Na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2022, quatro institutos de pesquisa divulgaram resultados que mostravam Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Jair Bolsonaro. As pesquisas foram publicadas no dia 29 de outubro, pouco antes da votação realizada em 30 de outubro em todo o Brasil.
Resultados divulgados pelos institutos
Os quatro levantamentos – Datafolha, Genial/Quaest, AtlasIntel e CNT/MDA – apresentaram números que variavam entre 51,1% e 53,4% de intenção de voto para Lula, enquanto Bolsonaro ficava entre 46,6% e 48,9%. Cada instituto utilizou amostras diferentes, mas todos apontaram uma vantagem numérica do petista.
Os percentuais específicos ficaram assim:
- Datafolha: 52% para Lula e 48% para Bolsonaro;
- Genial/Quaest: 52% para Lula e 48% para Bolsonaro;
- AtlasIntel: 53,4% para Lula e 46,6% para Bolsonaro;
- CNT/MDA: 51,1% para Lula e 48,9% para Bolsonaro.
Comparação com o resultado oficial
No dia 30 de outubro, quando as urnas foram fechadas, Lula foi eleito com 50,90% dos votos válidos e Bolsonaro com 49,10%, gerando uma diferença de 1,80 ponto percentual. Essa margem corresponde a aproximadamente 2,14 milhões de votos a mais para o candidato do PT.
Quando comparamos cada pesquisa ao resultado final, a CNT/MDA foi a que mais se aproximou, errando apenas 0,2 ponto percentual para cada candidato. Datafolha e Genial/Quaest apresentaram um desvio de 1,1 ponto percentual, enquanto a AtlasIntel ficou 2,5 pontos acima da votação real de Lula e 2,5 pontos abaixo da de Bolsonaro.
Metodologias, amostras e margens de erro
Apesar da convergência nas direções dos resultados, as metodologias diferiam significativamente. O Datafolha entrevistou 8.308 eleitores entre 28 e 29 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais. A Genial/Quaest ouviu 2.000 pessoas no mesmo período, também com margem de dois pontos.
A AtlasIntel realizou 7.500 entrevistas online entre 26 e 29 de outubro, adotando uma margem de erro de um ponto percentual. Por sua vez, a CNT/MDA conduziu entrevistas presenciais com 2.002 eleitores entre 26 e 28 de outubro, apresentando margem de 2,2 pontos percentuais.
Todos os levantamentos mantiveram nível de confiança de 95%, o que indica que, estatisticamente, os resultados estão dentro de um intervalo esperado para a população pesquisada.
Implicações e lições para futuras pesquisas
A disparidade entre as margens de erro e as diferenças nos percentuais demonstra a importância de analisar não apenas o número bruto, mas também o contexto da coleta de dados. A proximidade da CNT/MDA ao resultado oficial reforça que amostras menores, mas bem estruturadas, podem oferecer maior precisão.
Além disso, a variação entre as pesquisas evidencia que o período de coleta – alguns dias antes da eleição – pode capturar mudanças de humor do eleitorado que ainda não se consolidam nas urnas. Essa dinâmica é crucial para analistas políticos que buscam entender tendências de última hora.
Para os meios de comunicação, o caso serve de alerta: divulgar apenas o número absoluto sem contextualizar a margem de erro pode gerar interpretações equivocadas sobre a competitividade da corrida. A prática de apresentar as diferenças em forma de lista ou tabela, como feito aqui, ajuda o leitor a visualizar rapidamente quem esteve mais próximo da realidade.
Em termos de confiança do público, a demonstração de que as pesquisas acertaram quem seria o vencedor, ainda que com desvios nos percentuais exatos, pode reforçar a credibilidade das institutas, desde que sejam transparentes sobre suas metodologias.
Por fim, a experiência de 2022 sugere que futuros institutos devem investir em técnicas híbridas – combinando entrevistas presenciais, telefônicas e online – para reduzir vieses e melhorar a representatividade da amostra, especialmente em momentos de alta polarização política.








