Anthony Garotinho, do partido Republicanos, mantém sua candidatura à governadoria do Rio de Janeiro e, segundo levantamento divulgado em 8 de setembro, influencia diretamente a corrida de Eduardo Paes, do PSD. O estudo da Paraná Pesquisas, realizado entre 5 e 7 de setembro, mostra que a presença de Garotinho reduz a probabilidade de Paes vencer no primeiro turno.
Impacto imediato dos números
Quando Garotinho está incluído na pesquisa, Paes registra 43,5% das intenções de voto. Sem a presença do ex-governador, esse percentual sobe para 47,4%, indicando que a candidatura dele pode empurrar a disputa para um segundo turno.
Douglas Ruas, do PL, que ocupa a segunda posição, também sente o efeito, mas de forma menor: ele passa de 20,3% para 22,7% quando Garotinho é excluído da simulação. A margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Por que Garotinho atrapalha Paes?
Desde o início da campanha, Garotinho tem sido visto como um obstáculo para Paes. Os ataques constantes nas redes sociais do ex-prefeito criam um clima de polarização que, segundo analistas, desvia eleitores indecisos que poderiam favorecer Paes.
Além disso, a presença de Garotinho fragmenta o eleitorado de centro‑esquerda e centro‑direita, impedindo que Paes consolide uma base maior. O efeito de “corte” é perceptível nos dados: a diferença de quase quatro pontos percentuais entre os cenários com e sem Garotinho indica que ele funciona como um divisor de votos.
- Garotinho eleva a disputa para o segundo turno;
- Paes perde aproximadamente 4% de apoio quando Garotinho está na corrida;
- Ruas ganha cerca de 2% a menos, mas ainda se beneficia da ausência de Garotinho.
Contexto legal da candidatura de Garotinho
O Ministério Público Eleitoral questiona a elegibilidade de Garotinho. O ex-governador tem seus direitos políticos suspensos por oito anos, consequência de uma condenação transitada em julgado por improbidade administrativa.
Apesar da contestação, o registro da candidatura foi protocolado na Justiça Eleitoral sob o número RJ-01671/2026. Caso a decisão final seja desfavorável, Garotinho pode ser impedido de concorrer, o que alteraria drasticamente o cenário eleitoral.
Repercussões para a estratégia de campanha
Os estrategistas de Paes precisam adaptar seus discursos e alianças caso Garotinho seja mantido no pleito. Uma possibilidade é reforçar a mensagem de estabilidade e experiência, destacando os projetos concluídos durante a gestão municipal.
Por outro lado, a equipe de Ruas pode buscar atrair eleitores que consideram Garotinho um candidato “problemático”, oferecendo uma alternativa mais centrada e menos conflituosa.
O levantamento também evidencia que, em agosto, Ruas alcançava 15,5% das intenções de voto, mas no cenário atual com Garotinho ele chega a 20,3%, mostrando um crescimento significativo de quase 5 pontos percentuais.
Já Paes registrou uma leve queda de 44,5% em agosto para 43,5% no novo levantamento, dentro da margem de erro, mas sinalizando a necessidade de reforçar a base de apoio.
O que esperar das próximas semanas
Com a proximidade do prazo de registro das candidaturas e a continuidade das investigações do Ministério Público, o cenário pode mudar rapidamente. Se Garotinho for impedido, Paes poderá contar com um aumento natural de apoio, possivelmente ultrapassando os 50% no primeiro turno.
Entretanto, caso a candidatura seja confirmada, a estratégia de Paes deverá focar em neutralizar os ataques de Garotinho e buscar alianças com lideranças locais que possam mitigar a fragmentação do eleitorado.
Os analistas ressaltam que, independentemente do resultado das questões judiciais, a campanha de Paes tem que se concentrar em temas como segurança pública, mobilidade urbana e gestão fiscal, assuntos que tradicionalmente mobilizam eleitores no Rio de Janeiro.
Em resumo, a presença de Garotinho na corrida cria um efeito dominó que pode transformar a disputa em um embate de três candidatos, aumentando a probabilidade de um segundo turno e exigindo ajustes estratégicos de todos os envolvidos.








