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China avança na produção de frango e pode virar concorrente do Brasil nas exportações

No primeiro semestre de 2026, a China registrou um crescimento de mais de 9 % na produção de carne de frango, enquanto continuava sendo um dos principais compradores da proteína brasileira. O aumento da oferta interna e a expansão das exportações chinesas levantam a possibilidade de que o país passe de cliente para concorrente direto do Brasil nos mercados internacionais.

Crescimento da produção chinesa e perfil de consumo

De acordo com o Rabobank, a produção de carne de frango na China avançou 9,2 % entre janeiro e junho de 2026, superando o crescimento de 7 % observado em 2025. Esse ritmo acelerado indica que a capacidade produtiva chinesa está se expandindo mais rápido que o consumo interno.

O consumo doméstico chinês, porém, concentra‑se em cortes específicos, como coxas, asas e pés de frango, que são tradicionalmente utilizados em sopas, petiscos e pratos regionais. O peito de frango, mais valorizado no ocidente, ainda representa uma parcela pequena da demanda interna chinesa.

Essa diferença de preferência cria um excedente de cortes menos procurados localmente, que pode ser canalizado para a exportação. Assim, a China tem conseguido transformar o que antes era considerado subproduto em uma oportunidade de negócios.

Exportações chinesas ganham força

Entre janeiro e setembro de 2026, a China exportou 546 mil toneladas de carne de frango, um aumento de 51 % em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do USDA. Deste total, 257,1 mil toneladas foram de peito de frango, representando 63,3 % do volume exportado.

Os embarques de peito de frango cresceram 59,6 % nos primeiros cinco meses de 2026 quando comparados com 2025. Essa expansão reflete a estratégia chinesa de diversificar os destinos de exportação, passando de produtos processados para carne in natura.

Os principais destinos das exportações chinesas incluem:

  • África Ocidental, onde a demanda por proteína animal está em alta.
  • Oriente Médio, especialmente países que buscam alternativas ao frango brasileiro.
  • Algumas nações da América Latina que ainda dependem de importações de carne avícola.

Embora a China tenha mantido a posição de maior comprador brasileiro nos meses de fevereiro a agosto de 2026, em setembro ficou em terceiro lugar, atrás dos Emirados Árabes Unidos (45,9 mil toneladas) e da União Europeia (43,5 mil toneladas).

Impactos para o Brasil e perspectivas futuras

O Brasil continuou sendo o líder absoluto nas exportações globais de frango, enviando cerca de 5,3 milhões de toneladas em 2025, volume cinco vezes maior que o total chinês naquele ano. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 420,4 mil toneladas para a China, gerando US$ 1,15 bilhão em receitas.

Especialistas do Rabobank alertam que a China pode se tornar uma concorrente relevante nos mercados do Oriente Médio, Ásia e África, onde a demanda por cortes específicos está em expansão. Chenjun Pan, analista de proteínas animais, destaca que a competitividade chinesa deve intensificar a disputa por contratos de fornecimento.

Por outro lado, Ricardo Santin, presidente da ABPA, argumenta que as restrições sanitárias ainda limitam o acesso da carne chinesa a mercados exigentes, como a União Europeia, Japão e Coreia do Sul. Essas barreiras podem preservar parte da quota brasileira nesses destinos.

Além das normas fitossanitárias, a reputação de qualidade e rastreabilidade do frango brasileiro continua sendo um diferencial importante. Os consumidores de países desenvolvidos ainda preferem fornecedores com histórico comprovado de segurança alimentar.

Entretanto, a tendência de diversificação dos compradores chineses pode forçar o Brasil a buscar novos mercados ou a investir em diferenciação de produtos. Estratégias como o desenvolvimento de cortes premium, certificações de bem‑estar animal e embalagens sustentáveis podem ser essenciais para manter a competitividade.

Em termos de volume, a China ainda está longe de alcançar a escala brasileira. Enquanto o Brasil exporta mais de 5 milhões de toneladas anualmente, a China mal ultrapassa a marca de 1 milhão. Contudo, o ritmo de crescimento chinês sugere que a diferença pode se reduzir nos próximos cinco a dez anos.

Para o produtor brasileiro, a mensagem principal é de atenção e adaptação. Acompanhar as mudanças de consumo na China, investir em tecnologia de produção e fortalecer a presença em mercados emergentes são passos recomendados por analistas do setor.

Em resumo, a China está se transformando de grande compradora de frango brasileiro em potencial concorrente nos mercados internacionais. O cenário traz desafios, mas também abre oportunidades para que o Brasil inove, diversifique sua oferta e consolide sua posição de liderança global.

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