Uma pesquisa divulgada na manhã de 17 de setembro revelou como os eleitores brasileiros percebem a participação de grupos políticos no esquema de fraudes financeiras do Banco Master. O estudo, realizado pelo instituto AtlasIntel, entrevistou mais de cinco mil cidadãos em todo o país. Os resultados mostram diferenças sutis, mas significativas, entre a opinião sobre o grupo do ex‑presidente Jair Bolsonaro e o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Metodologia da pesquisa
A amostra incluiu 5.018 eleitores, selecionados entre os dias 11 e 16 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95 %. A coleta de dados foi feita por telefone e internet, garantindo representatividade nacional.
Os entrevistados foram questionados sobre a percepção de envolvimento de partidos e lideranças no caso Master, bem como sobre a influência da crise institucional do STF nas campanhas eleitorais. Cada respondente recebeu um questionário estruturado, contendo perguntas fechadas e opções de resposta múltipla.
Para validar os resultados, o AtlasIntel submeteu o levantamento ao registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR‑06221/2026, atendendo às exigências de transparência e rastreabilidade.
Resultados principais
Os dados apontam um empate técnico entre os dois principais grupos políticos. Contudo, numericamente, 41,2 % dos eleitores consideram que os bolsonaristas estão mais envolvidos no escândalo, enquanto 40,2 % atribuem maior responsabilidade aos lulistas.
Essa diferença de um ponto percentual, embora pequena, representa uma vitória simbólica para o grupo do presidente Lula, pois indica uma leve mudança de percepção em relação ao cenário de março de 2026, quando a maioria associava o caso Master ao governo de direita.
Além disso, a pesquisa investigou a percepção sobre a crise do STF. Quando perguntados se a crise prejudica mais a campanha de Lula ou a do senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), 49,5 % dos entrevistados acreditam que o impacto é maior para o petista, enquanto apenas 20,9 % veem prejuízo para o parlamentar de direita.
- Bolsonaristas mais envolvidos: 41,2 %
- Lulistas mais envolvidos: 40,2 %
- Crise do STF pior para Lula: 49,5 %
- Crise do STF pior para Flávio Bolsonaro: 20,9 %
Os demais percentuais foram distribuídos entre respostas neutras ou indecisas, refletindo a complexidade do cenário político atual.
Impactos políticos e sociais
O leve deslocamento na percepção pública pode influenciar a estratégia de campanha de ambos os lados. Para o governo Lula, a maior associação do público ao seu grupo pode ser usada como argumento de que a oposição tenta desviar a atenção de questões internas.
Por outro lado, a bancada bolsonarista pode intensificar a narrativa de que o escândalo Master foi politicamente instrumentalizado para prejudicar sua imagem, reforçando a retórica de vítima.
A crise do STF, ao ser percebida como mais prejudicial ao petista, abre espaço para que o governo busque reforçar a independência institucional como parte de sua agenda de comunicação.
Especialistas apontam que a proximidade dos números indica um eleitorado ainda dividido, mas sensível a narrativas de corrupção e institucionalidade. Esse ambiente pode favorecer campanhas que enfatizem transparência e combate à fraude.
Além do impacto imediato nas eleições de 2026, o estudo sugere que a percepção de envolvimento em escândalos financeiros pode se tornar um critério decisivo nas próximas disputas partidárias, especialmente em regiões onde o Banco Master tem maior presença.
Analistas de mercado político ressaltam que a confiança nas instituições, medida pela percepção da crise do STF, será um fator determinante para a legitimidade dos candidatos, independentemente da filiação partidária.
Em síntese, a pesquisa do AtlasIntel oferece um panorama detalhado das opiniões eleitorais, destacando a estreita margem entre as avaliações dos dois principais grupos e revelando como crises institucionais podem alterar o cenário de campanha.
Os resultados também reforçam a importância de monitorar continuamente a opinião pública, pois mudanças sutis podem ter efeitos amplificados no comportamento do eleitorado nas urnas.
Para os partidos, a mensagem é clara: investir em comunicação transparente e em estratégias que mitigam a associação com escândalos financeiros será essencial para manter ou conquistar apoio.
Já para a sociedade civil, a pesquisa evidencia a necessidade de vigilância e engajamento ativo, garantindo que denúncias de corrupção sejam acompanhadas de respostas concretas das autoridades.
Por fim, o registro da pesquisa no TSE garante que os dados possam ser consultados por pesquisadores, jornalistas e demais interessados, contribuindo para a construção de um debate público mais informado e baseado em evidências.








