Uma pesquisa realizada pelo Instituto IDEIA revelou que 71% dos brasileiros consideram a educação como fator decisivo na hora de escolher seus candidatos, refletindo a crescente importância do tema nas urnas. O levantamento, que entrevistou 20 mil pessoas com 16 anos ou mais em todo o país, foi divulgado em junho de 2024. Os resultados apontam para demandas específicas e variações regionais que podem influenciar as próximas eleições.
Prioridades dos eleitores em relação à educação
Quando questionados sobre as três principais prioridades dos governantes, 83% dos entrevistados colocaram a educação entre as mais urgentes. Entre as demandas específicas, a melhoria salarial e das condições de trabalho dos professores lidera a lista, com 53% das respostas. Em seguida, 48% dos participantes enfatizaram a necessidade de ampliar os cursos técnicos, enquanto 47% defenderam a alfabetização completa até o final do segundo ano do ensino fundamental.
Ao analisar cada proposta de forma isolada, o apoio aumenta ainda mais: 83% consideram a alfabetização prioridade absoluta dos candidatos, e 80% apoiam a expansão da formação técnica como estratégia para gerar mais oportunidades aos jovens. Esses números demonstram que, além da educação ser vista como prioridade geral, há consenso sobre medidas concretas que podem melhorar o sistema.
- Salários e condições de trabalho dos professores: 53% dos entrevistados.
- Ampliação de cursos técnicos: 48% dos entrevistados.
- Alfabetização até o 2º ano: 47% dos entrevistados.
Percepção da qualidade da educação pública nos estados
A avaliação da qualidade das escolas públicas varia significativamente entre as unidades federativas. No geral, 45% dos participantes classificam a educação pública de seus estados como ótima ou boa, mas há contrastes marcantes. Santa Catarina lidera o ranking, com 60% dos moradores satisfeitos, seguida de perto pelo Ceará, que registra 59% de aprovação.
Por outro lado, o Rio de Janeiro apresenta o menor índice, com apenas 31% de respostas positivas, enquanto Rio Grande do Norte e Roraima ficam atrás com 36% de aprovação cada. Esses dados indicam que a percepção de qualidade está fortemente ligada a fatores regionais, como investimento, infraestrutura e gestão local.
Em relação à evolução recente, quase metade dos entrevistados (49%) acredita que a qualidade das escolas públicas melhorou nos últimos quatro anos, sugerindo que algumas políticas podem estar surtindo efeito, embora ainda haja muito a ser feito.
- Santa Catarina – 60% de aprovação.
- Ceará – 59% de aprovação.
- Rio de Janeiro – 31% de aprovação.
- Rio Grande do Norte – 36% de aprovação.
- Roraima – 36% de aprovação.
Modelo de ensino em tempo integral e seu impacto
O ensino em tempo integral ganhou destaque nas discussões, com 71% dos entrevistados afirmando que já ouviram falar desse modelo. Contudo, apenas 38% se consideram bem informados sobre as políticas que o regulam, evidenciando uma lacuna de conhecimento que pode influenciar a aceitação.
A disposição para matricular filhos em escolas de tempo integral varia conforme a classe social. Enquanto 51% das famílias da classe C e 49% das classes D/E demonstram interesse, apenas 31% das famílias das classes A/B manifestam a mesma intenção. Essa diferença pode estar relacionada a percepções sobre custo, conveniência e benefícios.
Os principais benefícios apontados pelos participantes foram a possibilidade de os responsáveis trabalharem com mais tranquilidade (54%) e a expectativa de maior aprendizagem dos alunos (39%). Esses argumentos reforçam a ideia de que o modelo pode atender tanto a demandas familiares quanto a objetivos educacionais.
- 71% já ouviram falar do ensino integral.
- 38% se consideram bem informados.
- Interesse por classe social: C – 51%, D/E – 49%, A/B – 31%.
- Benefícios percebidos: tranquilidade para responsáveis (54%) e maior aprendizagem (39%).
Desafios para a formulação de políticas públicas
Especialistas apontam que transformar as prioridades identificadas em políticas efetivas será o grande desafio. Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos pela Educação, destaca que o brasileiro está atento à qualidade da educação pública e que esse tema pesa politicamente nas decisões de voto.
O levantamento contou com o apoio de diversas instituições, incluindo a Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação. Essa parceria indica que o tema tem mobilizado tanto o setor privado quanto organizações da sociedade civil, ampliando o debate sobre soluções.
Para que as demandas – como a valorização dos professores, a expansão do ensino técnico e a alfabetização precoce – se traduzam em resultados concretos, será necessário um alinhamento entre governos, legisladores e a sociedade. A pesquisa demonstra que a população espera mudanças reais, e os próximos ciclos eleitorais podem ser decisivos para o futuro da educação no Brasil.








