Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, iniciou sua campanha para a reeleição à presidência da Casa em 2027, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto, seja Luiz Inácio Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro. Nas últimas semanas, o senador tem percorrido Brasília, reunindo lideranças e negociando apoio nas comissões e nos gabinetes. O objetivo é consolidar uma maioria que lhe garanta a vitória na próxima eleição da Mesa Diretora.
Cenário político e estratégias de Alcolumbre
O cenário atual apresenta um PL fortalecido, com 29 cadeiras no Senado após as eleições de 2026. Alcolumbre aposta em dividir o voto interno do partido, buscando dividir o apoio entre Rogério Marinho, candidato oficial do PL, e sua própria candidatura. Essa estratégia de cisão visa impedir que o PL concentre todo o seu poder em um único candidato, ampliando as chances de Alcolumbre obter apoio cruzado de outras siglas.
Além disso, o presidente do Senado tem se posicionado ao lado de pautas prioritárias do governo Lula, como a aprovação da PEC que elimina a escala 6×1, demonstrando alinhamento com a agenda nacional. Essa postura serve tanto para garantir a boa relação com o Executivo quanto para atrair senadores que valorizam a cooperação entre os poderes.
Alianças e apoios cruciais
Para alcançar a meta de 49 votos – número que Alcolumbre considera necessário para vencer – o presidente tem buscado apoio de lideranças de partidos tradicionais. Em um movimento público, Eduardo Braga (MDB‑AM) e Otto Alencar (PSD‑BA) anunciaram apoio à sua reeleição, reforçando a ideia de uma frente ampla contra possíveis mudanças de comando.
Outras figuras importantes que já manifestaram apoio ou que são alvos de negociação incluem:
- Eduardo Gomes (PL‑TO), vice‑presidente do Senado, que pode ser indicado relator do Orçamento de 2027.
- Senadores recém‑eleitos, que buscam gabinetes e apartamentos estratégicos e podem trocar apoio por concessões logísticas.
- Líderes do MDB e do PSD, que veem em Alcolumbre a garantia de estabilidade institucional.
Essas alianças são reforçadas por acordos informais que prometem distribuição de comissões e cargos de relatoria, especialmente no âmbito da Mesa Diretora.
Desafios e projeções para 2027
Apesar da estratégia de fragmentação do voto PL, Alcolumbre enfrenta resistência interna. O próprio Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou que o partido lançará Rogério Marinho como candidato oficial, o que pode consolidar um bloco contrário ao presidente do Senado.
Além disso, a experiência de 2023, quando Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco por 49 a 32 votos, serve de alerta. Naquela ocasião, o PL ficou dois anos sem comandar comissões e sem representação na Mesa, o que motivou a mudança de postura em 2025, quando o partido apoiou Alcolumbre.
Analistas projetam duas faixas de votação para Alcolumbre: uma otimista, com 49 votos, e outra mais conservadora, com 44. A diferença depende da capacidade de Alcolumbre de garantir o apoio de senadores indecisos, sobretudo aqueles que ainda não definiram sua posição frente ao PL.
Impacto nas emendas parlamentares e no poder dos senadores
Nos bastidores, Alcolumbre é reconhecido por sua habilidade em negociar emendas e ampliar a distribuição de recursos federais aos estados. Essa prática reforça seu papel como guardião da independência do Congresso, já que controla a principal fonte de poder dos parlamentares.
Se um governo Flávio Bolsonaro assumir com o PL à frente da Casa, a preocupação dos partidos opositores é que a independência legislativa seja reduzida, limitando a capacidade dos senadores de negociar emendas. Alcolumbre, ao se posicionar como defensor das prerrogativas do Senado, tenta neutralizar esse medo e atrair apoio de senadores que temem a concentração de poder.
Além das negociações de emendas, Alcolumbre tem se dedicado a melhorar a infraestrutura para os novos senadores. Nos últimos dias, ele recebeu quase todos os deputados eleitos, oferecendo gabinetes no Anexo II, que contam com acesso direto ao estacionamento e maior privacidade. Um gabinete foi visitado 18 vezes em um único dia, sinalizando a alta demanda por espaços privilegiados.
Essas concessões logísticas são parte da estratégia de “cobertura total”: oferecer apoio material em troca de apoio político. Senadores que já ocupam gabinetes, como Jorge Kajuru (PSB‑GO), também são alvos de negociação, pois a troca de espaços pode gerar votos decisivos nas eleições internas.
Em resumo, a campanha de Alcolumbre combina alianças partidárias, negociações de recursos e promessas de benefícios logísticos para consolidar uma maioria que lhe assegure a presidência do Senado em 2027, independentemente do presidente da República.








