A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta‑feira, 17 de junho, a Operação Faixa Amarela para investigar suspeitas de fraudes em contratos de transporte escolar da prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O ponto de partida foi a análise de mensagens encontradas em um celular apreendido durante a Operação Anáfora, realizada em junho.
Gatilho da investigação: o celular apreendido
As conversas extraídas do aparelho móvel despertaram o alerta dos investigadores, que passaram a suspeitar de um esquema de desvios envolvendo mais de R$ 62 milhões em três anos. O conteúdo das mensagens indicava a existência de um conluio entre empresários e servidores municipais, sugerindo superfaturamento de licitações e desvio de recursos públicos.
Segundo a PF, o celular pertencia a um colaborador ligado ao setor de educação, e as mensagens continham detalhes sobre valores, prazos e estratégias para burlar o processo licitatório. Essa descoberta foi o elemento decisivo para iniciar a nova fase da operação.
Contratos suspeitos e o montante envolvido
Os investigadores apontam que as irregularidades teriam início em 2020, durante a gestão do ex‑prefeito Washington Reis (MDB). O ex‑mandatário nega qualquer irregularidade, alegando que a empresa contratada venceu um pregão eletrônico regular.
O principal objeto dos contratos era o serviço de transporte escolar, fornecido pela empresa Ilhas Transporte. De acordo com a PF, os valores pagos superaram em muito o preço de mercado, configurando um possível esquema de superfaturamento.
- Valor total dos contratos: R$ 62 milhões;
- Período investigado: 2020 a 2022;
- Empresa contratada: Ilhas Transporte;
- Possíveis beneficiários: empresários ligados ao clã Reis.
Além do superfaturamento, a investigação inclui suspeitas de organização criminosa, fraude à licitação, peculato e lavagem de dinheiro, crimes que podem gerar penas severas para os envolvidos.
Reações da prefeitura e do ex‑prefeito
Em nota oficial, a Prefeitura de Duque de Caxias afirmou que todos os contratos e prorrogações foram devidamente licitados e auditados pelos tribunais de contas e demais órgãos de controle. A Procuradoria Geral do Município destacou que a busca e apreensão na Secretaria de Educação limitou‑se a um processo administrativo referente à licitação de 2019.
Washington Reis, que ainda é alvo de investigações, declarou à revista VEJA que a empresa vencedora do pregão cumpriu todas as exigências legais. Ele reforçou que a acusação de fraude é infundada e que a administração atual, liderada por Netinho Reis (MDB), sobrinho do ex‑prefeito, está comprometida com a transparência.
Netinho Reis, atual prefeito, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a operação, mas a secretaria municipal de comunicação prometeu total cooperação com as autoridades federais.
Desdobramentos da Operação Anáfora
Na terça‑feira anterior, a PF realizou um novo desdobramento da Operação Anáfora, atingindo 12 endereços no município e na capital. Entre os alvos estavam residências, empresas e a própria Secretaria de Educação de Duque de Caxias, onde foram requisitadas cópias dos contratos.
A primeira fase da Operação Anáfora, iniciada em 2022, investigou contratos da Secretaria de Saúde do mesmo município, com foco principal em Washington Reis, que na época era candidato a vice‑governador do Rio de Janeiro na chapa de Cláudio Castro (PL). A candidatura foi barrada pela Justiça Eleitoral.
Em junho, a segunda fase voltou a endereços comerciais e residenciais ligados ao clã, concentrando-se na lavagem de dinheiro. Em um dos endereços, os policiais federais apreenderam R$ 450 mil em dinheiro vivo, escondidos sob um sofá, evidenciando a gravidade das suspeitas.
As autoridades continuam analisando documentos, registros bancários e mensagens eletrônicas para mapear todo o suposto esquema. O objetivo é identificar todos os responsáveis e recuperar os recursos desviados, que podem ser revertidos para a melhoria dos serviços públicos municipais.
Com a operação em curso, a população de Duque de Caxias acompanha de perto os desdobramentos, exigindo transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos. O caso reforça a importância da fiscalização constante e do combate à corrupção em todas as esferas de governo.








