Entre a tarde de ontem e a manhã desta quinta‑feira, 17, o senador Flávio Bolsonaro percorreu os três maiores colégios eleitorais do Nordeste – Bahia, Pernambuco e Ceará – para intensificar a campanha presidencial. A agenda incluiu eventos em Vitória da Conquista, no Recife e em Fortaleza, cidades estratégicas para medir a força dos apoiadores regionais.
Bahia: alianças em Vitória da Conquista
Em Vitória da Conquista, centro político considerado menos favorável ao PT, a presença de lideranças ligadas ao ex‑prefeito ACM Neto foi marcante. Bandeiras com o número “13” do cacique baiano e imagens que mesclavam o rosto de Neto ao de Flávio Bolsonaro surgiram em todo o entorno do comício.
Entre os nomes que compareceram, destacam‑se:
- João Roma (PL‑BA), ex‑ministro da Cidadania e candidato ao Senado pela chapa de ACM Neto;
- Representantes de organizações civis que apoiam a agenda de segurança pública.
Embora ACM Neto tenha declarado apoio oficial ao candidato Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência, a associação visual com Flávio Bolsonaro alimenta a percepção de que o ex‑governador está alinhado ao bolsonarismo. A equipe de Neto, ao responder à VEJA, enfatizou que bandeiras de diversos presidenciáveis circulam no estado, inclusive as do atual presidente Lula.
Pernambuco: tensões no Recife
No Recife, a noite de quarta‑feira, 16, foi marcada por confrontos simbólicos entre apoiadores da governadora Raquel Lyra (PSD) e militantes de Flávio Bolsonaro. Enquanto a governadora mantém postura independente, recusando apoio explícito a qualquer candidato presidencial, a presença de figuras como o deputado Mendonça Filho (PL) e o vereador Eduardo Moura (Novo) sinalizou uma afinidade latente com o senador.
O evento ocorreu em um espaço estreito do bairro histórico, onde bandeiras roxas, cor associada à campanha de Lyra, foram substituídas por faixas que traziam o número 22, referência ao número de Flávio. Em resposta, Flávio declarou:
“Presidente é 22, Mendonça Filho é 222, o outro senador, Carlos Sant’Anna, é 300. Para governador, fiquem à vontade. Eu não posso falar aqui, porque meu palanque aqui é Mendonça Filho.”
A equipe da governadora informou que duas pessoas foram detidas sob suspeita de furtar materiais de campanha para serem usados no ato de Flávio. A Coligação Pernambuco de Coração registrou duas notícias‑crime na Polícia Federal, alegando tentativa de infiltração de “falsos militantes”.
Ceará: apoio cruzado a Ciro Gomes
Em Fortaleza, capital do terceiro maior colégio eleitoral da região, a dinâmica foi diferente, mas igualmente carregada de simbolismo político. A chapa de Ciro Gomes (PSDB), ex‑governador e ex‑ministro, incluiu o pastor Alcides Fernandes (PL) como candidato ao Senado, reforçando a presença de lideranças do PL no evento.
Alcides Fernandes e seu filho, o deputado André Fernandes (PL‑CE), presidente do PL cearense, participaram ativamente, exibindo faixas que combinavam as cores da campanha de Ciro com referências ao número 13, associado a Flávio Bolsonaro.
O cenário revelou a complexidade das alianças no Nordeste, onde figuras tradicionais do centro‑direita e do centro‑esquerda buscam convergir apoio em torno de lideranças distintas, ao mesmo tempo em que mantêm estratégias regionais de negociação.
Os três eventos demonstram como a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro está sendo utilizada como ferramenta de pressão sobre governadores e candidatos estaduais que ainda não declararam apoio formal. Ao mesmo tempo, os aliados regionais aproveitam a presença do senador para reforçar suas próprias bases eleitorais, criando uma rede de reciprocidade que pode se estender até 2027.
Em síntese, a viagem ao Nordeste serviu tanto para medir a receptividade dos eleitores quanto para sinalizar ao establishment político que a disputa presidencial está cada vez mais entrelaçada com as disputas estaduais. O futuro próximo reservará novos encontros, negociações e, possivelmente, mais episódios de confrontos simbólicos nas urnas.








