Em 16 de maio de 2024, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou o bloqueio de duas empresas que realizaram milhões de ligações fraudulentas com identificador falsificado, conhecidas como spoofing, em todo o território brasileiro.
A medida faz parte de uma série de despachos que visam rastrear e impedir a prática, que tem causado prejuízos a consumidores e dificultado a confiança nas telecomunicações.
Entenda o spoofing e seus impactos
O spoofing consiste em alterar o número exibido no identificador de chamadas, mascarando a origem real da ligação. Essa técnica permite que golpistas se passem por instituições confiáveis, como bancos ou empresas de telefonia.
Quando o número exibido parece legítimo, a vítima tem mais chances de atender e fornecer informações pessoais ou financeiras. O resultado costuma ser o aumento de fraudes, golpes de engenharia social e perdas financeiras.
Além do dano direto ao consumidor, o spoofing compromete a credibilidade das operadoras, pois chamadas suspeitas podem ser confundidas com serviços legítimos.
- Perda de confiança nas chamadas recebidas;
- Aumento de golpes de engenharia social;
- Prejuízos financeiros para usuários e empresas;
- Pressão regulatória para aprimorar sistemas de segurança.
Medidas adotadas pela Anatel
A Anatel emitiu seis despachos que determinam ações específicas para conter o spoofing. Entre as principais, está a exigência de relatórios detalhados sobre chamadas suspeitas, contendo dados cadastrais e rotas utilizadas.
Outra medida crucial foi a imposição de bloqueios temporários ou indefinidos a empresas que comprovadamente enviaram chamadas com identificador falsificado.
Além disso, a agência incentivou a adoção dos protocolos STIR/SHAKEN, que permitem validar a autenticidade do identificador de chamadas em tempo real.
Essas ações são complementadas por auditorias periódicas e pela coleta de amostras de tráfego em horários críticos, para identificar padrões de fraude.
Empresas bloqueadas e números envolvidos
A primeira empresa sancionada foi a Elo Contact Center Serviços S.A., que enviou 1.758.179 chamadas spoofed através da rede da TIM. O bloqueio tem validade de um mês, permitindo que a empresa corrija suas práticas.
A segunda empresa, Voros Telecomunicações S/A, teve suas chamadas barradas sem prazo definido, pois operava de forma clandestina no setor. Foram identificadas 2.600.527 ligações fraudulentas, encaminhadas por redes da Algar, Surf, Datora e Foco Telecom.
Além dos bloqueios, a Anatel solicitou a produção de relatórios sobre 199 milhões de chamadas realizadas por TIM, Surf Telecom, Algar e Itelco, com foco em chamadas vindas do exterior via US Matrix.
Esses números são apenas uma fração do total estimado, já que a amostragem considerou apenas uma hora por semana em rotas com 90% ou mais de chamadas suspeitas. A agência alerta que o cenário real pode ser muito mais grave.
Próximos passos e expectativas
Com os relatórios em mãos, a Anatel pretende identificar os verdadeiros originadores das chamadas e aplicar novos bloqueios, caso necessário. O objetivo é reduzir drasticamente o volume de spoofing no Brasil.
Operadoras como a Algar já declararam que estão analisando tecnicamente os despachos para adotar as providências cabíveis, reforçando seu compromisso com a segurança da informação.
Especialistas apontam que a implantação dos protocolos STIR/SHAKEN será fundamental para garantir a autenticidade dos identificadores, reduzindo a vulnerabilidade do sistema SS7 antigo.
Enquanto isso, consumidores são orientados a desconfiar de chamadas que solicitam dados sensíveis e a confirmar a identidade do interlocutor por outros canais antes de fornecer informações.

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