A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quarta‑feira, 16 de julho, a retirada do mercado das bebidas proteicas NotShake Protein, fabricadas pela NotCo Brasil. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e afeta quatro sabores diferentes do produto, que estavam disponíveis em supermercados e lojas de suplementos em todo o país.
Detalhes da decisão regulatória
A Anvisa explicou que os quatro sabores – Morango com Tâmara, Baunilha com Coco, Chocolate e Café Caramelo – não possuem registro como suplemento alimentar, requisito obrigatório para comercialização desse tipo de produto. Sem o registro, a agência considerou que a empresa não comprovou a adequação dos ingredientes ao uso em suplementos.
Além da falta de registro, a agência apontou que as bebidas contêm suco concentrado de repolho, um ingrediente que exige avaliação específica para uso em suplementos. A NotCo não apresentou documentação que atestasse a segurança e a eficácia desse componente dentro do contexto de um suplemento proteico.
Outro ponto criticado foi a alegação de “zero lactose” nas embalagens. A Anvisa considerou que a informação era inadequada, pois não havia evidência suficiente de que o produto estivesse livre de traços de lactose em todas as etapas de produção.
Por fim, a agência avaliou que os estudos fornecidos pela empresa sobre a estabilidade do produto ao longo do prazo de validade eram insuficientes. Sem dados robustos, não era possível garantir que as características nutricionais e microbiológicas permanecessem inalteradas até o consumo final.
Impacto na indústria de suplementos
O recolhimento das bebidas NotShake Protein tem repercussões imediatas para o mercado de suplementos no Brasil. Consumidores que já haviam adquirido os produtos precisam ficar atentos às orientações de devolução ou descarte seguro.
Distribuidores e varejistas também foram instruídos a retirar os estoques das prateleiras, interrompendo a venda, a propaganda e qualquer forma de distribuição. Essa ação reforça a importância de cumprir rigorosamente as normas sanitárias antes de lançar novos produtos.
Para a indústria, o caso destaca a necessidade de investir em processos de registro e em documentação técnica detalhada. Empresas que pretendem inovar com ingredientes não convencionais, como o suco de repolho, devem antecipar avaliações regulatórias para evitar interrupções inesperadas.
Além disso, a decisão pode incentivar outros fabricantes a revisar suas alegações de rotulagem, como a ausência de lactose ou de glúten, garantindo que haja comprovação científica por trás de cada afirmação.
Reação da NotCo e próximos passos
Em nota oficial, a NotCo afirmou que não recebeu notificação prévia da Anvisa sobre a necessidade de recolhimento. A empresa ressaltou que está analisando detalhadamente as motivações técnicas e regulatórias da decisão.
Apesar da surpresa, a empresa reiterou seu compromisso com a qualidade, a segurança alimentar e o cumprimento da legislação em todas as etapas da cadeia produtiva. A NotCo destacou que continuará colaborando com as autoridades para esclarecer os pontos levantados.
Nos próximos dias, a empresa deverá apresentar documentação complementar ou solicitar a regularização dos produtos junto à Anvisa. Caso consiga atender aos requisitos, poderá solicitar novo registro e, eventualmente, reiniciar a comercialização.
Enquanto isso, a NotCo recomenda que os consumidores que ainda possuam as bebidas em casa consultem um profissional de saúde antes de consumi-las, e que, se possível, devolvam os produtos aos pontos de venda para evitar riscos.
- Sabores afetados: Morango com Tâmara, Baunilha com Coco, Chocolate, Café Caramelo.
- Principais irregularidades apontadas: falta de registro, uso de suco de repolho não comprovado, alegação de zero lactose, estudos de estabilidade insuficientes.
- Ações exigidas: recolhimento, proibição de fabricação, venda, distribuição, propaganda e uso.
Este episódio reforça a importância de um diálogo transparente entre indústria e agência reguladora. Quando há inovação em formulações, a documentação robusta e o cumprimento das normas são fundamentais para garantir a confiança do consumidor.
Especialistas em direito sanitário apontam que casos como este podem servir de precedente para futuras avaliações de produtos com ingredientes emergentes. A tendência global de buscar alternativas vegetais e funcionais exige que os reguladores se adaptem, mas também que as empresas apresentem evidências científicas sólidas.
Para o consumidor brasileiro, a mensagem é clara: antes de adotar novos suplementos, verifique se o produto possui registro na Anvisa e se as informações de rotulagem são respaldadas por estudos confiáveis.
Em resumo, a Anvisa tomou uma medida preventiva para proteger a saúde pública, enquanto a NotCo trabalha para atender às exigências e, possivelmente, retomar a comercialização de suas bebidas proteicas no futuro.








