Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelou que destinou recursos em dinheiro vivo para a produção de um documentário sobre Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia foi feita em junho de 2024, durante a fase de investigação da maior fraude bancária já registrada no país. Os fatos ocorreram principalmente em Brasília e nas sedes dos fundos de pensão controlados pelo PT.
A teia de poder e dinheiro
Vorcaro descreve uma rede de influências que incluía políticos, executivos de bancos e dirigentes de fundos de pensão. Ele afirma que, para garantir acesso aos recursos de fundos como o Previ e o Caixa Asset, foram realizados pagamentos “por fora”. Esses pagamentos teriam sido feitos em espécie, sem registro oficial, e distribuídos por rotas clandestinas.
Segundo o banqueiro, o esquema começou a ser estruturado em 2022, quando o então CEO do Master, Augusto Lima, recebeu a missão de abrir portas no Partido dos Trabalhadores. O contato foi intermediado por Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, que apresentou Vorcaro a João Vaccari Neto, ex‑tesoureiro do PT.
- Augusto Lima – sócio de Vorcaro e responsável pelo contato inicial.
- Jaques Wagner – mediador político.
- João Vaccari Neto – facilitador dentro do PT.
- Paulo Okamotto – diretor do Instituto Lula, responsável pela conta bancária que recebeu o dinheiro.
Os pagamentos ao Instituto Lula
Em áudio obtido pela VEJA, Vorcaro detalha que foram entregues cerca de 30 milhões de reais em notas ao Instituto Lula. O dinheiro seria destinado a cobrir despesas de um documentário filmado no exterior, cujo foco seria a trajetória de Lula. O banqueiro afirma ainda que parte do valor foi pago “por fora” ao Instituto, sem qualquer nota fiscal ou contrato.
Ele relata ainda que o mesmo método foi usado para financiar o filme “Dark Horse”, associado ao senador Flávio Bolsonaro, porém, nesse caso, o pagamento teria sido classificado como patrocínio regular, diferentemente do aporte ao documentário lulaista.
Reações políticas e consequências jurídicas
O caso ganhou repercussão nacional quando o presidente Lula, candidato à reeleição, utilizou a investigação contra Vorcaro para atacar adversários políticos. Em entrevista, Lula descreveu Vorcaro como “um mágico” que usava o dinheiro para manipular decisões nos três Poderes.
A Polícia Federal prendeu Vorcaro em março de 2024, acusando-o de liderar um esquema de fraude bancária que movimentou bilhões. Apesar das evidências apresentadas – áudios, documentos e registros de rotas de entrega – a Procuradoria‑Geral da República arquivou o caso relativo ao financiamento do documentário, alegando falta de provas concretas por se tratar de dinheiro em espécie.
A defesa de Vorcaro sustenta que há mensagens de WhatsApp, recibos de entregas e testemunhas que confirmam a existência dos pagamentos. O advogado do banqueiro pede que o Judiciário reavalie o arquivamento e que sejam abertas novas investigações.
O que falta esclarecer
Vários pontos ainda permanecem obscuros. Primeiro, o montante exato que foi destinado ao Instituto Lula e como ele foi utilizado na produção do filme. Segundo, a participação de outros membros do PT e de autoridades do Banco do Brasil na facilitação dos recursos. Terceiro, a extensão das rotas de entrega de dinheiro vivo e quem foram os intermediários.
Especialistas em direito penal apontam que, se comprovado o pagamento em espécie sem registro, há indícios claros de crime de lavagem de dinheiro e de formação de quadrilha. Por outro lado, a defesa argumenta que a ausência de documentos formais dificulta a comprovação de dolo.
Enquanto o processo judicial avança, a sociedade acompanha o desenrolar de um caso que pode redefinir os limites da relação entre poder político e grande capital no Brasil.








