Na quinta‑feira, 24 de setembro de 2026, comitivas de diversos países abandonaram o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque antes da fala do primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu. A saída em massa foi interpretada como protesto contra a política de Israel em relação a Gaza e ao conflito com a Palestina.
Motivações do protesto
Os diplomatas que deixaram o salão o fizeram como forma de condenar as ações militares de Israel em Gaza, que têm causado milhares de vítimas civis. Muitos desses representantes citaram a falta de progresso nas negociações de paz como razão central da demonstração.
Além da questão humanitária, há críticas ao que os países consideram uma retórica agressiva por parte do governo israelense. O discurso de Netanyahu, que costuma enfatizar a segurança nacional, foi percebido como insensível ao sofrimento palestino.
Algumas delegações também protestaram contra a percepção de que a ONU tem sido incapaz de mediar um cessar‑fogo efetivo. Essa frustração se acumula desde a escalada do conflito em 2023, quando o Hamas lançou ataques que desencadearam a campanha militar de Israel.
O Brasil, que enviou uma comitiva de alto nível, optou por deixar o plenário antes da fala do premiê israelense. A decisão brasileira foi justificada como “um ato de solidariedade ao povo palestino”.
Outros países que se retiraram incluíram:
- Argentina
- Chile
- Canadá
- França
- África do Sul
Essas nações apresentaram comunicados oficiais apontando violações de direitos humanos como principal motivação. A lista demonstra que o descontentamento não se restringe a uma região específica.
Reações no plenário
Enquanto as comitivas se retiravam, Benjamin Netanyahu já ocupava o púlpito e chamou os que deixavam o salão de “covardes morais”. A acusação gerou vaias e gritos de “Palestina Livre” entre os presentes.
Diplomatas dos Estados Unidos e de Israel permaneceram no recinto, aplaudindo o discurso do primeiro‑ministro. O apoio dos EUA reforça a aliança estratégica entre Washington e Jerusalém.
Alguns participantes nas galerias superiores também levantaram cartazes e entoaram slogans em apoio à causa palestina. A atmosfera tornou‑se tensa, com sons de vaias intercalados pelos aplausos dos aliados de Israel.
Os organizadores da sessão da Assembleia Geral emitiram um comunicado lembrando que a retirada de delegações não impede a continuidade dos trabalhos. Contudo, eles reconheceram que o ato simboliza “um forte descontentamento” com a situação atual.
Especialistas em relações internacionais apontam que a reação de Netanyahu pode intensificar a polarização dentro da ONU. A retórica acusatória pode dificultar ainda mais a construção de consensos.
Observadores da mídia internacional destacaram que a cobertura ao vivo do evento amplificou o impacto do protesto. Redes sociais retransmitiram trechos das vaias, gerando debates globais sobre a legitimidade das manifestações dentro de fóruns multilaterais.
Histórico de saídas como forma de manifestação
A retirada de delegações do plenário da ONU não é novidade. Em 2024, durante a campanha de Israel contra Gaza, várias nações também abandonaram a sessão como forma de protesto.
Naquela ocasião, a decisão foi tomada após a votação de resoluções que condenavam a ação militar israelense. As saídas serviram como símbolo de rejeição às políticas adotadas por Tel Aviv.
Em 2022, diplomatas de países latino‑americanos deixaram o plenário em protesto contra a decisão da Corte Internacional de Justiça sobre a legalidade do bloqueio de Gaza. O ato foi visto como demonstração de solidariedade ao povo palestino.
Esses episódios revelam um padrão de uso do espaço físico da ONU para expressar descontentamento. A prática tem sido considerada “um protesto pacífico, porém contundente”, segundo analistas de direito internacional.
Além das retiradas, outras formas de protesto incluem a interrupção de discursos, a ocupação de corredores e a apresentação de documentos de denúncia. Cada método busca chamar a atenção da comunidade global para questões específicas.
O caso de 2026 destaca a continuidade desse método de pressão política. A presença de mais de dez países que deixaram o plenário evidencia a amplitude do repúdio à postura de Netanyahu naquele dia.
Em conclusão, a saída das comitivas antes do discurso de Benjamin Netanyahu reforça a importância da diplomacia de protesto dentro da ONU. Embora não altere imediatamente as políticas em vigor, o gesto evidencia a insatisfação internacional e pode influenciar futuras negociações de paz.








