Um relatório divulgado nesta terça‑feira (15) pela Organização das Nações Unidas revelou que a possibilidade de uma terceira guerra mundial se tornou a maior preocupação entre especialistas em riscos globais. A pesquisa, realizada ao longo de 2025, analisou percepções de 1.300 profissionais de governos, organizações internacionais, empresas, universidades e sociedade civil.
O que o estudo aponta sobre a ameaça de guerra
Para 36% dos entrevistados, um conflito em larga escala poderia atingir uma parcela significativa da humanidade em até um ano. Quando o horizonte de tempo é ampliado para sete anos, esse número sobe para 76%, indicando um medo crescente de que a escalada bélica tenha efeitos duradouros.
O risco de guerra foi o único fator a aparecer entre os seis primeiros em todos os critérios avaliados: importância da ameaça, proximidade dos efeitos, interligação com outros riscos e nível de preparo institucional. Essa consistência reforça a percepção de que a comunidade internacional ainda carece de mecanismos eficazes para prevenir ou conter um conflito de grandes proporções.
Como a percepção mudou em relação a 2024
No ano anterior, as principais preocupações eram de ordem ambiental, desinformação e pandemias. Hoje, as tensões geopolíticas, os conflitos armados e o enfraquecimento do Estado de Direito ganharam posição central, deslocando os temas anteriormente dominantes.
A mudança foi observada nas sete regiões analisadas pela ONU. Em todas elas, guerra em larga escala e tensões geopolíticas figuram entre os dez maiores riscos, e em seis regiões ocupam os cinco primeiros lugares. Há dois anos, esses riscos estavam entre os cinco primeiros em apenas uma região.
- Ásia Central e Meridional – destaque para armas de destruição em massa.
- África Subsaariana – preocupação similar com armamentos avançados.
- Oceania – risco de conflito e instabilidade política.
- Ásia Oriental e Sudeste Asiático – crescente temor de crise financeira global, impactos da inteligência artificial e poder das grandes empresas de tecnologia.
Esses dados mostram que a percepção de risco está se tornando mais homogênea ao redor do planeta, indicando que crises locais podem rapidamente se transformar em ameaças globais.
Outras ameaças que ganham relevância
A inteligência artificial emergiu como um ponto de atenção em diversas regiões. Na Europa e na América do Norte, riscos ligados à tecnologia foram incluídos entre os dez principais, refletindo temores sobre uso indevido de algoritmos, vulnerabilidades cibernéticas e a capacidade de IA gerar desinformação em escala.
Apesar do destaque para a tecnologia, o relatório aponta que o sistema multilateral é considerado pouco preparado para lidar com esses desafios. A falta de normas internacionais claras e a ausência de cooperação efetiva entre Estados aumentam a vulnerabilidade diante de ameaças digitais.
As mudanças climáticas continuam entre os principais riscos, com a falta de ação contra o aquecimento global sendo apontada como a ameaça mais importante no conjunto da pesquisa. Por outro lado, pandemias e riscos biológicos deixaram de aparecer entre os dez primeiros em todas as regiões, sugerindo que a experiência recente com a Covid‑19 pode ter reduzido a percepção de vulnerabilidade nesse campo.
O relatório enfatiza que ele não constitui uma previsão, mas sim a percepção dos especialistas sobre os riscos atuais. A maioria dos entrevistados acredita que a cooperação entre governos seja a medida mais eficaz para prevenir crises, embora 86% considerem os recursos destinados à redução de riscos insuficientes.
Em síntese, o estudo da ONU sinaliza que o mundo está cada vez mais preocupado com a possibilidade de um conflito global, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade urgente de fortalecer mecanismos multilaterais, investir em tecnologia segura e acelerar a ação climática. O cenário descrito exige respostas coordenadas e investimentos estratégicos para evitar que as ameaças identificadas se tornem realidades devastadoras.








