O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, vai promulgar nesta sexta-feira (16) a Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala 6×1, adotada em grande parte das empresas brasileiras. A cerimônia será realizada no plenário do Senado, em Brasília, e contará com a assinatura de outra emenda que garante aposentadoria diferenciada aos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.
O que muda com o fim da escala 6×1?
A PEC 221, aprovada com 75 votos a favor e apenas um contra, estabelece um período de transição de 14 meses para que as empresas ajustem a jornada dos trabalhadores. Em até 60 dias após a promulgação, a nova regra será a escala 5×2, com jornada máxima de 42 horas semanais.
Depois de um ano adicional, a carga horária será reduzida para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. O descanso remunerado obrigatório passará a ser de dois dias por semana, garantindo mais qualidade de vida aos empregados.
Essas mudanças impactam diretamente setores como comércio, indústria e serviços, que precisarão reorganizar turnos, contratar temporários ou adotar sistemas de banco de horas para cumprir a lei.
- Escala 5×2 a partir de 60 dias;
- Jornada de 42h/semana no primeiro semestre;
- Redução para 40h/semana após 12 meses;
- Descanso de dois dias consecutivos por semana.
Aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias
A mesma sessão solene também traz a PEC 14/21, que cria regras diferenciadas de aposentadoria para agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). A medida reconhece a importância desses profissionais na prevenção de doenças e no cuidado básico da população.
Para ter direito ao benefício, os agentes devem alcançar 57 anos de idade (mulheres) ou 60 anos (homens), além de comprovar 25 anos de contribuição e de efetivo exercício da atividade, seja no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) ou no Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Essas condições são mais brandas que as exigidas para a aposentadoria padrão, refletindo o desgaste físico e emocional associado ao trabalho de campo, ao contato direto com comunidades vulneráveis e à exposição a riscos sanitários.
Impactos econômicos e sociais das novas emendas
Especialistas apontam que a redução da jornada de trabalho pode gerar ganhos de produtividade, ao melhorar a saúde mental e física dos trabalhadores. Estudos internacionais mostram que jornadas mais curtas aumentam a motivação e reduzem o absenteísmo.
Por outro lado, empresas de pequeno porte temem custos adicionais com contratação de mão‑de‑obra extra ou com a necessidade de reestruturar sistemas de turnos. O governo ainda não divulgou incentivos fiscais ou linhas de crédito específicas para facilitar a adaptação.
Do ponto de vista social, a aposentadoria diferenciada para ACS e ACE representa um avanço na valorização desses profissionais, que muitas vezes são a primeira linha de defesa contra epidemias e doenças crônicas nas áreas mais carentes.
Organizações sindicais celebram as mudanças, mas ressaltam que a efetividade dependerá da fiscalização rigorosa e da capacitação das empresas para cumprir a nova legislação.
Como acompanhar a promulgação e o que esperar nos próximos meses
A cerimônia de assinatura será transmitida ao vivo pelos canais oficiais do Senado, permitindo que a população acompanhe de perto o processo. Alcolumbre convidou todos os senadores a comparecerem, destacando a importância simbólica do ato para o futuro do trabalho no Brasil.
Nos próximos 14 meses, será fundamental observar como as empresas ajustam seus contratos, como os sindicatos negociam acordos coletivos e como os órgãos de fiscalização garantirão o cumprimento das normas.
Para os agentes de saúde, a expectativa é que a nova regra de aposentadoria estimule a permanência na carreira, reduzindo a rotatividade e fortalecendo a rede de atenção básica.
Em resumo, a promulgação das duas PECs marca um marco regulatório que busca equilibrar direitos trabalhistas, saúde pública e competitividade econômica, trazendo mudanças que deverão ser sentidas tanto nas mesas de negociação quanto nas casas das famílias brasileiras.








