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Chefs refugiados trazem sabores do mundo para alunos da Escola Jorge Amado em Guarulhos

Na Escola Municipal Jorge Amado, no Jardim Presidente Dutra, em Guarulhos, chefs refugiados da Venezuela, Irã e Uganda conduziram oficinas de culinária para crianças de 6 a 10 anos. O projeto, realizado nos dias 27 a 29 de outubro, trouxe receitas típicas e histórias culturais ao ambiente escolar.

Cozinha como sala de aula multicultural

Ao transformar a cozinha da escola em um laboratório de aprendizagem, os chefs criaram um espaço onde o sabor se mistura com a história. Cada receita serviu como ponto de partida para conversar sobre tradições, festivais e modos de vida dos países de origem dos cozinheiros. As crianças, curiosas, puderam tocar ingredientes exóticos, cheirar especiarias e observar técnicas diferentes das que conhecem em casa.

O primeiro dia foi dedicado à culinária venezuelana, com o preparo de arepas recheadas. Enquanto a massa dourava na chapa, o chef contou sobre a importância da arepa nas reuniões familiares e nas festas de fim de ano. Os alunos, animados, ajudaram a montar os recheios, experimentando queijo, carne moída e abacate.

No segundo dia, a cozinha recebeu aromas de açafrão e sumagre, típicos da culinária iraniana. O chef iraniano explicou como a comida reflete a hospitalidade persa e a prática de servir chá a visitantes. Os estudantes aprenderam a fazer kebabs de lentilha e a preparar um iogurte caseiro, que será degustado ao final da aula.

O terceiro dia trouxe a energia da África Oriental, com a chef ugandesa apresentando o matoke, prato à base de banana verde cozida. Ela descreveu como a banana é cultivada em pequenos quintais e como o matoke acompanha carnes ou peixe em celebrações comunitárias. As crianças participaram do amassamento da banana e da montagem dos acompanhamentos.

A programação completa e seus benefícios

As oficinas de culinária foram apenas um dos elos de uma programação mais ampla, que incluiu 11 atividades diferentes distribuídas ao longo dos três dias. Cada atividade foi pensada para estimular diferentes habilidades, desde a criatividade artística até o pensamento crítico.

  • Leitura e contação de histórias com foco em narrativas de migração.
  • Teatro infantil e de bonecos que dramatizou situações de acolhimento.
  • Desenho e pintura de cenários culturais.
  • Fotografia e estamparia de camisetas com símbolos dos países representados.
  • Produção musical com instrumentos recicláveis, integrando sons da natureza e da cidade.

Além das experiências práticas, a escola recebeu um acervo de 500 livros, câmeras fotográficas e materiais de apoio para fortalecer a biblioteca e incentivar a leitura autônoma. Essa doação ampliou o leque de recursos disponíveis para professores e alunos, permitindo que a aprendizagem continue além das oficinas temporárias.

Os professores relataram que a integração de arte, música e culinária aumentou o engajamento dos estudantes. Quando os alunos se sentem parte de uma história maior, a motivação para participar das aulas regulares cresce. O uso de ingredientes reais como ferramentas pedagógicas também ajudou a desenvolver habilidades motoras finas e a consciência sobre a procedência dos alimentos.

Impacto e perspectivas para a rede municipal

O Instituto Brasil Solidário, com patrocínio do Instituto Motiva, planeja expandir a iniciativa para 157 escolas da rede municipal, beneficiando mais de 63 mil estudantes. Essa escala demonstra a confiança nas metodologias que combinam cultura e educação formal.

Os resultados preliminares apontam para uma mudança de atitude nas crianças, que agora demonstram maior empatia ao ouvir relatos de deslocamento forçado. Elas também passaram a fazer perguntas sobre como ajudar vizinhos que chegam de outros países, indicando um desenvolvimento de consciência social.

A presença da Orquestra Locomotiva no encerramento reforçou a mensagem de inclusão. O grupo, formado por 20 jovens músicos, apresentou repertório que mesclava ritmos tradicionais com composições contemporâneas, mostrando que a arte pode ser ponte entre diferentes realidades.

Para o futuro, os organizadores desejam incorporar avaliações de longo prazo, acompanhando o desempenho escolar dos participantes e a percepção de pertencimento ao longo dos anos. Essa abordagem permitirá medir o impacto real das intervenções culturais na formação cidadã.

Em síntese, a experiência na Escola Jorge Amado evidencia como a culinária pode ser ferramenta poderosa de educação, promovendo inclusão, respeito à diversidade e aprendizado interdisciplinar. Ao servir pratos de três continentes, a escola não apenas alimentou corpos, mas também mentes e corações, preparando uma nova geração mais aberta e solidária.

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