A companhia aérea letã AirBaltic entrou com um pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos na segunda‑feira, 14 de setembro de 2024, em Nova York. O objetivo é reestruturar suas dívidas e garantir a continuidade das operações diante da crise gerada pela guerra entre os EUA e o Irã. O processo foi apresentado voluntariamente sob o Capítulo 11 do Código de Falências americano.
Motivos e contexto da solicitação
O setor de aviação tem sido duramente atingido pelo aumento abrupto dos preços do combustível, que dobraram após o início do conflito entre Washington e Teerã. Esse salto de custos elevou a pressão sobre companhias que já operavam com margens estreitas, especialmente aquelas que ainda carregam dívidas significativas.
A AirBaltic, que possui uma frota de cerca de 50 Airbus A220‑300, acumulou aproximadamente US$ 583 milhões em dívidas vinculadas ao financiamento e ao leasing das aeronaves. Além disso, a empresa tem um débito de € 106 milhões referente a impostos sobre a folha de pagamento e taxas aeroportuárias.
Segundo o primeiro‑ministro da Letônia, Andris Kulbergs, o pedido de proteção foi desencadeado depois que credores detentores de mais de 70% da dívida optaram por liquidar a empresa ao invés de apoiar um plano de reestruturação.
Detalhes do plano de financiamento
Para sustentar as operações durante o processo judicial, a AirBaltic garantiu um compromisso de financiamento de € 350 milhões (cerca de US$ 405 milhões). O aporte foi obtido de um consórcio de instituições financeiras que inclui Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management.
Os termos do financiamento preveem juros de aproximadamente 12% ao ano e estão sujeitos à aprovação do tribunal de falências dos EUA. O capital será utilizado para cobrir custos operacionais, pagamentos de leasing e obrigações fiscais até que a reestruturação seja concluída, com previsão de término em junho de 2027.
- Strategic Value Partners
- Barclays
- Hayfin Capital Management
- Morgan Stanley
- Oaktree Capital Management
Antes da solicitação judicial, os detentores de títulos da companhia deveriam votar um plano que previa a captação de até € 257 milhões por meio de nova dívida, com vencimento em fevereiro de 2027 e taxa de juros de 25%.
Impactos operacionais e projeções futuras
Apesar do processo de proteção, a AirBaltic garantiu que seus voos continuarão operando normalmente. A empresa mantém sua base em Riga e pretende usar a reestruturação para tornar sua estrutura de capital mais sustentável, segundo Yves Schwyter, fundador da Vectus Intelligence.
O CEO Erno Hilden, que liderou a SAS durante sua própria recuperação judicial nos EUA, afirmou que a estratégia da AirBaltic será semelhante: focar na redução de custos, otimizar a frota e buscar parceiros estratégicos que possam aportar capital adicional.
O governo da Letônia, acionista majoritário da companhia, continua em busca de um investidor estratégico que possa assumir uma participação minoritária, complementando a já existente participação de 10% da Lufthansa.
Com a reestruturação, a AirBaltic espera melhorar sua liquidez e retomar o plano de expansão que previa dobrar a frota para 100 aeronaves. A meta de transformar Riga em um hub de conexões para passageiros provenientes da Rússia, Bielorrússia e Ucrânia permanece, embora a empresa tenha ajustado suas projeções de crescimento diante do cenário geopolítico incerto.
Outras companhias aéreas também enfrentam dificuldades semelhantes. A Spirit Airlines, dos EUA, entrou em falência em maio de 2024, e a AirAsia, do Sudeste Asiático, está buscando nova injeção de capital para sobreviver à mesma crise de combustível.
Analistas do setor apontam que a capacidade da AirBaltic de concluir a reestruturação até 2027 dependerá da estabilidade dos preços do combustível, da evolução das tensões entre EUA e Irã e da disposição dos credores em aceitar os novos termos de dívida.
Enquanto isso, a empresa mantém sua política de preços competitiva e continua a operar rotas que conectam a Letônia a destinos europeus e nórdicos, reforçando seu papel como porta de entrada para o mercado do Báltico.








