Na madrugada de sexta‑feira, 4 de julho, a deputada federal Duda Salabert, do PSOL‑MG, foi alvo de intimidação e agressão enquanto acompanhava um assessor em uma operação de fiscalização de extração ilegal de minério na fronteira entre Belo Horizonte e Nova Lima, Minas Gerais. O episódio, que a parlamentar classificou como tentativa de homicídio, gerou comoção nas redes e mobilizou a opinião pública. O relato detalhado foi divulgado em coletiva de imprensa realizada ainda no mesmo dia.
Contexto da fiscalização
Duda Salabert tem se destacado nos últimos anos como uma das principais vozes no combate à mineração clandestina em Minas Gerais. Como a deputada mais votada do estado, ela costuma visitar áreas de risco para documentar abusos ambientais e orientar a população local. Na manhã de 4 de julho, a parlamentar recebeu denúncias de moradores sobre a presença de máquinas de extração sem licenciamento.
Ao chegar ao local, a deputada e seu assessor, o engenheiro ambiental Felipe Gomes, perceberam a movimentação de uma retroescavadora em uma área de mata preservada. A intenção era registrar imagens e vídeos que pudessem comprovar a prática e, assim, acionar a polícia e o Ministério Público. O clima era de tensão, pois a região já era conhecida por conflitos entre garimpeiros e autoridades.
Segundo a própria Duda, a equipe percorreu cerca de cem metros até encontrar a máquina em funcionamento, quando ouviram passos e vozes que não pertenciam à equipe. A presença de homens armados, segundo o relato, indicava que a extração estava protegida por uma rede de apoio que não hesita em usar a violência para silenciar opositores.
Detalhes da agressão
O confronto ocorreu quando dois indivíduos emergiram de trás da vegetação e avançaram em direção à deputada e ao assessor. Duda descreveu a situação como um momento de puro medo: “Eu, assustada, porque já imaginava que eram capangas dos criminosos, tentei correr, mas caí”. O assessor Felipe tentou socorrer a parlamentar, mas foi também alvo de agressões físicas.
Um dos agressores teria gritado: “Pega o cano aí, pega o ferro aí”, enquanto outro apontava uma arma e ameaçava matar ambos. Duda afirmou que, naquele instante, pensou que sua vida estava em risco e que a situação configurava uma tentativa deliberada de homicídio.
Os agressores arrastaram a deputada em direção a uma cabana improvisada, mas ela conseguiu se desvencilhar e pular de um barranco, atingindo a estrada onde um carro passou e acionou o alerta de emergência. Nesse momento, os criminosos recuaram e abandonaram a cena, deixando Duda com um ombro deslocado e múltiplas contusões, enquanto Felipe ficou ferido nas costas.
Ambos foram socorridos por equipes médicas e encaminhados ao Hospital Mater Dei, onde receberam atendimento de urgência. O boletim de ocorrência registrado apontou que a região já figurava como ponto quente para furtos e extração ilegal de minério, o que reforça a ideia de uma estrutura criminosa consolidada.
Repercussões e respostas das autoridades
Após a denúncia, a polícia local enviou uma equipe ao local, mas não conseguiu identificar ou prender os responsáveis. Duda Salabert criticou a falta de ação efetiva das autoridades, ressaltando que denúncias anteriores foram frequentemente ignoradas ou arquivadas sem investigação.
Em entrevista, a deputada destacou que a impunidade alimenta a continuidade das práticas ilícitas e que a falta de resposta das forças de segurança cria um clima de impunidade que protege os criminosos. Ela também apontou a necessidade de uma política pública mais robusta e de fiscalização integrada entre polícia, Ministério Público e órgãos ambientais.
Para reforçar sua posição, Duda listou as principais demandas que considera essenciais para combater a mineração ilegal:
- Criação de uma força-tarefa permanente para monitoramento de áreas de risco;
- Ampliação de denúncias anônimas com proteção ao denunciante;
- Fiscalização rigorosa das licenças ambientais e punições exemplares;
- Investimento em tecnologia de monitoramento satelital;
- Transparência total sobre a destinação dos minérios extraídos.
Além disso, a parlamentar solicitou que o Congresso Nacional abra uma comissão de inquérito para investigar a suposta máfia da mineração e o desmonte de licenças ambientais, a fim de garantir que os recursos naturais não sejam explorados em benefício de poucos.
O panorama da mineração ilegal em Minas Gerais
O caso de Duda Salabert reflete um problema estrutural que afeta diversas regiões do estado. Segundo dados de órgãos ambientais, milhões de toneladas de minério são extraídas anualmente de forma irregular, gerando impactos ambientais graves, como desmatamento, contaminação de rios e degradação de solo.
Essas atividades são frequentemente controladas por grupos que mantêm relações próximas com políticos locais, empresários da construção civil e até mesmo com representantes de algumas prefeituras. O resultado é um ciclo de impunidade que dificulta a aplicação de medidas corretivas.
Especialistas apontam que a falta de transparência na cadeia produtiva impede a rastreabilidade do minério, o que dificulta a identificação dos beneficiários finais. Conforme a deputada ressaltou, “a pergunta é: para onde vai esse minério? Quem lucra com esse minério?”.
Para mudar esse cenário, a sociedade civil tem se mobilizado por meio de campanhas de conscientização, denúncias online e pressões sobre o poder legislativo. O relato da deputada, ao ser amplamente divulgado, tem potencial de impulsionar novas legislações e fortalecer a fiscalização.
Enquanto isso, a própria Duda Salabert continua atuando nas frentes de denúncia, registrando novas evidências e convocando audiências públicas para discutir a gravidade da situação. Seu compromisso com a causa ambiental e a defesa dos direitos das comunidades afetadas reforça a importância de representantes eleitos que não fogem diante da violência.








