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Centro-esquerda sueca lidera vitória nas eleições gerais de 2024

A oposição de centro‑esquerda da Suécia, comandada pela ex‑primeira‑ministra Magdalena Andersson, avançou para a vitória nas eleições gerais realizadas neste domingo, 13 de setembro de 2024, em todo o país. Os resultados preliminares apontam que a coalizão de quatro partidos de esquerda já supera a aliança de direita, enquanto o partido de extrema‑direita vê sua votação cair.

Resultados preliminares e margem entre blocos

De acordo com a pesquisa de boca de urna divulgada pela emissora pública SVT, a coligação de esquerda alcançou 51,3% dos votos, contra 46,8% do bloco de direita. A TV4 apresentou números idênticos para a esquerda (51,3%) e 47% para a direita, reforçando a tendência de vitória da oposição.

Com quase 90% das cédulas apuradas por volta das 22h (horário de Brasília), o partido dos Democratas da Suécia (SD) registrou 17,6% dos votos, abaixo dos 20,5% obtidos nas eleições de 2022. Essa queda pode significar a primeira redução de cadeiras do SD desde sua entrada no Parlamento em 2010.

Os quatro partidos de oposição somam 175 assentos, enquanto a aliança de direita, liderada por Ulf Kristersson, ocupa 174 cadeiras. A diferença de apenas uma cadeira evidencia a competitividade do pleito e a importância dos votos ainda não contabilizados.

Perfil dos líderes e estratégias de campanha

Magdalena Andersson, de 59 anos, tenta retomar a chefia do governo após ter deixado o cargo em 2022. Conhecida como “Magda”, ela enfatiza a necessidade de reforçar o Estado de bem‑estar e apoiar famílias diante do aumento do custo de vida.

Do outro lado, o atual primeiro‑ministro Ulf Kristersson, 62 anos, busca um segundo mandato prometendo “tornar a Suécia grande novamente”, slogan inspirado no discurso de Donald Trump. Seu discurso foca em segurança, imigração e crescimento econômico.

Jimmie Åkesson, líder dos Democratas da Suécia, transformou o partido de origem neonazista em uma força política relevante nas últimas duas décadas. No último comício, antes da votação, ele declarou que a disputa já estava vencida, mas os números preliminares mostraram o contrário.

Greta Thunberg, ativista climática sueca, usou o Instagram para alertar os eleitores contra uma possível aliança entre direita e extrema‑direita, escrevendo: “Nenhum fascista em nosso governo. Justiça climática já!”. Seu apelo reforçou a mobilização dos eleitores jovens.

Participação eleitoral e contexto histórico

Com cerca de 8 milhões de eleitores habilitados em um país de 10,6 milhões de habitantes, a Suécia costuma registrar participação superior a 80% nas eleições gerais. Esse alto índice reflete a tradição democrática do país e a importância que os cidadãos dão ao voto.

Os social‑democratas governaram a Suécia por grande parte do século XX, consolidando um modelo de bem‑estar que ainda influencia a agenda política. A promessa de fortalecer esse modelo permanece central na campanha de Andersson.

Ao longo dos últimos meses, as pesquisas mostraram vantagem confortável para a esquerda, mas nos últimos dias a diferença estreitou, chegando a um empate técnico. Esse recuo se deve, em parte, à intensificação dos debates sobre imigração e segurança, temas que a direita explorou com veemência.

O cenário pós‑eleitoral ainda é incerto, pois a formação de governo pode exigir negociações entre os quatro partidos de esquerda e, possivelmente, acordos pontuais com partidos menores. A expectativa é que a coalizão de centro‑esquerda consiga garantir a maioria necessária para governar.

Se a vitória da esquerda for confirmada, Andersson poderá implementar políticas de aumento de salários, expansão de serviços de saúde e apoio direto às famílias, medidas que visam conter a inflação e melhorar a qualidade de vida dos suecos.

Por outro lado, caso a direita consiga reverter a margem nas urnas ainda não apuradas, Kristersson poderia avançar com reformas fiscais e de segurança, bem como uma política de imigração mais restrita.

Independentemente do resultado final, as eleições de 2024 demonstram a polarização crescente entre centro‑esquerda e direita, bem como o declínio da extrema‑direita, que parece perder terreno perante um eleitorado cansado de discursos radicais.

Os próximos dias serão decisivos para a contagem final dos votos, a proclamação oficial dos resultados e o início das negociações de governo. Observadores internacionais acompanham de perto o pleito, que pode influenciar a agenda política europeia nos próximos anos.

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