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Brasil destaca capacidade de mulheres latino-americanas para liderar a ONU após desistência de Bachelet

Lula e o Ministério das Relações Exteriores anunciaram, nesta terça‑feira, que a América Latina tem candidatas à altura do cargo de Secretário‑Geral da ONU. A declaração chegou logo depois da ex‑presidenta chilena Michelle Bachelet retirar sua candidatura, no dia 19 de setembro, em Santiago. O Brasil reforçou, assim, seu apoio a um perfil que una paz, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

Contexto da desistência de Bachelet

A indicação de Michelle Bachelet foi feita em fevereiro passado pelo presidente chileno Gabriel Boric, contando com o apoio firme do Brasil e do México. O movimento ganhou força nas primeiras semanas, criando expectativa de uma liderança feminina para a Organização das Nações Unidas.

Entretanto, a virada política no Chile mudou o cenário. O ultradireitista José Antonio Kast, recém‑eleito presidente, retirou o apoio de seu governo à candidatura de Bachelet, alegando divergências de política externa. Essa retirada provocou a perda de apoio interno crucial e acabou por desencadear a desistência da chilena.

Na manhã de sábado, Bachelet anunciou publicamente que deixaria a corrida, citando a falta de respaldo político como principal motivo. A decisão surpreendeu a comunidade diplomática, que já havia preparado uma campanha conjunta entre Brasil e México.

Posicionamento do Brasil e expectativas para a eleição

O Itamaraty divulgou uma nota oficial destacando que a região possui mulheres “à altura” de assumir a chefia da ONU. O texto enfatiza que o Brasil continuará a buscar um candidato que esteja alinhado aos três pilares da Carta da ONU: paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

Embora ainda não tenha definido quem será o nome apoiado, o governo brasileiro descreveu o perfil desejado:

  • Comprometimento com o multilateralismo baseado no direito internacional;
  • Experiência comprovada em negociações diplomáticas;
  • Capacidade de mediar conflitos e promover o desenvolvimento sustentável.

Lula, que está em Nova York para a Assembleia Geral, deve usar seu discurso para reforçar esses princípios. Segundo interlocutores do presidente, ele adotará uma linguagem polida, enviando mensagens claras sem gerar confrontos diretos com outros chefes de Estado.

O presidente brasileiro também deve criticar, de forma sutil, certas políticas dos Estados Unidos, mas sem mencionar nomes específicos, mantendo o foco em valores universais. Essa estratégia visa preservar a unidade do bloco latino‑americano enquanto demonstra liderança diplomática.

Desafios e cenários na Assembleia Geral

A eleição do Secretário‑Geral acontece após a recomendação do Conselho de Segurança e será decidida pela Assembleia Geral. O atual mandatário, António Guterres, deixará o cargo em 31 de dezembro, após dois mandatos consecutivos.

Entre os nomes que já surgiram como favoritos está a ex‑chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues‑Birkett, que recebeu oito votos favoráveis na votação do Conselho de Segurança em agosto. No entanto, a corrida ainda está aberta, e o apoio de blocos regionais pode mudar o panorama.

Para o Brasil, o desafio é equilibrar a defesa de um candidato latino‑americano com a necessidade de manter relações equilibradas com potências globais. O discurso de Lula, portanto, buscará enfatizar a importância de um multilateralismo inclusivo, que respeite a soberania dos Estados e promova a cooperação em questões como mudança climática e segurança alimentar.

Além disso, a comunidade internacional observa atentamente a postura dos países da América Latina, que têm se destacado nas negociações climáticas e nos esforços de paz. A presença de uma mulher à frente da ONU seria simbólica e estratégica, reforçando a agenda de igualdade de gênero nas instituições globais.

O Itamaraty também ressaltou que a candidatura apoiada pelo Brasil deverá ser transparente e inclusiva, evitando processos de barganha que possam comprometer a credibilidade da escolha. Essa postura reflete a intenção de fortalecer a confiança nos mecanismos da ONU, que tem enfrentado críticas nos últimos anos.

Em resumo, a retirada de Bachelet abriu espaço para que o Brasil reafirme seu compromisso com uma liderança feminina e latino‑americana na ONU. O próximo passo será a definição do candidato oficial, que será anunciado nos próximos dias, antes da votação final na Assembleia Geral.

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