Na manhã de quinta‑feira, 15 de julho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), retirou da agenda a votação da PEC da Segurança Pública, após um impasse envolvendo emendas que propunham a redução da maioridade penal. A decisão foi tomada no plenário do Senado, em Brasília, e pode adiar a aprovação da medida até depois das eleições de 25 de outubro.
O impasse nas emendas sobre a maioridade penal
O ponto de partida da crise foi a apresentação, pelo senador Rogério Marinho (PL‑RN), de uma emenda que reduzia a maioridade penal de 18 para 16 anos. A proposta, alinhada à agenda da direita bolsonarista, buscava inserir um tema sensível no debate da PEC da Segurança, que já contava com apoio majoritário do governo.
Em reação, o ex‑ministro da Educação Camilo Santana, líder do PT no Senado, ofereceu outra emenda, também fixando a idade mínima em 16 anos, mas limitada a crimes hediondos. A intenção, segundo o próprio senador, era “trazer o tema à luz” de forma diferente da estratégia da oposição.
A senadora Teresa Leitão (PT‑PE), relatora da proposta e líder do governo Lula na Casa, rejeitou a emenda de Camilo Santana, reforçando a posição oficial do Partido dos Trabalhadores contra a redução da maioridade penal.
Apesar da rejeição, a emenda de Camilo Santana já havia conquistado apoio de diversos parlamentares do governo, entre eles:
- Beto Faro (PA)
- Jaques Wagner (BA)
- Rogério Carvalho (SE)
- Eliziane Gama (PSD‑MA)
- Renan Filho (MDB‑AL)
- Renan Calheiros (MDB‑AL)
- Otto Alencar (PSD‑BA)
Esse apoio interno gerou um clima de tensão dentro do PT, que historicamente se opõe à redução da maioridade penal, posição defendida inclusive pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão de Davi Alcolumbre e suas consequências
Confrontado com a disputa interna e o risco de que a PEC fosse modificada por emendas, Alcolumbre anunciou que retiraria o projeto da pauta da sessão. Em sua fala, o presidente do Senado afirmou que “estamos aguardando os entendimentos dos senadores sobre o texto e sobre a emenda” e que a medida seria “tirada de pauta” para evitar pressões externas.
A retirada da votação foi vista como uma tentativa de preservar o texto original da PEC, evitando que alterações obrigassem o retorno do projeto à Câmara dos Deputados. Caso isso acontecesse, as chances de aprovação antes do pleito eleitoral seriam drasticamente reduzidas.
O governo Lula, que contava com uma aprovação tranquila da PEC – já aprovada na Câmara – passou a enfatizar que a discussão sobre a maioridade penal deveria ocorrer em paralelo, mas sem interferir no trâmite da segurança pública.
A senadora Teresa Leitão reiterou que o governo está “dialogando” sobre a maioridade penal, mas que não cederá a “chantagem da oposição”. Ela ressaltou que a intenção é aprovar a PEC da Segurança sem emendas que comprometam seu conteúdo original.
Repercussões políticas e perspectivas para a PEC da Segurança Pública
A retirada da PEC da pauta gerou reações diversas nos corredores do Congresso. Enquanto aliados do governo temem que a medida perca o impulso antes das eleições, críticos apontam que a estratégia de Alcolumbre pode ser vista como “censura” de um tema que deveria ser debatido abertamente.
Analistas políticos destacam que a disputa sobre a maioridade penal pode se tornar um ponto de articulação entre a base governista e a bancada bolsonarista, especialmente nos estados onde a segurança pública é tema central nas campanhas eleitorais.
Para o PT, manter a PEC intacta é fundamental para preservar a agenda de segurança do governo Lula, que inclui investimentos em policiamento, tecnologia de monitoramento e programas de prevenção ao crime.
Entretanto, a oposição argumenta que a retirada da votação demonstra fragilidade do governo em lidar com questões sensíveis e pode ser usada como argumento nas próximas campanhas.
Nos próximos dias, espera‑se que o Senado volte a discutir a PEC em outra data, possivelmente após a conclusão das negociações sobre a maioridade penal. Enquanto isso, o governo Lula continua a pressionar por um consenso que permita a aprovação da proposta antes do fim do mandato legislativo.
Em síntese, a retirada da PEC da Segurança da pauta evidencia o delicado equilíbrio entre a necessidade de avançar em reformas de segurança e a pressão política gerada por temas controversos como a redução da maioridade penal. O desenrolar desses debates terá impacto direto não apenas no calendário legislativo, mas também nas estratégias eleitorais de todos os principais atores políticos do país.








