A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições nacionais está repercutindo intensamente na política fluminense, reacendendo as manobras para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O movimento ganhou força nas primeiras semanas de outubro de 2024, quando os parlamentares começaram a reorganizar alianças dentro da Casa.
Reativação da candidatura de André Ceciliano
O deputado estadual reeleito André Ceciliano, filiado ao PT, retomou seu plano de disputar a chefia da Alerj após um período de espera. Durante a campanha presidencial, sua pretensão ficou em “banho-maria”, principalmente porque o governo estadual foi conquistado por Douglas Ruas, do PL. Com a mudança de clima político em Brasília, Ceciliano viu a oportunidade de avançar novamente.
Um dos pilares da nova estratégia é a reconciliação com Washington Quaquá, vice‑presidente do PT. O duelo público que os separou no passado acabou em acordo, e Quaquá agora apoia a candidatura de Ceciliano, oferecendo sua experiência diplomática e sua rede de contatos dentro da bancada.
Além do apoio interno ao PT, Ceciliano conta com seu histórico de atuação na Assembleia, onde presidiu entre 2017 e 2023. Essa experiência lhe confere credibilidade junto às correntes internas, que valorizam um líder capaz de mediar conflitos e garantir a estabilidade institucional.
O PL e a estratégia de sucessão
O Partido Liberal (PL) também está de olho no cargo, preparando um plano de sucessão que garanta a permanência de sua influência na Alerj. A vitória inesperada de Douglas Ruas ao governo estadual no primeiro turno ampliou a bancada liberal de 17 para 21 deputados, fortalecendo sua posição de negociação.
Com Ruas prestes a deixar a presidência da Assembleia para assumir o Palácio Guanabara, o PL avalia quem pode assumir a chefia legislativa. Entre os nomes cotados está o atual vice‑presidente, Guilherme Delaroli, que já conduziu a Alerj durante o afastamento de Rodrigo Bacellar (União) entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Delaroli tem experiência prática na gestão da Casa, o que o torna um candidato sólido para o PL. Sua atuação durante o período de transição foi marcada por decisões estratégicas que mantiveram a agenda legislativa em andamento, apesar das turbulências políticas.
O Centrão e possíveis brechas
Parlamentares do Centrão observam atentamente o desenrolar da disputa, avaliando se haverá espaço para uma candidatura independente. Embora seus partidos mantenham uma postura neutra, muitos deles apoiaram Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro nas campanhas recentes, o que pode facilitar acordos com o PL.
Esses parlamentares buscam alinhar-se ao futuro governo estadual sem perder a identidade partidária. Caso o PL não consiga consolidar um candidato forte, o Centrão poderia emergir como força decisiva, oferecendo apoio a um candidato de consenso ou até mesmo lançando sua própria candidatura.
- Parlamentares do Centrão que podem influenciar a disputa;
- Possibilidade de alianças com o PL;
- Impacto da decisão nas próximas eleições estaduais.
Desdobramentos e impactos para o futuro político do Rio
O resultado da eleição para a presidência da Alerj terá repercussões além da própria Casa. A liderança legislativa define a agenda de projetos de lei, fiscaliza o Executivo e influencia a distribuição de recursos estaduais. Por isso, os grupos políticos estão mobilizando suas bases para garantir a vitória de seus candidatos.
Além disso, a disputa reflete a crescente polarização entre o PT e o PL, duas forças que buscam consolidar suas bases no estado. A vitória de Lula no âmbito nacional fortalece o PT, enquanto o PL tenta capitalizar sua expansão de bancada para manter o controle institucional.
Os analistas políticos apontam que a escolha do próximo presidente da Alerj pode servir de termômetro para as próximas eleições municipais e estaduais. Um candidato que consiga articular alianças amplas poderá se tornar uma referência para futuras campanhas.
Em síntese, a vitória de Lula desencadeou uma série de movimentos estratégicos dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Enquanto o PT aposta na experiência de André Ceciliano e no apoio de Washington Quaquá, o PL prepara sua sucessão com Guilherme Delaroli. O Centrão, por sua vez, observa oportunidades para inserir sua própria influência. O cenário está aberto, e os próximos dias serão decisivos para definir quem comandará a casa legislativa mais importante do estado.








