Nos últimos quatro anos, reações alérgicas graves ceifaram quase 500 vidas em todo o Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. O aumento dos casos tem sido registrado em hospitais públicos e privados, principalmente em situações de consumo de frutos do mar e medicamentos. O panorama evidencia a urgência de políticas de prevenção e diagnóstico precoce.
Casos recentes e impacto no país
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em maio de 2024, quando um casal de Várzea Grande (MT) viajou para Alagoas. O marido, de 34 anos, consumiu siri e caranguejo apesar de saber que era alérgico a camarão. Em menos de uma hora, ele apresentou choque anafilático e faleceu.
Esse caso não foi isolado. De janeiro a junho de 2024, foram registradas 40 mortes por alergia em todo o território nacional. Desde o início de 2022, o total chegou a 499 óbitos, número que alarmou autoridades de saúde.
Os atendimentos de urgência relacionados a alergias também cresceram de forma alarmante. Em 2022, o SUS registrou 30,9 milhões de atendimentos; em 2023, esse número subiu para 44,5 milhões. Na primeira metade de 2026, já foram contabilizados 24 milhões de casos, indicando tendência de alta constante.
Entendendo a alergia e a anafilaxia
Uma alergia é a reação exagerada do sistema imunológico a substâncias normalmente inofensivas, como alimentos, ácaros, pelos de animais ou medicamentos. Quando o organismo reconhece o alérgeno como ameaça, libera histamina e outras substâncias que provocam os sintomas.
Os sinais podem variar de leves a graves. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Coceira e vermelhidão na pele;
- Inchaço de lábios, olhos ou garganta;
- Dificuldade para respirar;
- Queda repentina da pressão arterial (choque);
- Perda de consciência.
Quando a reação evolui para anafilaxia, o quadro se torna uma emergência médica que pode levar à morte em poucos minutos se não houver intervenção imediata.
Especialistas apontam que fatores como estilo de vida sedentário, estresse crônico, poluição e alterações na dieta podem atuar como gatilhos que desregulam o sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade a alergias.
Além dos fatores ambientais, a predisposição genética desempenha papel crucial. Pessoas com histórico familiar de alergias têm maior risco de desenvolver sensibilizações ao longo da vida.
Prevenção, diagnóstico e tratamento
O diagnóstico de alergia costuma iniciar com a coleta de um histórico clínico detalhado. O médico investiga episódios prévios, exposição a possíveis alérgenos e a gravidade das reações.
Exames complementares incluem:
- Teste cutâneo de puntura (prick test);
- Teste de provocação oral supervisionado em ambiente hospitalar;
- Dosagem de IgE específica no sangue.
Esses procedimentos ajudam a confirmar a hipersensibilidade e a identificar o alérgeno responsável.
Para quem já tem diagnóstico confirmado, a principal estratégia preventiva é a evicção total do alérgeno. No caso de frutos do mar, por exemplo, é fundamental ler rótulos, perguntar sobre ingredientes em restaurantes e evitar cross‑contaminação.
Além da evicção, o uso de medicamentos de emergência pode salvar vidas. Antihistamínicos aliviam sintomas leves, enquanto a adrenalina (epinefrina) em forma de auto‑injetor é o tratamento de escolha para anafilaxia.
Profissionais de saúde recomendam que pessoas com risco de anafilaxia carreguem o auto‑injetor 24 horas por dia e recebam treinamento para utilizá‑lo corretamente.
Campanhas de conscientização são essenciais para reduzir o número de mortes. Informar a população sobre sinais de alerta, ensinar a reconhecer reações graves e divulgar a importância de buscar ajuda médica imediata pode mudar o cenário atual.
O Ministério da Saúde tem sinalizado a necessidade de ampliar a distribuição de kits de adrenalina nas unidades de pronto‑atendimento e nas escolas, bem como de incluir a educação sobre alergias nos currículos de formação de profissionais de saúde.
Em síntese, o crescimento dos casos de alergias graves no Brasil requer ação coordenada entre governo, instituições de saúde e sociedade civil. Apenas com diagnóstico precoce, acesso a tratamento adequado e educação contínua será possível reverter a tendência de mortalidade.








