Mais de 10 mil e quinhentos cientistas assinaram neste domingo, 25 de outubro, a carta que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização, que já conta com 13 entidades nacionais, reúne pesquisadores, docentes e estudantes em defesa da candidatura do petista, vista como a única garantia de um projeto democrático para o Brasil.
Contexto e motivação da iniciativa
A carta de apoio surge em um momento de intensas disputas políticas, com o candidato opositor Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, na corrida pelo Planalto. Os signatários alertam para o risco de um retrocesso científico caso a oposição vença, destacando o perigo do negacionismo e do desmonte institucional da pesquisa no país.
Para os acadêmicos, a ciência não é apenas um campo de estudo, mas um pilar essencial para a soberania nacional. Eles argumentam que investimentos em ciência e tecnologia são fundamentais para que o Brasil possa enfrentar desafios como as mudanças climáticas, a inteligência artificial, a saúde pública e a transformação do mercado de trabalho.
Quem está por trás da carta
O movimento conta com a participação de 13 entidades que representam diferentes segmentos da comunidade acadêmica. Cada uma delas traz consigo um histórico de luta por melhores condições de ensino, pesquisa e extensão, reforçando a importância de um apoio coletivo ao candidato que, segundo eles, melhor protege a agenda científica.
- ABC – Academia Brasileira de Ciências
- ABRUEM – Associação Brasileira das Reitoras e Reitores das Universidades Estaduais e Municipais
- ANPG – Associação Nacional de Pós‑Graduandos
- ANDIFES – Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior
- CONIF – Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica
- FASUBRA – Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico‑Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil
- PROIFES – Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições de Ensino Superior e Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
- Fórum C&T – Fórum das Entidades Representativas das Servidoras e Servidores das Carreiras de Ciência e Tecnologia
- IBRACHICS – Instituto Brasileiro de Ciências Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis
- UBES – União Brasileira de Estudantes Secundaristas
- UNE – União Nacional de Estudantes
- SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
- ANDES‑SN – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior
A diversidade dessas organizações demonstra que a preocupação vai além de um único segmento, abrangendo desde professores universitários até estudantes do ensino médio.
Principais argumentos do manifesto
O documento enfatiza que o apoio a Lula não equivale a um endosso irrestrito à sua gestão atual. Os cientistas ressaltam que a autonomia crítica da academia deve ser preservada, permitindo que a comunidade acadêmica critique políticas quando necessário, sem perder de vista o objetivo maior de garantir um futuro científico sólido.
Entre os pontos críticos, o manifesto destaca a necessidade de:
- Fortalecer o financiamento de pesquisas básicas e aplicadas;
- Garantir a liberdade acadêmica e a proteção contra intervenções políticas;
- Manter e ampliar programas de bolsas de estudo e incentivos à pós‑graduação;
- Promover a integração entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo.
Essas demandas são apresentadas como essenciais para que o Brasil possa competir em escala global, especialmente em áreas estratégicas como energia renovável, biotecnologia e computação quântica.
Repercussão e expectativas para o segundo turno
Analistas políticos apontam que a adesão de mais de 10 mil cientistas pode influenciar eleitores indecisos, sobretudo aqueles que valorizam políticas públicas baseadas em evidências. A presença de figuras reconhecidas da comunidade científica nas campanhas pode ainda gerar debates mais aprofundados sobre o papel da ciência na agenda governamental.
Entretanto, os organizadores deixam claro que o apoio não é incondicional. Eles afirmam que continuarão a monitorar as ações do governo, cobrando transparência, investimentos contínuos e respeito à autonomia institucional.
Com a eleição marcada para o próximo domingo, a expectativa é que a mobilização continue crescendo, tanto em número de assinaturas quanto em visibilidade nas redes sociais e na imprensa. O objetivo final é garantir que a ciência permaneça como prioridade nas políticas públicas, independentemente do resultado eleitoral.








