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Análise da propaganda eleitoral de Lula e Flávio Bolsonaro no rádio no segundo turno

Entre os dias 8 e 15 de outubro, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram suas inserções de propaganda eleitoral gratuita nas ondas do rádio brasileiro. O levantamento do g1, baseado nas peças registradas no Tribunal Superior Eleitoral, revela como cada candidato estruturou sua mensagem no período decisivo do segundo turno.

Distribuição e volume das inserções

A propaganda no rádio se divide entre o horário eleitoral, de 10 minutos diários de segunda a sábado, e as inserções avulsas, que variam de 30 segundos a um minuto. Flávio Bolsonaro enviou 15 inserções inéditas, totalizando 1.199 palavras, enquanto Lula registrou 17 inserções, das quais 10 eram originais e 7 repetidas, somando 1.415 palavras.

Esses números mostram que a campanha de Lula investiu mais palavras por inserção, possivelmente para aprofundar argumentos e reforçar bandeiras específicas. Em contrapartida, Flávio optou por um número menor de inserções, mas manteve uma frequência que garantiu presença constante nas rádios.

Palavras‑chave e estratégias de ataque

Uma análise de frequência lexical indica que os candidatos concentraram suas mensagens em termos que reforçam identidade e ataque ao adversário. Na campanha de Flávio, as palavras mais citadas foram “Brasil” (29 vezes), “Flávio” (22) e “Lula” (18). Já Lula destacou “Lula” (23), “Flávio” (16) e “fim da escala 6×1” (15).

  • Flávio Bolsonaro: Brasil, Flávio, Lula, mudança, 22 (número de urna).
  • Lula: Lula, Flávio, fim da escala 6×1, 13 (número de urna), mudança.

Essas listas revelam que ambos os candidatos utilizam o próprio nome e o número da urna como gatilhos de lembrança, mas diferem na ênfase dos temas de campanha. Enquanto Flávio aposta no slogan “O Brasil quer mudança”, Lula enfatiza a oposição à escala 6×1 como bandeira de combate à precarização do trabalho.

Temas de campanha e mudanças de posicionamento

No primeiro turno, Lula focou no legado de seu governo, mas, após ficar atrás nas pesquisas, reorientou a estratégia para explorar o medo de uma possível volta da família Bolsonaro ao poder. Essa mudança se reflete na frequência de menções a Flávio nas inserções de Lula, alinhada à coordenação da campanha que buscou gerar temor entre eleitores indecisos.

Flávio, por sua vez, manteve o discurso de “mudança” como eixo central, tentando atrair eleitores insatisfeitos com a gestão de Lula. A campanha destacou questões cotidianas como endividamento, inflação e violência urbana, temas que já haviam sido trabalhados no primeiro turno e que mostraram eficácia nas pesquisas.

Um ponto de convergência entre as duas campanhas foi a discussão sobre a escala 6×1, promulgada em 16 de outubro. Lula posicionou‑se firmemente contra a medida, apresentando‑a como símbolo de precarização. Flávio inicialmente se opôs, mas acabou mudando de postura e votou a favor da proposta no Senado, sendo o único voto contrário o do senador Hamilton Mourão.

Essa reviravolta evidencia como a pressão política e a necessidade de alinhamento com o parlamentarismo podem influenciar decisões de campanha, mesmo quando o discurso público parece contrário.

Além das temáticas já citadas, as inserções de rádio também incluíram chamadas diretas ao eleitor, como “Vote Lula, vote 13” e “Flávio 22”, reforçando a associação entre nome e número de urna. Essa prática, comum em campanhas brasileiras, visa simplificar a escolha do eleitor na urna eletrônica.

Os dados mostram que, apesar das diferenças de tom e foco, ambas as campanhas utilizaram o rádio como ferramenta estratégica para consolidar narrativas, atacar o adversário e mobilizar eleitores nas últimas semanas antes da votação.

Em termos de eficácia, pesquisas recentes da Quaest apontam que o medo da volta da família Bolsonaro ao poder empata com o medo da reeleição de Lula, com 43% dos entrevistados citando cada um desses temores. Essa polarização sugere que as estratégias de ataque e defesa nas propagandas de rádio podem ter contribuído para a manutenção desses medos na mente do eleitor.

Por fim, a campanha de Lula manteve a consistência ao colocar a escala 6×1 como um dos pilares de sua argumentação, enquanto Flávio tentou equilibrar o discurso de mudança com a necessidade de apoio parlamentar, culminando em um voto favorável à proposta. Essa dualidade reflete a complexidade de conciliar mensagem de campanha com realidade legislativa.

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