Na manhã desta quinta‑feira, 17 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ministro André Mendonça utilizou o cargo para fazer política e defendeu a divulgação das mensagens extraídas do celular do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi feita em entrevista à rádio Itatiaia, em Brasília, e gerou amplo debate sobre a condução do caso Master no Supremo Tribunal Federal.
Acusações de Lula contra André Mendonça
Lula descreveu a atuação de Mendonça como “denúncia seletiva” e “uso do cargo para fins políticos”. Segundo o presidente, o ministro teria aproveitado a posição de relator do caso Master para direcionar informações que lhe fossem favoráveis e prejudicar adversários políticos.
O presidente ressaltou que a revelação do conteúdo do celular de Vorcaro, que esteve sob a custódia de Mendonça, pode “render muito na política”. Para Lula, a transparência dos dados é essencial para que a população conheça a verdade dos fatos.
Em suas palavras, “se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia”. O presidente pediu que os processos envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, o presidente do TSE e outras autoridades sejam analisados simultaneamente, evitando decisões parciais antes das eleições.
Contexto da investigação do caso Master
O caso Master ganhou destaque nacional ao envolver supostas irregularidades em operações financeiras do Banco Master. Em fevereiro, André Mendonça assumiu a relatoria das investigações após a saída de Dias Toffoli.
Em 14 de maio, a Polícia Federal informou que entregou cópias dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro aos gabinetes de três ministros do STF: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O aparelho foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero.
- Alexandre de Moraes
- Cristiano Zanin
- Gilmar Mendes
O relatório da PF continha 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes, o que suscitou suspeitas de contato indevido entre o ex‑banqueiro e o ministro. Essas mensagens foram usadas por Mendonça para solicitar uma investigação mais aprofundada sobre Moraes.
Além das mensagens, o aparelho continha conversas que, segundo a PF, poderiam comprovar tentativa de interferência política nas decisões judiciais. O presidente Lula destacou que o STF já dispõe de todo o material necessário para esclarecer o caso.
Reações de ministros e da Polícia Federal
O ministro Flávio Dino, ao identificar indícios de ligação de Vorcaro com uma nova concessionária de cemitérios, encaminhou as informações à Polícia Federal para aprofundamento das investigações. No mesmo dia, a PF intimou Daniel Vorcaro e seu pai para prestar depoimento.
André Mendonça, ao ser questionado publicamente, afirmou que não tem “nada a temer” e que já esperava sofrer represálias. O ministro negou qualquer irregularidade e descartou a ideia de motivação política em suas decisões.
Em meio à tensão, o presidente em exercício da Corte, Edson Fachin, cancelou uma sessão e adiou o julgamento relacionado a Mendonça. A medida foi vista como tentativa de reduzir o clima de crise institucional.
O ministro Alexandre de Moraes, alvo de acusações, ainda não se manifestou oficialmente sobre as mensagens divulgadas. Contudo, o presidente Lula enfatizou que a Corte deve ser respeitada e que a transparência é fundamental para a legitimação das decisões.
Implicações políticas e pedidos de transparência
Lula reiterou que os fatos em apuração devem ser esclarecidos de forma transparente, sem interferências externas. O presidente afirmou que “todo mundo agora já tem material, é só tornar público” e que a população tem direito de conhecer os detalhes.
O presidente também alertou contra julgamentos antecipados antes das eleições, defendendo que todos os envolvidos sejam avaliados no mesmo momento. Essa postura visa evitar que decisões judiciais sejam usadas como ferramenta de campanha.
Além das questões judiciais, o caso Master tem potencial para impactar o cenário político nacional. A divulgação das mensagens pode influenciar a percepção da sociedade sobre a integridade dos ministros e a atuação do STF.
Especialistas em direito constitucional apontam que o tratamento igualitário dos processos é essencial para preservar a credibilidade da Suprema Corte. Eles recomendam que o STF estabeleça um calendário unificado para a análise de todos os casos relacionados ao escândalo.
Por fim, a imprensa tem acompanhado de perto os desdobramentos, destacando a importância de um debate público informado. A expectativa é que, nos próximos dias, novas peças do quebra‑cabeça sejam reveladas, contribuindo para o esclarecimento completo do caso Master.








