circulavam nas redes sociais.
Rumores e origem das notícias falsas
Os rumores começaram a se espalhar depois que o dissidente chinês Wanjun Xie, residente nos Estados Unidos, afirmou que Kim Jong‑un teria sofrido uma hemorragia cerebral e morrido em um hospital de Pequim. Xie, que se apresenta como presidente do Partido Democrático da China, não apresentou nenhuma prova concreta para sustentar a acusação. Além disso, ele já havia divulgado informações falsas sobre a suposta morte do presidente chinês Xi Jinping, o que levanta dúvidas sobre sua credibilidade.
Essas alegações rapidamente ganharam força nas plataformas digitais, alimentando teorias da conspiração e provocando preocupação internacional. Usuários compartilharam capturas de tela de supostos documentos médicos e relatos de fontes anônimas, sem que nenhuma entidade oficial confirmasse a veracidade dos dados. A falta de fontes confiáveis fez com que a informação fosse tratada como suspeita, mas ainda assim gerasse grande repercussão.
Resposta oficial da Coreia do Norte
Em resposta ao alvoroço, a imprensa estatal norte‑coreana publicou um conjunto de fotos tiradas na segunda‑feira, 19 de outubro, durante a visita de Kim Jong‑un a uma exposição de roupas e calçados. Nas imagens, o líder aparece ao lado da esposa, Ri Sol‑ju, e da filha, Kim Ju‑ae, demonstrando tranquilidade e atividade pública.
A agência KCNA ressaltou que o líder estava “em plena saúde” e que a visita fazia parte de um programa regular de apoio à indústria nacional. O comunicado enfatizou que as imagens eram prova irrefutável de que Kim Jong‑un continua no comando do país. Essa estratégia de comunicação visa neutralizar o impacto das fake news e reafirmar a estabilidade do regime.
Impacto político e geopolítico
Os rumores sobre a morte de Kim Jong‑un têm potencial para desestabilizar a já tensa situação na península coreana. Uma mudança súbita na liderança poderia desencadear lutas internas pelo poder e afetar as negociações sobre o desarmamento nuclear. Analistas de Seul alertam que a sucessão não planejada pode elevar as tensões com os Estados Unidos e a Coreia do Sul.
Além disso, a comunidade internacional acompanha de perto a situação, pois qualquer vacilo no comando norte‑coreano pode influenciar a segurança regional. O Conselho de Segurança da ONU tem mantido sanções contra o país, e a possibilidade de um novo líder adotando políticas mais agressivas preocupa diplomatas.
- Risco de aumento das atividades militares
- Possível revisão das negociações nucleares
- Instabilidade nas relações com vizinhos
Saúde do líder e perspectivas de sucessão
Desde que assumiu o poder em 2011, Kim Jong‑un tem sido alvo de especulações sobre sua saúde. Avaliações da inteligência sul‑coreana apontam fatores de risco como obesidade, tabagismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares. Em 2020, um desaparecimento temporário de eventos públicos alimentou rumores de uma cirurgia cardiovascular.
A filha do líder, Kim Ju‑ae, de aproximadamente 13 anos, tem sido vista em um número crescente de eventos oficiais. Embora ainda não tenha sido formalmente designada como sucessora, especialistas sul‑coreanos consideram que ela pode ser preparada para assumir a liderança no futuro distante.
Para garantir a continuidade do regime, o Partido dos Trabalhadores da Coreia tem mantido um círculo fechado de confiança ao redor da família Kim. Caso a saúde de Kim Jong‑un se deteriore, o Partido poderia promover uma transição planejada, minimizando o risco de conflitos internos.
Entretanto, a falta de transparência sobre a condição física do líder dificulta a avaliação precisa de cenários futuros. Enquanto isso, a divulgação das fotos serve como um sinal de que, pelo menos no momento, o governo norte‑coreano busca preservar a imagem de estabilidade e continuidade.








