Em entrevista concedida ao programa Veja em Foco, na última terça‑feira, o candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, afirmou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser submetidos a impeachment caso haja comprovação de corrupção. A declaração foi feita durante uma sabatina conduzida por Marcela Rahal, com a presença do colunista Robson Bonin e do editor José Benedito da Silva.
Cury e a proposta de impeachment
Cury deixou claro que a medida só seria adotada se fossem apresentadas provas contundentes de irregularidades. “Se se corrompeu e provou, tem de ser impichado mesmo”, disse o candidato, reforçando que todo ministro é, na sua visão, um empregado da sociedade e tem como patrão o contribuinte.
Para o psicólogo e escritor, o STF tem ocupado um espaço excessivo no debate político brasileiro. “Eu acho vergonhoso o STF ganhar tanto protagonismo”, afirmou, apontando que a Corte tem sido tratada como se fosse uma divindade, desviando a atenção de questões mais urgentes.
Ele enumerou alguns dos problemas que, segundo ele, deveriam receber prioridade nacional:
- Regularização de imóveis;
- Condições das comunidades vulneráveis;
- Qualidade da educação básica;
- Segurança pública.
Ao colocar a pauta da corrupção dos ministros em segundo plano, Cury reforçou que a perda de foco no Supremo representa uma “perda de energia” para enfrentar esses desafios estruturais.
Reforma das regras de escolha dos ministros
Se eleito, Cury promete provocar o Congresso para mudar a Constituição e acabar com a vitaliciedade dos ministros do STF. A proposta centraliza-se em estabelecer mandatos fixos de oito anos, sem possibilidade de recondução.
Além do prazo, o candidato sugeriu uma nova composição da Corte, baseada em critérios de carreira e representatividade:
- Dois terços dos ministros seriam juízes de carreira;
- Dois ou três nomes viriam do Ministério Público;
- Um único cargo seria destinado a advogados, preferencialmente com destaque na área.
Para garantir a participação das categorias profissionais, Cury propõe a criação de uma lista tríplice elaborada por representantes de cada segmento. Essa lista seria submetida ao presidente, que escolheria um dos três nomes indicados, reduzindo a interferência direta do Executivo.
Outras propostas de mudança institucional
O candidato também abordou a escolha do comando da Polícia Federal. Ele defende que delegados de classe especial elaborem uma lista tríplice, da qual o presidente escolheria apenas um nome, evitando interferências políticas sobre a corporação.
Cury ressaltou que já ministrou treinamentos de gestão da emoção para integrantes da Polícia Federal nos últimos anos, e que tem “total respeito” pela instituição.
Em relação ao equilíbrio entre os Poderes, o psicólogo destaca que o STF deve atuar de forma discreta. “Os alicerces são discretos, o STF deveria ser discreto”, afirmou, indicando que a “espetacularidade” atribuída à Corte é sintoma de forte interferência do Executivo.
Ele ainda deixou claro que não tem ambição de carreira política e que sua candidatura não tem objetivo de permanência no poder. “Sou contra a reeleição”, declarou, defendendo ainda uma mudança constitucional para limitar a permanência de presidentes no cargo.
Por fim, Cury reforçou que a proposta de impeachment não é um convite ao caos institucional, mas sim uma medida de responsabilidade e transparência. Ele concluiu que a sociedade deve ter mecanismos claros para responsabilizar quem comete atos ilícitos, independentemente do cargo ocupado.








