Uma pesquisa divulgada neste sábado, 5 de setembro, pelo instituto Focaldata para o Financial Times mostrou que a aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou para 33%. O dado foi coletado em território americano e reflete a opinião de eleitores de diferentes perfis partidários.
Desgaste da aprovação e percepção econômica
O levantamento aponta uma queda de três pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, marcando o menor nível registrado desde que o Financial Times começou a mensurar a popularidade do mandatário, em maio passado. A avaliação negativa da economia foi um dos principais motores desse declínio.
Quase dois terços dos entrevistados afirmaram que a economia dos Estados Unidos está seguindo na direção errada. Além disso, 57% dos respondentes disseram que sua situação financeira piorou desde que Trump assumiu o cargo novamente, número que subiu em relação aos 53% registrados anteriormente.
Essas percepções negativas se traduzem em preocupação com itens do cotidiano, como o preço da gasolina e dos alimentos, que continuam elevados e impactam diretamente o bolso dos americanos.
- 33% – aprovação geral de Trump;
- 57% – eleitores que sentem piora financeira;
- 72% – aprovação entre republicanos, queda de mais de dois pontos;
- 56% – desaprovação da tarifa de 50% sobre produtos canadenses;
- 7,5 pontos – vantagem dos democratas na votação genérica para o Congresso.
Mesmo dentro da base republicana, a desaprovação aumentou. Enquanto 72% ainda aprovam o presidente de forma geral, apenas 53% consideram sua atuação em empregos e economia positiva, reflexo de um desgaste mais acentuado nesses temas.
Reação à política comercial e tarifas
A política comercial de Trump também recebeu críticas intensas. A pesquisa revelou que 56% dos eleitores desaprovam a decisão de impor uma tarifa de 50% sobre cerca de 20 bilhões de dólares em produtos canadenses.
A medida provocou retaliação do Canadá, que aplicou tarifas sobre produtos americanos, gerando temores de um aumento de custos para consumidores de ambos os países. Esse cenário alimenta a percepção de que a política externa está contribuindo para a pressão inflacionária.
Para muitos eleitores, a promessa de Trump de reduzir o custo de vida parece cada vez mais distante. A dificuldade em cumprir essa agenda econômica pode ser decisiva para aqueles que esperavam mudanças rápidas após a tomada de posse.
Impactos nas eleições de meio de mandato
O resultado da pesquisa chega a menos de dois meses das eleições de meio de mandato, programadas para novembro. Nessas urnas, os americanos escolherão todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e parte do Senado.
Na chamada “votação genérica”, que mede a intenção de voto sem citar candidatos específicos, os democratas têm vantagem de 7,5 pontos percentuais sobre os republicanos, um aumento em relação aos 5 pontos observados na pesquisa anterior.
Quando questionados sobre a influência de Trump na disputa, 46% dos eleitores acreditam que a presença do presidente dificulta a vitória de candidatos republicanos, enquanto 17% pensam que ele facilita. Entre os independentes, 53% consideram que Trump torna a eleição mais complicada para a bancada republicana.
Esses números sugerem que, embora a maioria dos republicanos ainda mantenha uma avaliação positiva do presidente, a deterioração da percepção econômica pode enfraquecer a performance do partido nas próximas urnas.
Analistas apontam que a combinação de insatisfação econômica, críticas à política comercial e a percepção de que Trump não entregou a promessa de alívio no custo de vida pode gerar um efeito cascata, influenciando não apenas a votação genérica, mas também a escolha de candidatos locais.
Em resumo, a pesquisa do Focaldata evidencia um momento crítico para a administração Trump, que enfrenta pressão tanto de eleitores indecisos quanto de sua própria base partidária. O desafio de reverter a tendência negativa antes das eleições de novembro será crucial para definir o futuro político dos Estados Unidos.








