O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está avaliando a indicação do desembargador Ricardo Couto, atual governador interino do Rio de Janeiro, para integrar o Supremo Tribunal Federal. A possibilidade surgiu em março, após Couto assumir a gestão interina, e já circula entre os assessores do Executivo.
Contexto da indicação e histórico recente
Em abril, o advogado‑geral da União, Jorge Messias, foi proposto para o STF, mas o Senado rejeitou a nomeação, marcando uma derrota para o governo. Após esse revés, Lula reafirmou que pretende apresentar novamente um nome de confiança para a Corte.
Lula destacou que Messias é “um dos melhores advogados do país” e que a prerrogativa de indicar cabe exclusivamente ao presidente. Mesmo com a rejeição, o presidente manteve a postura de que a indicação é um ato de respeito institucional.
Agora, a atenção volta‑se para Ricardo Couto, que tem perfil técnico e pouca experiência política direta, o que pode ser visto como uma estratégia de neutralidade e profissionalismo para o STF.
Relação entre Lula e Coutou: da negociação ao apoio público
A aproximação entre os dois começou durante as tratativas do Programa de Pleno Pagamento de Dívida dos Estados (Propag), assinado em junho. Esse acordo fortaleceu o vínculo entre o governo federal e a administração estadual do Rio.
Em julho, Couto fez um discurso emocionado na Fiocruz, agradecendo ao presidente pela parceria e destacando a “sensibilidade social” de Lula. O momento reforçou a imagem de cooperação entre as lideranças.
Lula, ao assumir o microfone, elogiou Couto como “uma chance que Deus está dando a esse povo”, ressaltando a importância de governar o estado com dignidade.
Gestão de Couto no Rio: transparência e reestruturação
Desde que assumiu, Couto tem adotado uma política de “faxina” no Palácio Guanabara, reduzindo secretarias de 38 para 28 e suspendendo contratos considerados suspeitos.
Ele também exonerou mais de seis mil comissionados, muitos dos quais eram funcionários “fantasmas”. Essa medida buscou cortar gastos e melhorar a eficiência da administração pública.
- Redução de secretarias de 38 para 28;
- Suspensão de contratos irregulares;
- Exoneração de mais de 6 mil comissionados;
- Implementação de mecanismos de controle interno.
Essas ações foram amplamente divulgadas como sinal de compromisso com a ética e a responsabilidade fiscal.
Além disso, Couto tem promovido a transparência ao disponibilizar informações sobre gastos e licitações em plataformas digitais, facilitando o acesso da sociedade civil.
Popularidade e perspectivas políticas
Pesquisas recentes apontam que Couto tem boa aceitação entre os eleitores do Rio. Um levantamento da Real Time Big Data, divulgado na última quarta‑feira, mostrou que 50% dos entrevistados aprovam sua gestão.
Apesar da aprovação, a assessoria de Couto informou à VEJA que ainda não houve convite oficial para integrar o STF. A expectativa permanece alta, porém o processo ainda depende de formalizações institucionais.
Especialistas apontam que a possível indicação pode ser vista como um gesto de respeito institucional, reforçando a imagem de Lula como presidente que valoriza a meritocracia e a expertise técnica.
Se a indicação for confirmada, Couto será analisado pelo Senado, que já demonstrou ceticismo ao rejeitar a proposta de Messias. O cenário político, portanto, permanece incerto.
Em síntese, a possível nomeação de Ricardo Couto ao Supremo Tribunal Federal reflete uma confluência de fatores: a necessidade de superar a rejeição anterior, a estratégia de apresentar um perfil técnico e a manutenção de alianças políticas estratégicas entre o governo federal e o estado do Rio de Janeiro.








