No final de novembro, Anelis Assumpção lança seu quinto álbum de estúdio, intitulado “Anelis e o favo favorito”. O disco estreia exclusivamente em vinil, com capa em tom mel, e só será disponibilizado digitalmente a partir de 30 de novembro. O lançamento acontece no Brasil, com foco no público que ainda valoriza o formato físico.
O vinil como porta de entrada
A estratégia de colocar o vinil à frente da versão digital quebra o padrão tradicional da indústria musical. Ao apostar no formato físico primeiro, a artista cria um senso de exclusividade que atrai colecionadores e fãs ávidos por novidades tangíveis. Essa escolha também reforça a identidade artesanal que permeia todo o projeto.
O vinil foi produzido em uma edição limitada, com cores que remetem ao título do álbum. A capa apresenta um tom mel que combina com a ideia de doçura e naturalidade, reforçando a metáfora do favo. Cada disco vem acompanhado de um encarte com letras, fotos e notas de produção, proporcionando uma experiência completa.
Além da estética, a qualidade sonora do vinil foi priorizada. A prensagem foi feita em um lote especial, garantindo maior fidelidade de graves e agudos, algo essencial para o ritmo do reggae. Os amantes de áudio analógico encontram, assim, um som mais quente e envolvente.
Já a versão digital será lançada em 30 de novembro, permitindo que o público que prefere streaming acesse o conteúdo em plataformas como Spotify, Apple Music e Deezer. Essa data foi escolhida para manter o impulso de divulgação gerado pelo lançamento físico. A combinação de ambos os formatos amplia o alcance da obra.
Um mergulho profundo no reggae e nas colaborações
O álbum se destaca por mergulhar ainda mais na sonoridade do reggae, gênero que já aparece em trabalhos anteriores da cantora. A produção incorpora elementos do Sound System, como batidas graves marcantes e refrões cantados em coro, criando uma atmosfera de festa ao ar livre. As letras abordam temas de amor, resistência e celebração da cultura afro-brasileira.
Um dos pontos altos do disco são as participações de artistas renomados da cena nacional. Cada convidado traz sua identidade vocal, enriquecendo o tecido musical e ampliando o leque de influências. Essa rede de colaborações reflete a vontade de Anelis de dialogar com diferentes vozes.
- Alice Carvalho
- Liniker
- Tetê Espíndola
- Thalma de Freitas
- Bento Assumpção
- Gracê Passô
- Rubi
A cantora Alice Carvalho não apenas empresta sua voz, mas também escreveu parte do texto que acompanha a edição em LP. Seu estilo poético adiciona camadas de sensibilidade ao projeto, reforçando a conexão entre música e literatura. A presença de Alice cria um elo entre o universo musical e o literário.
Liniker, conhecida por sua potência vocal e presença de palco, participa de duas faixas que exploram a energia do reggae com toques de soul. Sua interpretação traz uma carga emocional que eleva o clima das músicas. A colaboração demonstra como diferentes gêneros podem se fundir sem perder a identidade.
Tetê Espíndola, atriz e cantora, aparece em uma canção que mistura reggae com influências de MPB. Sua voz suave contrasta com os graves profundos do arranjo, gerando um efeito cativante. A participação de Tetê evidencia a versatilidade do álbum.
Thalma de Freitas, veterana da música brasileira, empresta sua experiência em um dueto que celebra a resistência cultural. Seu timbre rico combina perfeitamente com a base rítmica, criando um momento de destaque no disco. A presença de Thalma reforça a ponte entre gerações.
Além desses nomes, Bento Assumpção, filho do pai da cantora, Gracê Passô, e Rubi também aparecem, trazendo diversidade de timbres e estilos. Cada colaboração foi pensada para complementar a narrativa sonora, sem sobrepor a voz principal da artista. O resultado é um mosaico de talentos que enriquece a obra.
Produção, trajetória e expectativas
A produção musical foi coordenada pela própria Anelis Assumpção, em parceria com Curumin, Ed Trombone e Saulo Duarte. Essa equipe traz experiência em diferentes vertentes do reggae, do jazz e da música popular brasileira, garantindo um som polido e autêntico. A combinação de produtores cria um ambiente criativo onde ideias fluem livremente.
Curumin, conhecido por sua habilidade em criar grooves contagiantes, cuidou da bateria e dos arranjos rítmicos. Seu toque garante que as batidas sejam ao mesmo tempo dançantes e profundas. A presença de Curumin adiciona uma camada de profissionalismo ao projeto.
Ed Trombone, trombonista e arranjador, trouxe a riqueza dos metais ao álbum. Seu trabalho nas seções de trombone e trompete adiciona brilho e energia às faixas, reforçando a conexão com a tradição do reggae jamaicano. Os arranjos de Ed são verdadeiros pontos de destaque.
Saulo Duarte, que já colaborou em composições anteriores, participou tanto como coautor quanto como produtor executivo. Sua visão melódica ajudou a definir a estrutura das canções, equilibrando letra e melodia. Saulo também atuou na mixagem final, garantindo clareza sonora.
Anelis, ao assumir a produção, demonstra maturidade artística e controle criativo. Ela supervisionou cada etapa, desde a gravação até a masterização, assegurando que o resultado refletisse sua proposta original. Essa postura reforça sua posição como artista completa.
O álbum chega 15 anos após o primeiro trabalho solo da cantora, “Sou suspeita, estou sujeita, não sou santa”, lançado em 2011. Desde então, ela lançou “Anelis Assumpção e os amigos imaginários” (2014), “Taurina” (2018) e “Sal” (2022), consolidando uma trajetória marcada por experimentação e autenticidade. Cada disco trouxe novas facetas, culminando neste mergulho no reggae.
Os críticos já apontam que a combinação de vinil mel e reggae pode abrir novos nichos de mercado no Brasil. A expectativa é que o disco alcance tanto o público underground quanto os ouvintes de mainstream, graças à diversidade de colaboradores e à qualidade da produção. O lançamento pode servir de referência para outros artistas que buscam inovar na forma de distribuir música.
Para apoiar a divulgação, a artista anunciou uma série de shows em casas de show intimistas, além de apresentações ao ar livre que reproduzem a atmosfera de um Sound System. As datas ainda não foram divulgadas, mas prometem levar a energia do álbum a diferentes regiões do país. Essa agenda reforça o compromisso de levar o reggae a diferentes públicos.
Em resumo, “Anelis e o favo favorito” representa um marco na carreira da cantora, unindo tradição do vinil, profundidade do reggae e a força de colaborações de peso. O projeto demonstra que a música brasileira continua evoluindo, abraçando novas sonoridades sem perder suas raízes. O álbum está pronto para se tornar um clássico contemporâneo.








